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A chilena declarada desaparecida na era Pinochet e encontrada viva 5 décadas

A chilena declarada desaparecida na era Pinochet e encontrada viva 5 décadas depois Crédito, Memoria Viva/Chilevisión Article Information Author, Isabel Caro Role, BBC

A chilena declarada desaparecida na era Pinochet e encontrada viva 5 décadas
A chilena declarada desaparecida na era Pinochet e encontrada viva 5 décadas depois
Bernarda Vera (esq.), antes de desaparecer. À direita, Bernarda Vera em Miramar, em 2025.

Crédito, Memoria Viva/Chilevisión

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    • Author, Isabel Caro
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 31 minutos
  • Tempo de leitura: 9 min

A chilena Bernarda Rosalba Vera Contardo, na realidade, não era uma prisioneira desaparecida.

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Seu paradeiro foi perdido em outubro de 1973, pouco depois do golpe de Estado no Chile. Ela se casou novamente, teve filhos, adquiriu a nacionalidade sueca e morou por anos na província de Buenos Aires.

Foi ali, em um balneário de Miramar, ao sul da capital argentina, que a emissora de TV Chilevisión a encontrou em meados do ano passado.

Agora, a Justiça confirmou que se trata da mesma pessoa que se acreditou estar morta há muitos anos. Leia também: Por que a Coreia do Sul está virando um dos principais destinos do turismo

O relatório pericial de DNA ordenado pelo ministro extraordinário chileno para causas relacionadas aos direitos humanos, Álvaro Mesa Latorre, permitiu confirmar nesta semana o verdadeiro destino da mulher que, agora, tem 80 anos de idade.

Os antecedentes científicos, correspondentes ao perfil genético e às amostras dos seus familiares, disponíveis no Banco Genético de Familiares de Prisioneiros e Executados Políticos do Serviço Médico Legal do Chile, determinaram uma probabilidade de identificação de mais de 99,9999%, segundo a Justiça chilena.

Fontes do Poder Judiciário do Chile declararam à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que foi solicitado a ela que se submetesse a um teste e ela teria concordado.

A versão oficial

Em 1973, Bernarda Vera tinha 27 anos, era casada e tinha uma filha de cinco anos de idade.

Ela trabalhava como professora de uma escola pública de Puerto Fuy, no Complexo Madeireiro e Florestal Panguipulli, na região de Los Ríos, no sul do Chile.

Vera era uma militante política ativa e fazia parte do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR, na sigla em espanhol) e do Movimento Camponês Revolucionário (MCR). Leia também: Por que uma guerra limitada com EUA pode ser melhor para Irã do que a paz

A Comissão da Verdade e Reconciliação foi formada em 1990, durante os primeiros meses de governo do presidente Patricio Aylwin (1918-2016). Seu objetivo era reconstruir as violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura chilena (1973-1990).

Esta comissão recebeu o testemunho dos pais de Bernarda Vera, que haviam perdido seu paradeiro pouco antes do golpe de 1973.

O Relatório Rettig publicou o trabalho realizado pela comissão em 1991, incluindo Vera como uma das 1.469 vítimas de desaparecimento forçado no Chile.

O trabalho definiu que ela havia sido detida por militares no dia, em Liquiñe, na região da pré-cordilheira dos Andes no sul do país. Ela teria sido supostamente executada, segundo o relatório, ao lado de outras 15 pessoas.

"Acredita-se que ela tenha sido executada na ponte de Villarrica sobre o rio Toltén, ao lado dos outros prisioneiros de Liquiñe. Ela permanece desaparecida desde o momento da sua detenção", afirma o documento oficial, publicado 35 anos atrás.

Ativistas da organização chilena de direitos humanos 'Detidos e Desaparecidos' participam de uma manifestação em Santiago no dia 8 de setembro de 2013, em homenagem ao falecido presidente do Chile Salvador Allende
Legenda da foto, A ditadura chilena deixou cerca de 40 mil vítimas, entre desaparecidos, execuções ilegais, tortura e prisioneiros políticos

A versão alternativa

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Legenda da foto, Patricio Aylwin foi o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura de Augusto Pinochet. Seu governo criou a Comissão da Verdade e Reconciliação, que pesquisou as vítimas do regime.

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