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A Copa do Mundo será decidida nestes gramados

Crédito, Nick Schrader/Michigan State University Legenda da foto, Uma máquina que reproduz o impacto de uma chuteira no gramado ajudou os pesquisadores a entender como

A Copa do Mundo será decidida nestes gramados
Uma máquina que reproduz o impacto de uma chuteira no gramado ajudou os pesquisadores a entender como os jogadores se comportam em diferentes tipos de campo

Crédito, Nick Schrader/Michigan State University

Legenda da foto, Uma máquina que reproduz o impacto de uma chuteira no gramado ajudou os pesquisadores a entender como os jogadores se comportam em diferentes tipos de campo
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    • Author, Johnny Kauffman
    • Role, BBC Future
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 12 min

Aconteceu logo aos oito minutos de jogo. Ángel Di María roubou a bola de um zagueiro canadense e chutou em direção ao gol adversário.

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Um dos maiores jogadores da história da Argentina tinha apenas o goleiro pela frente em um lance decisivo da fase de grupos da Copa América de 2024. Mas, ao conduzir a bola até a área, parecia ter dificuldade para dominá-la.

Diante do goleiro canadense na entrada da área, Di María conseguiu apenas tocar de bico, sem força. O goleiro então defendeu com facilidade.

Depois da partida, o técnico e os jogadores argentinos deram uma explicação para o que poderia ter dado errado. Os atuais campeões mundiais alegaram que a qualidade do gramado no estádio de Atlanta, no Estado da Geórgia, nos Estados Unidos, afetou o desempenho da equipe. Leia também: Filme de Bolsonaro precisaria superar bilheteria de todos os longas brasileiros

O estádio onde a partida foi disputada, casa do Atlanta Falcons, time de futebol americano da liga nacional dos EUA (NFL), e do Atlanta United, equipe da Major League Soccer (MLS, a liga americana de futebol que conta com nomes como Lionel Messi), normalmente usa um gramado artificial, mas ele havia sido substituído por um campo temporário de grama natural poucos dias antes do torneio.

Os jogadores da Argentina reclamaram que a bola quicava "como em um trampolim" e descreveram o gramado como "um desastre". As preocupações com a qualidade dos campos acompanharam o torneio à medida que as partidas eram disputadas em outros estádios pelos EUA.

Conforme a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, os organizadores dos países-sede (EUA, Canadá e México) tentam evitar que as críticas aos gramados se repitam. Por isso, contrataram especialistas encarregados de garantir que não ocorram reclamações durante a copa, que vai de 11 de junho a .

Nos últimos oito anos, pesquisadores quicaram bolas, pisotearam gramados com chuteiras e submeteram diferentes áreas de grama a testes intensos em busca do campo perfeito. Eles irrigaram, adubaram e monitoraram diferentes combinações de espécies de grama para entender como cada uma reagiria às condições de jogo. Também mediram lâminas de grama de milímetro por milímetro para encontrar a altura ideal.

"É muita pressão", afirma John Sorochan, professor da Universidade do Tennessee, nos EUA, contratado pela Fifa para supervisionar o crescimento, a instalação e a manutenção dos gramados nos 16 estádios da Copa do Mundo, incluindo cinco arenas cobertas por domos. Mais de mundo

"Esses são os estádios que mais me preocupam", diz Sorochan. "O sol vai nascer, mas não dentro deles. As plantas precisam de luz, de preferência luz solar, para crescer."

Velcro ou carpete

Funcionários instalam grama no Los Angeles Stadium para a Copa do Mundo de 2026, em 13 de maio de 2026

Crédito, Getty Images

Com a Copa do Mundo masculina de 2026 se aproximando, o resultado acumulado de mais de 170 experimentos diferentes conduzidos por Sorochan e outros pesquisadores está prestes a ser colocado à prova. O trabalho se apoia em décadas de estudos sobre a ciência do cultivo e da instalação de gramados esportivos.

Mas os campos desenvolvidos para os estádios nos EUA, Canadá e México serão pisoteados por 22 jogadores ao mesmo tempo durante mais de 90 minutos por partida ao longo de 104 jogos. As ambições dos maiores jogadores do mundo e de bilhões de torcedores dependerão da capacidade de resistência desses gramados.

Segundo Sorochan, uma diferença de apenas cinco milímetros pode determinar se um gramado se comporta como "velcro" ou como um tapete natural perfeito, favorecendo a troca rápida de passes necessária para um jogo emocionante.

Sorochan e os colegas passaram horas realizando testes para definir a altura exata em que cada campo deveria ser cortado. Em campos em miniatura instaladas nos laboratórios de pesquisa em Knoxville, no Tennessee, nos EUA, bolas eram lançadas por máquinas vermelhas enquanto os cientistas observavam e mediam cuidadosamente velocidade e quique. Eles também empurravam sobre a grama uma estrutura metálica equipada com uma chuteira presa a um suporte, usada para golpear repetidamente o solo e testar a sua elasticidade.

Para os estádios cobertos, os pesquisadores precisaram encontrar uma forma de garantir que o gramado permanecesse estável, com níveis adequados de estabilidade e quique
Legenda da foto, Para os estádios cobertos, os pesquisadores precisaram encontrar uma forma de garantir que o gramado permanecesse estável, com níveis adequados de estabilidade e quique

O 'guru dos gramados' e o seu protegido

A Fifa aposta que décadas de pesquisa de John Sorochan (à esquerda) e Trey Rogers (à direita) sobre gramados esportivos vão garantir campos resistentes o suficiente para suportar a intensidade da Copa do Mundo
Legenda da foto, A Fifa aposta que décadas de pesquisa de John Sorochan (à esquerda) e Trey Rogers (à direita) sobre gramados esportivos vão garantir campos resistentes o suficiente para suportar a intensidade da Copa do Mundo

Algas marinhas e sílica

Os pesquisadores testaram a altura ideal da grama em cada estádio para garantir as melhores condições de jogo
Legenda da foto, Os pesquisadores testaram a altura ideal da grama em cada estádio para garantir as melhores condições de jogo

Alimentando a grama

Vista panorâmica do estádio de Dallas sob iluminação durante o processo de instalação e preparação do campo, em 14 de maio de 2026, nos EUA
Legenda da foto, Luzes retráteis de LED iluminam os gramados com a quantidade exata de luz necessária
Ángel Di María, da Argentina, conduz a bola durante partida contra o Canadá, em 2024, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, EUA
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