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As pessoas que deixaram o Ocidente em busca do 'sonho russo'

As pessoas que deixaram o Ocidente em busca do 'sonho russo' e se decepcionaram: 'Não é nenhuma utopia' Crédito, Acervo pessoal Legenda da foto, Ben mudou-se para a

As pessoas que deixaram o Ocidente em busca do 'sonho russo' e se
As pessoas que deixaram o Ocidente em busca do 'sonho russo' e se decepcionaram: 'Não é nenhuma utopia'
Em primeiro plano, Ben usa gorro cinza, óculos, casaco escuro e mochila, com neve acumulada sobre as roupas e os ombros. A cena se passa em uma praça de paralelepípedos coberta de neve. Ao fundo, à esquerda, está a Catedral de São Basílio, com suas cúpulas coloridas. À direita, aparecem a muralha de tijolos vermelhos do Kremlin e uma de suas torres. Algumas pessoas atravessam a praça, e um veículo estacionado pode ser visto perto da muralha. Flocos de neve caem levemente sobre a paisagem

Crédito, Acervo pessoal

Legenda da foto, Ben mudou-se para a Rússia em 2023 com um visto familiar e diz que se sente mais seguro vivendo lá
Article Information
    • Author, Dan Hardoon
    • Role, Serviço Mundial, BBC News
  • Published Há 6 minutos
  • Tempo de leitura: 8 min

Quando se mudou do Texas, nos Estados Unidos, para a Rússia no fim de 2023, após receber asilo, Leo Hare estava convencido de que oferecia um futuro melhor para a família.

Leia no AINotícia: Mundo: Resumo de Notícias Internacionais da Semana

Pai de três filhos, ele mergulhou na nova vida: experimentou pelmeni (bolinhos recheados típicos da culinária russa), ordenhou cabras em uma fazenda e passou a publicar vídeos sobre o cotidiano no país para seus seguidores nas redes sociais.

Cristão devoto, Hare havia se tornado cada vez mais desiludido com diferentes aspectos da vida nos EUA, da polarização política aos alimentos geneticamente modificados e ao que considera o avanço do movimento LGBTQIA+.

Na época, ele acreditava que a Rússia oferecia uma alternativa atraente: uma sociedade baseada na fé cristã e nos valores familiares, uma imagem amplamente disseminada pelo governo russo. Leia também: Por que o novo regime do Irã é totalmente diferente do anterior

Mas, com o passar do tempo, também passou a demonstrar preocupação com aspectos como as restrições ao acesso à informação.

Hare faz parte de um fluxo migratório improvável. Em meio ao isolamento internacional da Rússia, algumas milhares de pessoas de países como Canadá, Reino Unido, EUA e de diferentes partes da Europa decidiram se mudar para o país.

A visão que esse grupo tem da Rússia contrasta fortemente com aquela que é predominante no Ocidente: a de um país que invadiu a Ucrânia e ocupa grandes áreas de seu território, prende opositores políticos, impõe severas restrições às liberdades civis e é alvo de múltiplas sanções internacionais.

Muitos dos interessados em migrar para a Rússia são atraídos pelo visto de Valores Compartilhados, também conhecido como visto "anti-woke", criado um mês depois de Hare receber asilo.

Não há limite para o número de candidatos, e os solicitantes não precisam se submeter aos exames de língua russa, história e legislação normalmente exigidos.

Em vez disso, devem declarar que compartilham os valores espirituais e morais tradicionais defendidos pela Rússia e rejeitam o que o governo russo classifica como a "ideologia neoliberal destrutiva" de seus países de origem. Leia também: As coisas mais estranhas que podem piorar o sinal de wi-fi da sua casa

Ao fim dos três anos, quem obteve o visto de Valores Compartilhados precisa convertê-lo em uma autorização de residência permanente ou deixar o país.

Para obter a residência permanente, é necessário fazer provas de língua russa e história, além de apresentar uma documentação mais detalhada.

Duas pessoas em trajes formais estão na parte da frente de um tribunal. Uma delas segura um pequeno livreto azul. Entre elas, há uma bandeira clara hasteada em um mastro. Ao fundo, aparecem mesas e cadeiras de madeira, além de um púlpito com um brasão. Uma pessoa está sentada a uma mesa no fundo da sala. Um brasão também aparece no lado direito da imagem

Crédito, Ministério do Interior da Rússia

Legenda da foto, Leo Hare (à direita) durante a cerimônia em que recebeu asilo, exibida pela televisão estatal

Segundo o governo russo, quase 3,4 mil pessoas haviam solicitado o visto até o outono de 2026. Mas esses números são difíceis de verificar de forma independente e não informam quantos pedidos foram aprovados.

O programa faz parte de um esforço mais amplo do governo russo de apresentar o país como defensor dos valores tradicionais, em oposição ao que considera ser o declínio moral do Ocidente.

Uma pessoa está sentada atrás de uma mesa de madeira polida, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo, vestindo um paletó e uma camisa cinza-claros. Ao fundo, há um revestimento de madeira escura na parede. À esquerda, está uma bandeira da Rússia; à direita, uma bandeira vermelha com um brasão
Legenda da foto, Depois de se mudar para Moscou, Philip Hutchinson passou a ajudar outras pessoas a se mudarem para a Rússia

Diferentes realidades

Em primeiro plano, uma pessoa usa gorro cinza, óculos, casaco preto e cachecol branco, além de uma mochila cinza com as alças visíveis. A calçada e a rua estão cobertas de neve. Ao fundo, há uma avenida larga, com semáforos e placas de travessia de pedestres. Também é possível ver edifícios modernos com fachadas de vidro e guindastes de construção
Legenda da foto, Ben não vê a Rússia como um paraíso conservador
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