
Crédito, Manolla Mello/Divulgação
- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 10 min
O relógio ganhou protagonismo na carreira de Antonio Fagundes. Com a precisão de quem segue um compasso, ele divide o tempo entre a nova novela da Globo, Quem Ama Cuida, que grava no Rio de Janeiro, e as peças Dois de Nós, que apresenta ao lado de Christiane Torloni, e Sete Minutos, que dirige, ambas em São Paulo.
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Sete Minutos é uma comédia sobre um ator que abandona o palco no início de Macbeth, clássico de William Shakespeare, após ouvir um celular tocar. Quando escreveu o roteiro, no início do milênio, os aparelhos eram novidade. Agora, tudo piorou, ele diz: antes, se um ator só conseguia prender a atenção do público por sete minutos, hoje é difícil mantê-la por sete segundos.
A nova montagem, que amplia o debate sobre a relação entre plateia e palco, vem na esteira de uma cruzada que Fagundes trava contra quem chega atrasado ao teatro. Ele proíbe a entrada após o início do espetáculo, não devolve o dinheiro pago no ingresso e vê os processos chegarem.
A discussão ganhou voltagem depois que viralizou nas redes sociais. A maioria dos juízes tem se posicionado a favor do ator, mas a batalha nunca termina, ele diz, pouco depois de receber mais um processo. "Não posso permitir que uma pessoa desrespeitosa atrapalhe o prazer de quem chegou na hora." Leia também: A Copa do Mundo será decidida nestes gramados
"Quando começo, tenho 650 pessoas sentadas, e não posso desrespeitar essas pessoas, deixando que dois ou três cheguem atrasados, falando alto, com a lanterna do celular acesa, fazendo a fila inteira se levantar para eles se sentarem."

Crédito, Manoella Mello/Divulgação
Fagundes diz que o tempo de todos precisa ser valorizado, inclusive o dele, hoje dividido entre o teatro e a televisão, em um retorno que acontece sete anos após ver seu contrato de décadas com a Globo expirar e não ser renovado.
A prática se tornou comum nos últimos anos, depois que a emissora passou a abrir mão da exclusividade que mantinha com seus talentos para equilibrar as contas, seguindo um movimento que os estúdios de Hollywood haviam iniciado muito antes.
Fagundes critica o novo modelo de contratação e pagamento por obras, mas afirma estar feliz por voltar. Em Quem Ama Cuida, ele interpreta Arthur Brandão, um ricaço de família interesseira que decide deixar toda a herança para uma recém-conhecida que perdeu a casa e tudo o que tinha em uma grande enchente. Mais de mundo
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A novela estreia nesta segunda-feira (18/5), às nove da noite, na Globo. A peça Dois de Nós segue em cartaz até o dia 31, no Tuca (Rua Monte Alegre, 1.024), com ingressos a partir de R$ 100, e o espetáculo Sete Minutos, que já tem ensaios abertos, entra oficialmente em cartaz na próxima quinta-feira (21/5), no Cultura Artística (Rua Nestor Pestana, 196), com ingressos a partir de R$ 120. Leia também: Filme de Bolsonaro precisaria superar bilheteria de todos os longas brasileiros
Em entrevista à BBC News Brasil por videoconferência, Fagundes apresenta os novos trabalhos, discute as mudanças na televisão, o avanço da inteligência artificial e relembra os tempos de galã, quando se tornou o primeiro ator brasileiro a aparecer de cueca na televisão. "Nunca me considerei um homem bonito", admite.
BBC News Brasil – Depois de sete anos afastado, como tem sido voltar a fazer novelas?
Antonio Fagundes – Sempre tive um acordo com a TV Globo, nestes 44 anos em que trabalhei lá, de que só gravaria na folga do teatro, de segunda a quarta-feira. De quinta a domingo, vida que segue: fazia teatro e cinema. Esses sete anos eu fiquei de folga, porque não fazia nada na folga do teatro.
A retomada está sendo um pouco pesada, porque tinha uma série de compromissos e tive que encaixar as gravações. Estou dirigindo uma peça, produzindo outra e atuando em outra, todas em São Paulo. Estou sem tempo para dormir, mas está sendo uma felicidade, porque o elenco é delicioso e Walcyr Carrasco é um mestre. Mas é uma pequena volta, porque vou fazer os 13 primeiros capítulos e o personagem já morre.
Fagundes – Continuo na minha posição. Para ter um esquema violento de trabalho como o nosso — de três a quatro novelas por semestre, com 200 capítulos cada —, exige expertise dos atores, técnicos, câmeras, editores e de todos os envolvidos. É uma expertise que não se resolve rapidamente — chama uma pessoa aqui, outra ali, e vamos montar uma equipe. Não é assim. É como uma orquestra sinfônica: não adianta chamar um violinista, o cara do oboé e o do piano. Tem que ensaiar muito — e juntos.


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