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Zeca Veloso se expande no show 'Boas novas' entre falsetes, canções autorais, tema de desenho animado e sambas de Noel Rosa, Tim Maia e Tom Jobim

Zeca Veloso estreia o show 'Boas novas' no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), na abertura do Queremos!

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Zeca Veloso se expande no show 'Boas novas' entre falsetes, canções autorais, tema de desenho animado e sambas de Noel Rosa, Tim Maia e Tom Jobim

Zeca Veloso estreia o show 'Boas novas' no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), na abertura do Queremos! Festival! — Foto: Renan Prado / Divulgação Queremos! Festival!

♬ Para um artista a quem se atribui certa timidez, até que Zeca Veloso esteve bem solto na estreia do show “Boas novas” na abertura da sétima edição do Queremos! Festival! na noite de ontem, 4 de abril.

Diante de plateia que incluía convidados que (também) estavam ali para afagar a família Veloso, o cantor, compositor e músico carioca fez gestos que, se não chegaram a configurar uma teatralidade na cena, deram charme e dinâmica à apresentação que lotou o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ).

Entre o tira-e-bota da jaqueta (e dos óculos) e movimentações pelo palco, Zeca criou até bordão – “Pode ir, Lucão”, deixa para o guitarrista e diretor musical Lucca Noacco começar a tocar o arranjo de cada música – e reiterou o talento (mais evidenciado no canto e na composição do que no toque do violão e do piano) ao seguir roteiro que entremeou músicas do recém-lançado primeiro álbum do artista, “Boas novas” (2025), com composições de lavras alheias.

Filho de Caetano Veloso, Zeca celebrou a dinastia logo no número inicial ao cantar música do pai, “Peter Gast” (1983), com o falsete que há nove anos encantou o público do coletivo show “Ofertório” (2017) quando o cantor solava a canção autoral “Todo homem” (2017).

A junção de Zeca com o pai e com os irmãos Moreno Veloso e Tom Veloso no show do clã foi o estopim para o início de carreira solo que ganhou impulso a partir de dezembro de 2023, quando Zeca começou a se apresentar em casas de pequeno porte do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), testando ao vivo o repertório autoral do álbum gestado desde 2018 e enfim lançado em novembro de 2025.

Marco na trajetória do artista, o show de abertura do Queremos! Festival! foi o primeiro feito por Zeca com uma big banda formada por músicos do naipe de Antonio Dal Bó (teclados), Diogo Gomes (trompete), Giordano Gasperin (baixo) e Thomas Arres (bateria), além do supracitado guitarrista Lucca Noacco.

Zeca Veloso se mostra mais solto na cena do show 'Boas novas' com gestos e movimentações pelo palco — Foto: Mauro Ferreira / g1

Sem essa banda, Zeca Veloso não teria conseguido reproduzir no palco o suingue de músicas autorais como a baiana “Salvador” – composição que já se insinua com o hit entre os ouvintes do álbum “Boas novas”– e a carioca “Máquina do Rio”, pop-funk-samba criado para evocar a pulsação dos arranjos do mago Lincoln Olivetti (1954 – 2015).

No show, “Máquina do Rio” entrou em ação com o rap de Xamã, convidado (não anunciado) da apresentação. Também sem aviso prévio, Dora Morelenbaum apareceu (brevemente) no palco do Teatro Carlos Gomes para reproduzir em cena o feat no disco de Zeca na música “A carta”. Leia também: Corpos de trabalhadores baianos mortos em João Pessoa são liberados pelo IPC e levados para a Bahia

Tal como no álbum “Boas novas”, a balada bilíngue “Carolina” (Zeca Veloso, Sylvio Fraga e Tadeu Bijos, 2025) sobressaiu no roteiro pela aura sacra do arranjo e pelo canto com alma de Zeca Veloso. Contudo, o cantor soube ir muito além do disco ao montar o roteiro do show.

Sambas de Noel Rosa (1910 – 1937), Paulo Vanzolini (1924 – 2013), Tim Maia (1942 – 1998) e Tom Jobim (1927 – 1994) apareceram no roteiro. De Noel, o cantor reviveu “Não tem tradução” (1933) logo após cantar a balada “Desenho de animação” em sagaz diálogo temático entre as duas músicas separadas por quase um século, mas unidas pelas letras que versam sobre cinema, línguas e paixões dubladas.

