Famílias de políticos com bagagem em eleições chegam rachadas neste ano às disputas estaduais por cargos no Executivo e no Legislativo. Em estados das regiões Norte e Nordeste, os planos de candidatos com parentesco acabaram gerando conflitos ou precisaram ser acomodados em palanques distintos, sem que possam pedir votos formalmente um pelo outro. Parlamentares bolsonaristas, por sua vez, buscam alavancar candidaturas de parentes com “dobradas”, tentando aproveitar a própria visibilidade dentro do eleitorado do presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Um dos principais rachas ocorre no Ceará, onde o presidenciável Ciro Gomes (PDT) articulou pela candidatura do correligionário Roberto Cláudio ao governo, no lugar da atual governadora Izolda Cela, também do PDT. O prefeito de Sobral, Ivo Gomes, criticou o movimento do irmão e, na semana passada, declarou que “simplesmente não existe” o apoio de outro membro da família, o senador Cid Gomes (PDT-CE), à candidatura de Cláudio. A manifestação de Ivo ocorreu após o PDT cearense impugnar uma pesquisa eleitoral com a alegação de que o questionário, ao elencar apoiadores dos candidatos, deveria incluir Cid como aliado de Cláudio, junto a Ciro.
Também há conflito no Rio Grande do Norte, estado em que a atual governadora, Fátima Bezerra (PT), incluiu dois membros da família Alves em sua chapa: o deputado federal Walter Alves (MDB), candidato a vice, e o ex-governador Carlos Eduardo Alves (PDT), indicado para concorrer ao Senado. Walter é filho do ex-senador Garibaldi Alves Filho (MDB), candidato a uma vaga na Câmara, e primo de Carlos Eduardo. Ex-presidente da Câmara e outro representante da família, Henrique Eduardo Alves deixou o MDB e filiou-se ao PSB para também concorrer a deputado federal. O PSB, que também lançou candidato ao Senado, acabou rifado da chapa do PT.
Ao anunciar a mudança de partido, em março, Henrique Alves disse que o MDB “se apequenou”, numa indireta a Carlos Eduardo e Garibaldi – derrotados em 2018 ao concorrerem ao governo e ao Senado, respectivamente. Recém-saído de prisão domiciliar e réu da Lava-Jato à época, Henrique optou por não concorrer naquele ano. Garibaldi – também alvo da Lava-Jato –, por sua vez, acusou o primo de prejudicar a candidatura de Walter Alves à Câmara na última eleição, e disse que buscará tirar votos de Henrique na disputa deste ano. Na convenção do PSB, há uma semana, Henrique voltou a mandar recados velados aos primos:
– Quando procurei uma nova casa, com o caráter que eu pudesse me orgulhar, encontrei no PSB meu novo partido de corpo e alma. Chego aqui sem ódio e sem medo – discursou. Leia também: Flávio Bolsonaro tem obstáculos a vencer até as urnas
Quem são os candidatos à Presidência em 2022
1 de 10 Após anulação das condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e afirmou que anunciará em 2022 se irá concorrer.Edilson Dantas
2 de 10 O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição e se filiou ao PL para concorrer no ano que vem.Isac Nóbrega/PR
3 de 10 Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022.Agência O Globo
4 de 10 O MDB oficializou a candidatura de Simone Tebet, após a senadora chamar atenção na CPI da Covid.Agência O Globo 26/06/2021
5 de 10 O líder do Democracia Cristã, José Maria EymaelAgência O Globo Mais de politica
6 de 10 Empresário e influencer Pablo Marçal lançou pré-candidatura ao Palácio do Planalto pelo PROSDivulgação
7 de 10 O partido Novo oficializou o nome do cientista político Luiz Felipe D'Avila como pré-candidato do partido à Presidência.Reprodução / Instagram Leia também: Do petrolão ao Master, dez anos do impeachment de Dilma
8 de 10 Candidata à vice-presidente da República em 2014, Sofia Manzano, formada em Ciências Econômicas pela PUC-SP e doutora em História Econômica pela USP, é a pré-candidata à Presidência do PCB, partido em que atua desde os 17 anos.Divulgação
9 de 10 Vera Lúcia é formada em Sociologia pela universidade Federal do Sergipe e nunca ocupou cargo político, ainda que tenha se candidatado à presidência pelo PSTU em 2018 e a prefeitura de São Paulo em 2020. Foto: Romerito Pontes
10 de 10 Senadora Soraya Thronicke
No Acre e no Tocantins, arranjos de última hora colocaram parentes em chapas distintas. Após romper com o governador acreano Gladson Cameli (PP), o senador Márcio Bittar (União), aliado do governo Bolsonaro no Congresso, se lançou candidato ao governo, com o correligionário Alan Rick concorrendo ao Senado. Rick havia entrado em acordo para ser vice de Cameli na disputa pela reeleição, movimento que irritou Bittar, que tentava indicar a esposa, Márcia Bittar (PL), para o cargo.
Para evitar ter a candidatura envolvida por disputas internas do União, Márcia acabou lançada ao Senado em outra chapa, da candidata ao governo Mara Rocha (MDB). Em convenção na última sexta-feira, ela afirmou que pedirá votos para a candidata do MDB, embora o marido concorra ao mesmo cargo. Mas reiterou que o “mentor da aliança” foi o “senador Márcio”.
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