Classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA abre espaço para ação
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Crédito, Reuters
- Author, Rute Pina
- Role, da BBC News Brasil em São Paulo
- Author, Pedro Martins
- Role, em Londres,
- e
- Author, Leandro Prazeres
- Role, enviado especial a Washington
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 9 min
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas é vista por especialistas ouvidos pela BBC News Brasil como uma vitória política para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e um potencial fator de pressão sobre as eleições.
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A medida foi anunciada na semana em que Flávio, pré-candidato à Presidência da República, esteve em Washington e afirmou ter feito esse pedido ao presidente americano, Donald Trump.
Para Vinícius Vieira, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a decisão tende a fortalecer o campo bolsonarista entre eleitores que têm a segurança pública como principal preocupação. "É sem precedentes isso ocorrer num ano eleitoral, pois ajuda um campo político."
Para ele, parte do eleitorado conservador e até setores de centro podem interpretar a iniciativa como uma demonstração de força política de Flávio diante de um tema sensível à população. Leia também: Irã diz que acordo para encerrar conflito com os EUA 'nunca esteve tão próximo'
Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que segurança pública é um tema historicamente explorado pela direita, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se vê em posição defensiva no debate.
"É algo que vai inflamar o debate eleitoral", ela avalia, ressaltando, no entanto, que a pauta não está restrita a Flávio, mas abrange outros nomes conservadores, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais.
Doutora em direito internacional e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Priscila Caneparo compartilha dessa visão. Ela também considera que a decisão pode ser interpretada como um indicativo de influência americana sobre o pleito marcado para outubro.
"Indica que os Estados Unidos têm uma forte tendência de fazer uma intervenção, ainda que indireta, nas eleições brasileiras para, enfim, conseguir adequar os seus interesses à realidade política que eles querem que esteja vigente no Brasil."
Dawisson Belém Lopes, professor de política internacional e comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pondera que ainda é cedo para prever de que forma isso deve impactar as eleições e quem poderá se beneficiar. Mais de mundo
O professor reconhece a possibilidade de Flávio ganhar tração no tema da segurança pública. Por outro lado, avalia que Lula, mais experiente em debates, pode virar o jogo ao argumentar que a medida revela incapacidade do adversário de lidar com problemas internos, a ponto de recorrer a ajuda externa.
"Qualquer previsão neste momento é imprecisa, porque é preciso entender como essa decisão será lida pela imprensa, por Flávio, por Lula e por outros agentes políticos que influenciam o debate", afirma. "Essa medida pode ser vista como entreguismo, algo contra o Brasil, não a favor, porque prevê uma renúncia de soberania."

Crédito, Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro Leia também: O que você precisa saber sobre Marrocos, primeiro adversário do Brasil
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A BBC News Brasil apurou que o governo brasileiro pretende modular sua resposta à medida americana para evitar um desgaste ainda maior junto ao público interno a poucos meses das eleições.
A resposta do governo deverá sair ao longo desta sexta-feira (29/5), após reuniões que incluirão integrantes do Ministério das Relações Exteriores, da Presidência e, talvez, de outras pastas como a Fazenda.
Na resposta, o governo deverá defender medidas adotadas recentemente contra o crime organizado e afirmar que o país estaria aberto à cooperação internacional no combate às facções.

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