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Ler matéria →Como Cuba tenta recuperar sua soberania com reformas inspiradas na China e no Vietnã

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- Author, Atahualpa Amerise
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 11 min
Cuba apresentou há poucos dias o que muitos consideram o seu mais amplo pacote de reformas econômicas em décadas.
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O governo do presidente Miguel Díaz-Canel anunciou um programa com 176 diretrizes para tentar reativar uma economia em crise.
As medidas, aprovadas pela Assembleia Nacional do Poder Popular em 18/6, incluem a ampliação do setor privado, uma maior abertura ao investimento estrangeiro, a adoção de mecanismos de mercado para alocar recursos e mudanças profundas na agricultura, no sistema financeiro e no comércio exterior.
Se forem implementadas, elas reduzirão de forma significativa o rígido controle que o Estado exerce sobre a economia no sistema socialista cubano. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista
Um empresário poderá abrir várias empresas, um agricultor terá mais incentivos para produzir, companhias privadas poderão importar diretamente seus insumos e cubanos que emigrantes serão chamados a desempenhar um papel importante na economia do país.
As medidas surgem em meio a uma crise profunda, marcada por apagões frequentes, escassez de alimentos e combustível, queda da produção nacional, escassez de moeda estrangeira e uma emigração em massa que reduziu drasticamente a população economicamente ativa do país.
A isso se soma a pressão do governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump, que intensificou tanto o cerco econômico quanto a ofensiva política para forçar mudanças na ilha cubana.

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Longe de admitir uma mudança de rumo ideológico, as autoridades cubanas defendem as reformas como uma resposta às circunstâncias atuais do país para preservar o projeto socialista implantado após a Revolução que levou Fidel Castro ao poder, em 1959.
"Não há soberania com o prato vazio. A alimentação do povo cubano será tratada como o que é: uma questão de segurança nacional", afirmou o presidente Díaz-Canel na sessão em que as novas medidas foram aprovadas. Leia também: O que faz Cuba depender do exterior para alimentar sua população
As reformas parecem apontar para um modelo de socialismo de mercado semelhante ao da China e ao do Vietnã, em que o planejamento estatal, sob o monopólio político do Partido Comunista, convive com amplos espaços para a iniciativa privada e o investimento estrangeiro.
O próprio Díaz-Canel reconheceu recentemente que estudou "muito" as reformas adotadas por esses dois países asiáticos para impulsionar o desenvolvimento econômico sem abrir mão do sistema de partido único.
Tanto a China, desde o fim da década de 1970, quanto o Vietnã, a partir de meados dos anos 1980, implementaram profundas reformas orientadas para o mercado que ajudaram a tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza.
A questão é se Cuba pode seguir um caminho semelhante em um contexto histórico, econômico, social e político muito diferente.
Também há dúvidas sobre se o regime está disposto e será capaz de transformar essas propostas em mudanças concretas, com regras claras, prazos definidos e implementação contínua ao longo do tempo.
Quais são as medidas?


A inspiração em China e Vietnã


Cuba pode adotar esse modelo?


Vontade de mudar ou estratégia de sobrevivência?
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