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- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 8 min
Um estudo acompanhou a evolução de registros de câncer na Inglaterra ao longo de 18 anos, de 2001 a 2019, e observou a alta da prevalência de 11 tipos de tumores entre adultos de 20 a 49 anos.
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A pesquisa, publicada em abril no periódico científico BMJ Oncology, buscou entender se esse aumento acompanhava mudanças em fatores de risco já conhecidos, como obesidade, tabagismo, álcool, dieta e sedentarismo, ou se apontava para outras explicações ainda em aberto.
Ao cruzar dados nacionais de registros de câncer com tendências desses fatores, os pesquisadores concluíram que o aumento do IMC (índice de massa corporal) ajuda a explicar uma parcela relevante do avanço.
Já os demais fatores analisados não apresentaram uma relação direta consistente com a tendência de alta — indicando que parte do fenômeno ainda não encontra explicação clara nos riscos conhecidos anteriormente. Leia também: Drones e jatos militares dos EUA são observados perto de Cuba em meio ao
Embora o estudo tenha analisado dados da população da Inglaterra, ele ajuda a iluminar uma questão também presente no Brasil: quais as causas do aumento de casos de câncer em jovens adultos no país?
O médico Raphael Brandão, chefe da área de oncologia da Rede São Camilo de São Paulo, afirma que o estudo quantifica algo que, na prática da oncologia clínica, já vinha sendo percebido: o perfil de quem frequenta a sala de espera mudou.
Embora os casos ainda sejam considerados raros, Brandão aponta que o artigo mostra que se trata de uma tendência consistente, observada em 11 tipos de tumor, com aumento de incidência entre 1% e 3% ao ano em adultos com menos de 50 anos.
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Isso traz uma implicação ainda a ser assimilada, o fato de que os protocolos de rastreamento foram desenhados com foco em populações mais velhas. No Brasil, por exemplo, o rastreamento de câncer colorretal no SUS começa aos 50 anos.
"Trata-se de um grupo que ficava numa zona de sobreposição entre a pediatria e a oncologia de adultos e que passou a receber atenção específica na última década. O estudo do BMJ Oncology trabalha com a faixa entre 20 e 49 anos, o que é bastante abrangente, mas relevante para fins epidemiológicos".
Segundo ele, o que o estudo traz de mais importante é colocar dados robustos sobre uma percepção que já existe na prática clínica: "Estamos vendo mais câncer em pessoas mais jovens, especialmente em alguns tipos específicos. A base utilizada é a do National Health System (NHS) do Reino Unido, uma das mais bem estruturadas do mundo, o que confere peso ao achado." Leia também: 'Olimpíadas dos Esteroides': a competição onde o doping é permitido
Ferreira aponta, contudo, que é fundamental deixar claro que se trata de um estudo observacional.
"Ele levanta hipóteses, não prova causalidade. Não afirma que obesidade e sobrepeso causam câncer; identifica uma associação. Isso não diminui seu impacto. Pelo contrário: ele confirma que a oncologia precisa ampliar o olhar. O câncer não é mais uma doença restrita à terceira idade."
Os achados, na avaliação do especialista, têm implicações profundas em políticas de rastreamento, na forma como os médicos se comunicam com pacientes mais jovens e nas análises de custo-efetividade dos sistemas de saúde.
"Quando tratamos um paciente mais jovem, o tempo de vida potencialmente ganho é muito maior, o que muda a equação de qualquer investimento em prevenção ou diagnóstico precoce."

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O estudo reflete a realidade do Brasil?

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