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Voo 901: os mistérios do caso de um avião derrubado por um homem-bomba

Crédito, Cortesia Ministério Público do Panamá Legenda da foto, O voo 901 da Alas Chiricanas explodiu em pleno voo pouco depois de decolar do aeroporto de Colón, no

Voo 901: os mistérios do caso de um avião derrubado por um homem-bomba no
Avião da Alas Chiricanas

Crédito, Cortesia Ministério Público do Panamá

Legenda da foto, O voo 901 da Alas Chiricanas explodiu em pleno voo pouco depois de decolar do aeroporto de Colón, no Panamá
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    • Author, Leire Ventas
    • Role, Correspondente da BBC News Mundo em Los Angeles
  • Published Há 52 minutos
  • Tempo de leitura: 12 min

"Tony, como o chamávamos carinhosamente, tinha completado 19 anos em maio", lembra sua mãe, Marta Márquez. "Ele havia acabado de concluir a formação de piloto nos Estados Unidos, seguindo os passos do pai, e iniciava o treinamento como observador de voo. Estava muito animado."

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Para Saúl Schwartz, empresário de 35 anos que fazia negócios na Zona Livre de Colón, a segunda maior cidade do Panamá, na costa do Caribe, a 80 quilômetros da capital, aquele era apenas mais um voo.

Era um percurso curto e rotineiro que o levaria de volta para casa, na Cidade do Panamá, assim como aos outros 18 passageiros da aeronave das Alas Chiricanas. Eles partiam da segunda maior zona franca do mundo— e principal centro de distribuição comercial da América Latina.

Mas, dez minutos após decolar do aeroporto France Field, o avião explodiu em pleno voo. Os destroços se espalharam pelo morro Santa Rita. Ninguém sobreviveu. Leia também: O que Javier Milei vem fazer no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro

Com um suspeito extraditado da Venezuela e apontado por Israel como integrante do Hezbollah— grupo político e militar muçulmano xiita sediado no Líbano e apoiado pelo Irã —, o Ministério Público do Panamá passou a investigar o episódio como "um ato com características convencionais de terrorismo".

Se essa hipótese se confirmar, o ataque terá sido o pior atentado terrorista da história do Panamá.

"Reunimos novos elementos que consideramos fundamentais para esclarecer o caso", disse a promotora Geomara Guerra, responsável pela investigação, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "Estamos no caminho certo.

A primeira investigação: sem avanços significativos

Um dos primeiros a chegar às encostas do morro Santa Rita, em busca de familiares, naquele 19/7, foi o cineasta panamenho Abner Benaim, sobrinho de Saúl Schwartz.

"Havia muita chuva e lama. Caminhei por muito tempo. Até hoje não sei dizer quanto. Depois me disseram que atravessamos um rio. No fim, chegamos ao local onde o avião caiu", contou Benaim, à BBC News Mundo.

A polícia já estava na área quando um dos agentes barrou sua passagem. Leia também: França convoca militares e Espanha declara emergência nacional por incêndios

"Eu disse que era parente de um dos passageiros e que queria ajudar. Ele respondeu: 'Não, não. Estão todos mortos'", lembra.

Aquela frase acabou se transformando em um documentário que Benaim levaria anos para concluir. O filme é, ao mesmo tempo, um relato pessoal e uma tentativa persistente de encontrar respostas para as perguntas que ainda cercam o caso.

"De repente, o que pode ter acontecido com meu tio em 1994 passou a ser a coisa mais importante da minha vida. Foi como se o avião tivesse explodido em cima de mim", Benaim diz à psicóloga em uma das cenas de Paraíso Tropical, lançado em abril deste ano (sem previsão de estreia no Brasil).

Destroços do avião da Alas Chiricanas espalhados pelo morro Santa Rita, no Panamá, após a aeronave explodir em pleno voo em 19 de julho de1994

Crédito, Cortesia do Ministério Público do Panamá

Legenda da foto, Não houve sobreviventes

Com o tempo, algumas dessas perguntas começaram a ser respondidas, enquanto outras continuam envoltas na mesma névoa densa que cobre as colinas da costa caribenha durante a temporada de chuvas.

A reabertura do caso

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (à direita), recebe o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, antes de reunião em seu gabinete, em Jerusalém, em 17 de maio de 2018
Legenda da foto, O então presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, pediu a retomada das investigações após receber do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, uma carta na qual ele afirmava ter provas de que se tratava de um atentado

As investigações do FBI e de Israel

Cartaz do FBI pedindo informações sobre o atentado contra o voo 901 da Alas Chiricanas, que explodiu em pleno voo em 19 de julho de 1994, no Panamá
Pedido do FBI por informações sobre o paradeiro de Ali Hage Zaki Jalil, no âmbito das investigações sobre o voo 901 da Alas Chiricanas, que explodiu em pleno voo em 19 de julho de 1994, no Panamá
Legenda da foto, FBI procura suspeito do atentado ao voo 901 da Alas Chiricanas, em 1994

Extradição e 'caso complexo'

Ali Zaki Hage Jalil, cidadão colombo-venezuelano suspeito de ligação com o Hezbollah, chega ao Aeroporto Internacional de Tocumen, na Cidade do Panamá, após ser extraditado pela Venezuela, em 20 de abril de 2026
Legenda da foto, O colombo-venezuelano Ali Zaki Hage Jalil foi extraditado pela Venezuela em abril, sob forte esquema de segurança

O impacto duradouro da violência

Destroços do avião da Alas Chiricanas espalhados pelo morro Santa Rita, no Panamá, após a explosão da aeronave em pleno voo, em 19 de julho de 1994
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