Witzel tenta nova surpresa no RJ e busca carona em sucesso de governador
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Italo Nogueira
Rio de Janeiro
Disputando a cadeira marcada pelo esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral, acusado de corrupção e preso por ordem da Justiça Federal, Wilson Witzel fez questão de adicionar ao seu nome de urna a alcunha “ex-juiz”. O Tribunal Regional Eleitoral orientou a retirada, mas sua relação com a decadência do MDB-RJ não se limita ao cargo.
Quando o juiz Marcelo Bretas recebeu a medalha Pedro Ernesto, em julho de 2017, o ainda juiz Witzel discursou na cerimônia na Câmara Municipal comparando o magistrado a um bom vinho que ficou por alguns anos fermentando em Petrópolis, onde atuava, até se destacar na condução da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro.
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“Marcelo, Simone [Bretas]. São queridos amigos. Não gosto de falar muito dele porque estão num momento muito difícil”, disse ele, em entrevista concedida em maio ao vereador Otoni de Paula (PSC), que propôs a entrega da medalha a Bretas.
Os dois são amigos de toga. Ambos afirmam que cortaram contato quando Witzel oficializou suas pretensões políticas, em março. O objetivo era evitar rumores de que a condução da Lava Jato no período eleitoral pudesse sofrer alguma acusação de viés político.
Fato é que, sem qualquer evidência de intenção de interferência no processo eleitoral, atos da Justiça Federal afetaram adversários do ex-juiz ao longo da campanha. Leia também: Flávio Bolsonaro patina em alianças e conta com Tarcísio para último apelo
A três dias da eleição, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) foi acusado pelo ex-secretário Alexandre Pinto de coordenar fraudes a licitações em grandes obras e receber propina em depoimento ao juiz Marcelo Bretas.
Se seu vínculo ao Judiciário foi a estratégia inicial, Witzel abraçou a bandeira da segurança pública defendida pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Ex-fuzileiro naval, passou a defender na campanha que qualquer pessoa que portasse um fuzil deveria ser abatido pela polícia.
Witzel cercou o presidenciável no início da campanha. Sentou-se no fundo da plateia de uma palestra do capitão reformado no Clube da Aeronáutica ainda em agosto a fim de tentar garantir um apoio oficial. O presidenciável, assim como na maioria dos estados, não abraçou a candidatura regional.
O ex-juiz, contudo, conseguiu o apoio de Flávio Bolsonaro (PSL). Após realizarem algumas agendas juntos, as campanhas dos dois passaram a ter praticamente um comando único, principalmente nas redes sociais. É nelas, e sua atuação no debate da TV Globo, que seus aliados atribuem a disparada final.
Apesar das agendas conservadoras destacadas na campanha do primeiro turno, Witzel quando magistrado já deu decisões concedendo pensões por morte a casais homoafetivos. Ele também tem um filho transexual. É católico praticante. Mais de politica
Paulista de Jundiaí, ele se mudou ao Rio com 17 anos para seguir carreira militar. Tinha o desejo de ser piloto da Força Aérea, mas não pôde por usar óculos. Também foi servidor do Previ-Rio (Instituto da Previdência de Servidores da Prefeitura do Rio de Janeiro), onde organizou cartas de crédito para funcionários de baixa renda do município.
Foi defensor público entre 1998 e 2001, período em que almejou uma candidatura a deputado pelo PSDB. Contudo, passou para o concurso da Justiça Federal, quando se tornou juiz.
Em 2011, ele atuava numa vara criminal no Espírito Santo quando passou a ser ameaçado por uma quadrilha de traficantes. Passou a usar colete à prova de balas, mas teve a rotina da família fotografada. Leia também: Witzel tenta nova surpresa no RJ e busca carona em sucesso de governador
Após viver sob regime de segurança, decidiu pedir transferência para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar na execução fiscal. A decisão foi alvo de ataques na campanha deste ano, tendo sido chamado de frouxo pelo senador Romário (Podemos).
Witzel se dedicou também a comissões da Associação de Juízes Federais, tendo presidido a entidade no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Participou de comissões para elaboração de projetos de lei, inclusive junto com o juiz Sérgio Moro.
Na Ajufe, também envolveu-se com uma polêmica sobre a cessão de campos na Granja Comary e material esportivo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para um torneio de futebol de juízes. Witzel era diretor de esportes da associação de classe e a CBF, à época comandada por Ricardo Teixeira, acumulava réus na Justiça Federal.
O candidato do PSC deixou a magistratura em fevereiro deste ano. Lançou sua pré-candidatura em março, com direito a discurso do polêmico Nelson Bornier (Pros), ex-prefeito de Nova Iguaçu.
Witzel se reuniu com todos os então favoritos na pré-campanha. Recebeu Romário, Eduardo Paes (DEM) e Anthony Garotinho (PRP), tendo sempre recebido convites para ocupar a posição de vice na chapa.
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