Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China
Ler matéria →A ascensão da 'femosfera': mulheres que renunciam ao romance e buscam homens de 'alto valor'

Crédito, Getty Images
- Author, Dalia Ventura
- Role, BBC News Mundo
- Published 13 julho 2026, 07:00 -03Atualizado Há 51 minutos
- Tempo de leitura: 11 min
O homem deve ser um cavalheiro e a mulher deve ser cortejada. Ela deve se vestir bem, ele deve pagar a conta. Ele toma a iniciativa, ela se faz de difícil. E nada de sexo sem compromisso prévio.
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Conselhos que muitas mulheres já ouviram, seja no passado, quando prevaleciam regras rígidas de namoro, ou mais tarde, apesar das mudanças trazidas pelo movimento de emancipação feminina e pela subsequente revolução sexual.
O livro 35 Regras Para Conquistar O Homem Perfeito de Ellen Fein e Sherrie Schneider (publicado no Brasil pela editora Rocco, em 1997), por exemplo, fez sucesso ao oferecer táticas para conquistar o homem dos sonhos, que incluíam nunca falar com ele primeiro ou ligar para ele; nunca pagar a conta e nem mesmo dar beijos apaixonados no primeiro encontro.
Mas agora estamos na era da internet. e da inquietação, tudo é mais extremo e um pouco mais amargo. Leia também: Os argumentos de Alexandre de Moraes para suspender visitas de Flávio
O que resta quando os conselhos da avó se cruzam com algoritmos e o desencanto coletivo?
A femosfera. Um ecossistema de influenciadoras, fóruns, podcasts e conselhos que convida as mulheres a repensarem o amor— despojando-o de quaisquer ilusões românticas— e a transformarem a forma como abordam os relacionamentos.
Mais do que isso: incentiva-as a "tomar a pílula rosa", uma referência à "pílula vermelha" do filme Matrix, que simbolizava o acesso a uma realidade oculta.
No caso da rosa, essa realidade não está oculta, apenas velada. Os relacionamentos heterossexuais são estruturalmente desequilibrados em favor dos homens, argumentam, portanto devemos aprender a reconhecer padrões masculinos, elevar os padrões e evitar relacionamentos prejudiciais.
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A metáfora do filme já havia sido apropriada pela machosfera, movimento que reúne uma seleção diversificada de homens que se sentem ameaçados pelas mulheres e reagem com atitudes e discursos agressivos.
Para eles, a pílula vermelha simboliza o despertar daqueles que "enxergam" a suposta manipulação feminina e um sistema que— acreditam eles— prejudica os homens. Leia também: Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China
Essa reapropriação e inversão de termos feita pela femosfera não é incomum. Afinal, é, em parte, uma reação à agressão desse obscuro submundo masculino.
Assim, ao analisar ambos os fenômenos, percebe-se rapidamente semelhanças, mas também diferenças profundas.
A diferença mais fundamental, como enfatizado pela pesquisadora Jilly Kay, que cunhou o termo "femosfera", é que ela "não representa o mesmo tipo de ameaça social ou violência no mundo real" que a machosfera.
"Embora certas comunidades reproduzam algumas das táticas e da linguagem, ou por vezes desumanizem os homens da mesma forma que eles fazem com as mulheres, isso não significa que sejam equivalentes", disse ela à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
A machosfera, explica a especialista em estudos feministas de cultura e mídia da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, é uma exacerbação da violência masculina contra as mulheres, um problema social endêmico.

Realidade brutal

Palavras, palavras, palavras

Regras a seguir

Entre o desencanto e a resignação
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