Creci explica que pagamentos antecipados para 'segurar' imóveis não têm previsão legal e devem gerar desconfiança. Casos envolvem corretora com registro suspenso.
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A busca por um imóvel exige cautela redobrada com procedimentos de reserva e pagamento para evitar riscos em transferências financeiras.
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Em Ribeirão Preto (SP), denúncias contra uma corretora com registro suspenso servem de alerta para casos de exercício ilegal da profissão.
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O diretor do Creci, Antônio Marcos Melo, orienta que o site oficial deve ser consultado antes de qualquer negócio para verificar se o corretor possui processos ou suspensões.
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O especialista reforça que o pedido de dinheiro antecipado para "segurar" imóveis não tem previsão legal e deve gerar desconfiança imediata.
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Vítimas que se sentirem lesadas devem registrar boletim de ocorrência e oficializar a queixa no Creci para fortalecer futuras ações de ressarcimento.
Saiba como evitar golpes em negociações imobiliárias após denúncias em Ribeirão Preto
A busca por um imóvel, seja para compra ou aluguel, exige cautela redobrada com os procedimentos de reserva e pagamento. Em Ribeirão Preto (SP), denúncias recentes de pessoas que se sentiram lesadas ao tentar fechar negócios imobiliários servem de alerta para os riscos de transferências financeiras feitas sem as garantias devidas.
A principal orientação para evitar problemas é o canal oficial de consulta. O diretor do Conselho Regional de Fiscalização do profissional Corretor de Imóveis (Creci), Antônio Marcos Melo, explica que a transparência deve começar antes mesmo da primeira visita ao imóvel.
"A sociedade deveria e deve buscar informação no site do Creci. Se tiver alguma dúvida, algum questionamento, entra no site. Ali ela [a pessoa] vai ter o número da corretora ou do corretor e ela vai saber se tem algum processo, se aquele profissional está nas normas corretas", orienta Melo.
No caso que ganhou repercussão na cidade nesta semana, a corretora Josiane Maria Barbosa Passos, alvo de pelo menos sete boletins de ocorrência, consta no sistema do Creci com o registro suspenso.
"Ela é corretora. Só que ela está suspensa. A partir daí, ela está totalmente ilegal, tanto junto ao Creci quanto junto à sociedade. Ela está fazendo uma coisa extremamente proibida, o exercício ilegal da profissão", disse Antônio.Leia também: Provão Paulista oferece mais de 380 vagas na Baixada Santista e Vale; saiba mais
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Pelo menos sete boletins de ocorrência foram registrado por estelionato contra Josiane Maria Barbosa Passos — Foto: Arquivo pessoal
O risco dos pagamentos antecipados
Uma das principais estratégias relatadas pelas vítimas em Ribeirão Preto envolve a solicitação de valores em dinheiro sob o pretexto de "segurar" o imóvel para que ele não fosse vendido ou alugado para terceiros. No entanto, o diretor do Creci explica que essa prática não existe no mercado imobiliário formal.
"O pagamento de um imóvel deve ser feito em cartório, mediante escritura. Não é no 'conto de fadas' de um corretor vendendo uma promessa. O corretor pediu dinheiro adiantado? Procure outro. Não é assim que funciona."
O especialista ressalta que o mercado não permite dinheiro antecipado em uma negociação que ainda não se concretizou legalmente. O caminho correto envolve o interesse, a elaboração de uma proposta formal, o levantamento de informações e certidões do imóvel e, por fim, a formalização em cartório.
A falta dessa cautela resultou em prejuízos severos para famílias de Ribeirão. A dona de casa Ana Paula Abreu da Silva relatou à EPTV, afiliada da TV Globo, que desembolsou R$ 14 mil em diversos pagamentos acreditando na reserva de uma casa na Avenida Goiás, zona Norte. Mais de noticia
Ela só descobriu a irregularidade ao passar em frente ao imóvel e ser informada por um prestador de serviço que a residência já havia sido vendida para outra pessoa na semana anterior.
"Fui passar lá na frente da Avenida Goiás [onde ficava a casa que ela negociava], quando olho, o pessoal estava desmanchando lá, que era para fazer o relógio, porque tinha que trocar o relógio. Entrei e falei com o rapaz e ele 'a casa acabou de ser comprada semana passada'. Aí eu disse 'como assim?' e disse 'olha, me perdoe por ter entrado aqui, mas eu preciso saber'."
Cliente desconfiou de golpe após demora para fechar negócio de casa em Ribeirão Preto, SP — Foto: Redes sociais
Como agir em caso de suspeita
Antônio explica ainda que o Creci funciona como uma autarquia federal responsável por fiscalizar os inscritos e garantir que apenas profissionais em condições adequadas atendam a sociedade. O órgão possui um tribunal ético-disciplinar para julgar condutas irregulares. Leia também: O que se sabe sobre as buscas pelo piloto dos EUA desaparecido em território iraniano
"O que a gente faz? A gente suspende por 30 dias o primeiro ato, até a regularização do prejuízo causado ao cliente que reclamou. Após isso, a gente faz a suspensão e o cancelamento da inscrição", detalha o diretor.
Ele reforça que, além de registrar o boletim de ocorrência na Polícia Civil, é fundamental que as vítimas procurem o Creci para oficializar a queixa. Esse documento é essencial para ajudar as vítimas a tentarem recuperar o dinheiro na Justiça comum.
Antônio Marcos Melo, diretor do Creci, alerta que o pagamento de reserva não tem previsão legal e deve ser evitado pelos clientes — Foto: Reprodução EPTV
A secretária Letícia Lara de Moraes é uma das pessoas que buscam o ressarcimento. Ela contraiu um empréstimo de R$ 19 mil com o patrão para dar como entrada em um imóvel, mas descobriu que o proprietário da casa nunca recebeu o valor e já havia cancelado o contrato com a corretora.
No caso de Letícia, houve ainda uma tentativa de intimidação: ela afirma ter recebido mensagens de um contato que usava a foto de um policial civil morto para tentar forçar um acordo.
"Disse que já tinha cancelado o contrato com ela, que tinha pedido, sim, uma entrada para segurar a casa, mas ela falou que os clientes dela não tinham dinheiro, e o dinheiro já estava na conta dela. Foi onde a gente descobriu o golpe", cita a secretária.
O outro lado
O advogado de Josiane, Tiago Lopes, afirmou que a defesa analisa as denúncias e deve propor acordos de devolução. Ele negou que ela esteja em atividade e alegou que a suspensão do registro ocorreu por vontade da própria cliente.
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