
Crédito, Getty Images/BBC
- Author, Chi Chi Izundu
- Role, Repórter de investigações
- e
- Author, Olivia Davies, Will Dahlgreen e Adam Walker
- Role, BBC News
- 24 abril 2026, 18:22 -03Atualizado Há 2 horas
- Tempo de leitura: 12 min
O financista americano Jeffrey Epstein (1953-2019), condenado por crimes sexuais, manteve em vários apartamentos em Londres mulheres que afirmam terem sido abusadas por ele, nos anos que se seguiram à decisão da polícia britânica de não investigá-lo, segundo revelou investigação da BBC.
Nos arquivos de Epstein, encontramos provas de quatro apartamentos alugados no bairro nobre de Kensington e Chelsea, como recibos, e-mails e extratos bancários.
Seis das mulheres que moraram nesses locais já se apresentaram como vítimas dos abusos de Epstein.
Várias delas, procedentes da Rússia, Europa oriental e de outros locais, foram trazidas para o Reino Unido depois que a Polícia Metropolitana de Londres decidiu não investigar a denúncia de Virginia Giuffre (1983-2025). Ela declarou, em 2015, ter sido vítima de tráfico internacional para Londres.
A Polícia Metropolitana declarou ter seguido "linhas de investigação razoáveis" naquele momento, entrevistando Giuffre em várias ocasiões após sua denúncia e colaborando com os investigadores americanos. Leia também: Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?
E-mails incluídos nos arquivos publicados indicam que Epstein coagiu algumas das mulheres abrigadas nos apartamentos londrinos, para recrutar outras para sua rede de tráfico sexual. Elas também foram transportadas pelos trens da Eurostar para visitá-lo em Paris, na França.
A BBC examinou milhões de páginas de documentos recolhidos e publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sua investigação sobre Jeffrey Epstein. O objetivo é reconstituir a imagem mais detalhada já realizada das suas atividades no Reino Unido.
A descoberta evidencia que sua rede era mais ampla do que se tinha conhecimento, incluindo mais vítimas, uma infraestrutura consolidada com moradias e o transporte frequente de mulheres entre diferentes países.
E as operações prosseguiram até a morte de Epstein, apesar dos alertas que chegaram à polícia britânica.
A BBC não irá publicar detalhes sobre as jovens, para proteger seu anonimato, como vítimas de abuso sexual. Mais de mundo
A investigação revelou que a polícia britânica teve outras oportunidades para abrir investigações sobre as atividades do financista no Reino Unido, além da denúncia de Giuffre. Ela afirmou ter sido vítima de tráfico e obrigada a manter relações sexuais com Andrew Mountbatten-Windsor, o ex-príncipe britânico Andrew, em 2001. Mountbatten-Windsor sempre negou ter cometido qualquer delito.

Crédito, Adam Walker/BBC Leia também: As teorias da conspiração sobre 'cientistas desaparecidos' nos EUA que deixam famílias perplexas
No início de 2020, uma segunda mulher denunciou à Polícia Metropolitana de Londres ter sido vítima de abusos por parte de Epstein no Reino Unido, segundo constatou a BBC. Não se sabe ao certo se foram tomadas medidas a respeito.
As autoridades britânicas também souberam em 2020, pouco depois da morte de Epstein na prisão, que o criminoso sexual condenado havia alugado pelo menos um dos apartamentos identificados pela BBC, segundo um dos documentos encontrados nos arquivos.
A advogada de direitos humanos Tesa Gregory, do escritório de advocacia britânico Leigh Day, declarou à BBC ter ficado "estupefata" por nunca ter sido iniciada uma investigação policial no Reino Unido, após tomar conhecimento das descobertas da reportagem.
"Quando existem denúncias confiáveis de tráfico de pessoas, o Estado britânico, mesmo se não se apresentarem vítimas, tem a obrigação legal de realizar uma investigação rápida, eficaz e independente", segundo Day.
A Polícia Metropolitana declarou que "reconhecemos nossas obrigações em virtude do artigo 4° da Convenção Europeia de Direitos Humanos e confiamos que elas foram cumpridas".

Epstein, o senhorio

Tráfico pelo Eurostar

Quem trabalhava para Epstein no Reino Unido?
O que sabiam as autoridades britânicas?

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