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Vitória para Flávio, derrota para Lula? Como as eleições podem ser impactadas

Crédito, Reuters Legenda da foto, O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e seu principal adversário no

Vitória para Flávio, derrota para Lula? Como as eleições podem ser impactadas
Montagem com dois retratos lado a lado de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. À esquerda, Lula, um homem de cabelos e barba grisalhos, aparece de terno escuro, camisa branca e gravata azul, diante de um fundo verde e amarelo. À direita, Flávio veste blazer azul e camisa clara, usando um relógio no pulso e uma medalha presa ao paletó, enquanto leva a mão à orelha. Ambos estão enquadrados em primeiro plano e olham em direção à câmera.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e seu principal adversário no pleito de outubro
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    • Author, Rute Pina
    • Role, da BBC News Brasil em São Paulo
    • Author, Pedro Martins
    • Role, em Londres,
      e
    • Author, Leandro Prazeres
    • Role, enviado especial a Washington
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas é vista por especialistas ouvidos pela BBC News Brasil como uma vitória política para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e um potencial fator de pressão sobre as eleições.

Leia no AINotícia: Panorama Internacional: Tensões na Europa e Impactos do Trabalho

A medida foi anunciada na semana em que Flávio, pré-candidato à Presidência da República, esteve em Washington e afirmou ter feito esse pedido ao presidente americano, Donald Trump.

Para Vinícius Vieira, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a decisão tende a fortalecer o campo bolsonarista entre eleitores que têm a segurança pública como principal preocupação. "É sem precedentes isso ocorrer num ano eleitoral, pois ajuda um campo político."

Para ele, parte do eleitorado conservador e até setores de centro podem interpretar a iniciativa como uma demonstração de força política de Flávio diante de um tema sensível à população. Leia também: 'Tiro pode sair pela culatra': potencial impacto de classificação de PCC e CV

Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que segurança pública é um tema historicamente explorado pela direita, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se vê em posição defensiva no debate.

"É algo que vai inflamar o debate eleitoral", ela avalia, ressaltando, no entanto, que a pauta não está restrita a Flávio, mas abrange outros nomes conservadores, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais.

Doutora em direito internacional e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Priscila Caneparo compartilha dessa visão. Ela também considera que a decisão pode ser interpretada como um indicativo de influência americana sobre o pleito marcado para outubro.

"Indica que os Estados Unidos têm uma forte tendência de fazer uma intervenção, ainda que indireta, nas eleições brasileiras para, enfim, conseguir adequar os seus interesses à realidade política que eles querem que esteja vigente no Brasil."

Dawisson Belém Lopes, professor de política internacional e comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pondera que ainda é cedo para prever de que forma isso deve impactar as eleições e quem poderá se beneficiar. Mais de mundo

O professor reconhece a possibilidade de Flávio ganhar tração no tema da segurança pública. Por outro lado, avalia que Lula, mais experiente em debates, pode virar o jogo ao argumentar que a medida revela incapacidade do adversário de lidar com problemas internos, a ponto de recorrer a ajuda externa.

"Qualquer previsão neste momento é imprecisa, porque é preciso entender como essa decisão será lida pela imprensa, por Flávio, por Lula e por outros agentes políticos que influenciam o debate", afirma. "Essa medida pode ser vista como entreguismo, algo contra o Brasil, não a favor, porque prevê uma renúncia de soberania."

Legenda da foto, Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27/5)

Como Lula deve responder à decisão de Trump

A BBC News Brasil apurou que o governo brasileiro pretende modular sua resposta à medida americana para evitar um desgaste ainda maior junto ao público interno a poucos meses das eleições.

A resposta do governo deverá sair ao longo desta sexta-feira (29/5), após reuniões que incluirão integrantes do Ministério das Relações Exteriores, da Presidência e, talvez, de outras pastas como a Fazenda.

Na resposta, o governo deverá defender medidas adotadas recentemente contra o crime organizado e afirmar que o país estaria aberto à cooperação internacional no combate às facções.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aperta a mão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante um encontro na Casa Branca. Ambos sorriem para a câmera em um ambiente interno, com quadros dourados e outras pessoas desfocadas ao fundo.
Legenda da foto, O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington
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Marco Rubio e Flávio Bolsonaro posam para a câmara. Ambos vestem ternos azul-marinho, camisas brancas e gravatas, e sorriem discretamente. Ao fundo há uma estante de madeira com portas de vidro, repleta de livros encadernados e pratos decorativos verdes. Abajures idênticos posicionados nas laterais iluminam a cena.
Legenda da foto, Medida dos Estados Unidos ocorre um dia após Flávio Bolsonaro se encontrar com Marco Rubio, secretário de Estado do governo de Donald Trump

Qual é o impacto prático da classificação?

A imagem mostra um ônibus em chamas sobre uma via elevada, com fogo consumindo grande parte do veículo e uma espessa coluna de fumaça preta se espalhando pelo céu. Em primeiro plano, à esquerda, um policial militar uniformizado observa a cena enquanto protege os olhos do sol com a mão. Ao fundo, outros veículos aparecem parados na pista.
Legenda da foto, Policial em ataque a ônibus em São Paulo atribuído ao PCC
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