De Antonio Carlos Jobim, a escolha foi pela música mais conhecida da parceria de Tom com Vinicius de Moraes (1913 – 1980), “Garota de Ipanema” (1962), samba cheio de bossa carioca, linkado no roteiro com o balanço de “Máquina do Rio” e cantado por Zeca com alguns versos em inglês.

O samba foi recorrente em roteiro que abarcou o samba-soul de Tim Maia – “Réu confesso” (1973), com arranjo evocativo do balanço da banda Vitória Régia, mas divisão própria no canto de Zeca – e o samba-superação de Paulo Vanzolini “Volta por cima” (1962), escolha inusitada para um artista que ainda aprende a exteriorizar o canto em cena.

Curiosamente, o samba da lavra própria de Zeca, “O sal desse chão” (2025), composto com Xande de Pilares, ainda tem que ser mais azeitado em cena para bisar no show o tom majestoso do registro fonográfico do álbum “Boas novas”. Da mesma forma, o canto de “O sopro do fole” (2021) – obra-prima do cancioneiro autoral de Zeca – se ressentiu da comparação com a dimensão inalcançável do canto de Maria Bethânia na gravação original da música, feita pela intérprete para o álbum “Noturno” (2021).

Em contrapartida, a canção “Colors of the wind” (Alan Menken e Stephen Schwartz) – tema da trilha sonora do longa de animação “Pocahontas” (1995), apresentado na voz da cantora e atriz norte-americana Judy Kuhn – caiu bem na voz de Zeca Veloso, intérprete expressivo de temas que pedem um canto mais emotivo, com a alma que uns têm e outros não têm. Detalhe: “Colors of the wind” precedeu a canção “Desenho de animação” no roteiro, em outro link sagaz.

Entre tema espiritual (“Aleluia”) e o canto (meio improvisado) ao piano da balada “Amor, meu grande amor” (Angela Ro Ro e Ana Terra, 1979), herança do roteiro do primeiro show solo do artista em dezembro de 2023, o cantor se expandiu na cena sedutora do show “Boas novas”, a ponto de, no arremate do bis, ter convocado a plateia para subir ao palco para reviver com ele a música “Salvador”.

Zeca Veloso está mais solto em cena, mas é pelo canto em falsete que mais prende a atenção da plateia.

Zeca Veloso canta no show 'Boas novas' a canção 'Colors of the wind', música-tema do desenho 'Pocahontas' (1995) — Foto: Renan Prado / Divulgação Queremos! Festival! Mais de noticia

♪ Eis o roteiro seguido em 4 de abril de 2026 por Zeca Veloso na estreia do show “Boas novas” na abertura do Queremos! Festival! no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ):

1. “Peter Gast” (Caetano Veloso, 1983)

2. “Boas novas” (Tom Veloso e Zeca Veloso, 2025)

3. “Salvador” (Zeca Veloso 2025)

4. “Volta por cima” (Paulo Vanzolini, 1962)

5. “A carta” (Zeca Veloso, 2025) – com Dora Morelenbaum

7. “Carolina” (Zeca Veloso, Sylvio Fraga e Tadeu Bijos, 2025)

8. “Máquina do Rio” (Zeca Veloso, 2025) – com Xamã

9. “Garota de Ipanema” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962)

10. “Colors of the wind” (Alan Menken e Stephen Schwartz, 1995)

11. “Desenho de animação” (Zeca Veloso, 2025)

12. “Não tem tradução” (Noel Rosa, 1933)

13. “O sopro do fole” (Zeca Veloso, 2021)

14. “Todo homem” (Zeca Veloso, 2017)

15. “Aleluia”

16. “Réu confesso” (Tim Maia, 1973)

17. “O sal desse chão” (Zeca Veloso e Xande de Pilares, 2017)

Bis:

18. “Amor, meu grande amor” (Angela Ro Ro e Ana Terra, 1979)

19. “Salvador” (Zeca Veloso 2025) – com a plateia no palco

P.S.: A canção “Tua voz” (Zeca Veloso, 2025) estava prevista para ser cantada no bis, mas não foi efetivamente apresentada no roteiro na estreia do show “Boas novas”.

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