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Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China

Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China e no Vietnã Crédito, Getty Images Legenda da foto, O governo do presidente Miguel Díaz-Canel

Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China e no
Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China e no Vietnã
Díaz-Canel

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O governo do presidente Miguel Díaz-Canel anunciou um programa com 176 diretrizes para tentar reativar uma economia em crise
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    • Author, Atahualpa Amerise
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 11 min

Cuba apresentou há poucos dias o que muitos consideram o seu mais amplo pacote de reformas econômicas em décadas.

Leia no AINotícia: Mundo: Resumo de Notícias Internacionais da Semana

O governo do presidente Miguel Díaz-Canel anunciou um programa com 176 diretrizes para tentar reativar uma economia em crise.

As medidas, aprovadas pela Assembleia Nacional do Poder Popular em 18/6, incluem a ampliação do setor privado, uma maior abertura ao investimento estrangeiro, a adoção de mecanismos de mercado para alocar recursos e mudanças profundas na agricultura, no sistema financeiro e no comércio exterior.

Se forem implementadas, elas reduzirão de forma significativa o rígido controle que o Estado exerce sobre a economia no sistema socialista cubano. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista

Um empresário poderá abrir várias empresas, um agricultor terá mais incentivos para produzir, companhias privadas poderão importar diretamente seus insumos e cubanos que emigrantes serão chamados a desempenhar um papel importante na economia do país.

As medidas surgem em meio a uma crise profunda, marcada por apagões frequentes, escassez de alimentos e combustível, queda da produção nacional, escassez de moeda estrangeira e uma emigração em massa que reduziu drasticamente a população economicamente ativa do país.

A isso se soma a pressão do governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump, que intensificou tanto o cerco econômico quanto a ofensiva política para forçar mudanças na ilha cubana.

Acúmulo de lixo em uma rua de Cuba

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A crise em Cuba atingiu níveis extremos

Longe de admitir uma mudança de rumo ideológico, as autoridades cubanas defendem as reformas como uma resposta às circunstâncias atuais do país para preservar o projeto socialista implantado após a Revolução que levou Fidel Castro ao poder, em 1959.

"Não há soberania com o prato vazio. A alimentação do povo cubano será tratada como o que é: uma questão de segurança nacional", afirmou o presidente Díaz-Canel na sessão em que as novas medidas foram aprovadas. Leia também: O que faz Cuba depender do exterior para alimentar sua população

As reformas parecem apontar para um modelo de socialismo de mercado semelhante ao da China e ao do Vietnã, em que o planejamento estatal, sob o monopólio político do Partido Comunista, convive com amplos espaços para a iniciativa privada e o investimento estrangeiro.

O próprio Díaz-Canel reconheceu recentemente que estudou "muito" as reformas adotadas por esses dois países asiáticos para impulsionar o desenvolvimento econômico sem abrir mão do sistema de partido único.

Tanto a China, desde o fim da década de 1970, quanto o Vietnã, a partir de meados dos anos 1980, implementaram profundas reformas orientadas para o mercado que ajudaram a tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza.

A questão é se Cuba pode seguir um caminho semelhante em um contexto histórico, econômico, social e político muito diferente.

Também há dúvidas sobre se o regime está disposto e será capaz de transformar essas propostas em mudanças concretas, com regras claras, prazos definidos e implementação contínua ao longo do tempo.

Quais são as medidas?

Cubanos passam em frente a um comércio
Legenda da foto, As micro, pequenas e médias empresas privadas criadas nos últimos anos introduziram novos serviços e negócios na ilha, embora continuem operando em uma economia centralizada e enfrentem rígidas restrições
Mercado em Havana
Legenda da foto, Cuba enfrenta um grave declínio da produção agropecuária, o que obriga o país a importar entre 70% e 80% dos alimentos consumidos pela população, segundo dados do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU

A inspiração em China e Vietnã

Deng Xiaoping e Jimmy Carter
Legenda da foto, Na foto, Deng Xiaoping aparece ao lado do então presidente Jimmy Carter, em Washington D.C., em 1979. O líder chinês abandonou a ortodoxia econômica maoista e abriu a China ao mercado sob a máxima de que 'enriquecer é glorioso'
Cidade chinesa com arranha-céus
Legenda da foto, Os arranha-céus e centros financeiros das principais cidades da China simbolizam a profunda transformação econômica do país

Cuba pode adotar esse modelo?

Crianças em uma área rural do Vietnã, em 1987
Legenda da foto, O desenvolvimento econômico do Vietnã se apoiou, inicialmente, em uma ampla população rural e em uma mão de obra jovem, abundante e barata
Fachada do hotel Meliá Habana, em Havana
Legenda da foto, A rede espanhola Meliá encerrou as operações em 15 de seus 34 hotéis em Cuba

Vontade de mudar ou estratégia de sobrevivência?

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