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Vice na chapa de Eduardo Paes e aliado são alvos de investigação da PF

Italo Nogueira Rio de Janeiro O prefeito do Rio de Janeiro , Eduardo Paes ( PSD ), decidiu entregar a vice de sua chapa na disputa pelo governo fluminense neste ano ao

Vice na chapa de Eduardo Paes e aliado são alvos de investigação da PF
Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), decidiu entregar a vice de sua chapa na disputa pelo governo fluminense neste ano ao ex-deputado Washington Reis (MDB), que mantém vínculos estreitos com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O acordo entre os dois foi anunciado nesta quinta-feira (19), na recondução de Reis ao comando do MDB-RJ. O presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, e o ministro Jader Filho (Cidades) participaram do encontro, assim como Paes.

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Dez pessoas sentadas lado a lado em um balcão de restaurante, sorrindo e interagindo. O ambiente tem paredes de tijolos e janelas grandes que mostram edifícios ao fundo.
O vice-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri, com Baleia Rossi, Washington Reis, Eduardo Paes e Jane Reis em café no dia do anúncio de aliança para a eleição de 2026 - Italo Nogueira/Folhapress

O nome escolhido para ocupar o posto é o da advogada Jane Reis (MDB), irmã do ex-deputado, evangélica e casada com um pastor da Assembleia de Deus.

A aliança com Reis era almejada por Paes há algum tempo, mas vinha enfrentando resistências. O ex-deputado também pretendia se candidatar esse ano, mas o recurso para reverter a inelegibilidade por crime ambiental não avançou no STF (Supremo Tribunal Federal).

Com o acordo, o prefeito do Rio de Janeiro avança em dois pontos caros em sua estratégia para a campanha deste ano. Em primeiro lugar, reduzir a vinculação de sua futura candidatura à de Lula num estado majoritariamente bolsonarista. Leia também: Lei Falcão, 50, marcou mordaça da propaganda eleitoral antes do desafio

Em segundo, obter aliança com nomes fortes de fora da capital, em especial a Baixada Fluminense, onde enfrenta resistência.

Paes disse que informou ao presidente a aliança com Reis no domingo (15), durante um evento no Rio de Janeiro. Segundo o prefeito, Lula "apoiou integralmente" o acordo. Em seu discurso, o prefeito indicou que pretende evitar a nacionalização da campanha.

"O que a gente faz aqui hoje é juntar um grupo de pessoas que não pensa tudo igual, que pensa muitas vezes diferente, de partidos distintos, que têm escolhas nacionais distintas, às vezes locais distintas, mas que entendem que a política é a arte de a gente buscar consensos para fazer as transformações que são necessárias. Eu quero decretar que o nosso país aqui é o Rio de Janeiro, e acredito que a gente vai tratar muito assim nesses próximos meses", disse.

Os acenos de Paes a alas bolsonaristas do estado têm provocado rusgas com alguns petistas. Contudo, o comando do PT-RJ, controlado pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, apoia a ampliação da aliança do prefeito, a fim de fortalecer um aliado do presidente.

Quaquá participou do anúncio da aliança na sede do MDB-RJ. Em publicação em sua rede social, o petista comemorou o acordo e sugeriu até uma mudança de lado de Reis. "Quem chega primeiro bebe água limpa. Bora que o muro tá baixo. Lula presidente, Eduardo governador." Mais de politica

"Esse ato representa uma coisa importante, que foi quebrada no Brasil, que é o diálogo. A possibilidade que as diversas forças políticas possam se encontrar, possam discutir e chegar a um caminho comum. É importante que esse país distencione e tenha um rumo de desenvolvimento", disse ele no ato.

Também participaram do encontro o vice-presidente nacional do Podemos, pastor Everaldo, e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, representando o PDT. Havia também lideranças do PSB e Solidariedade no evento.

Paes atacou adversários reunidos entorno de Castro, que articulam uma outra candidatura ao Palácio Guanabara. Disse que, atualmente, falar que é do Rio de Janeiro é "motivo de chacota" em razão da elite política que comando o estado. Leia também: Redes sociais têm anúncios de R$ 1,3 mi de páginas não identificadas com ataque

"Ele [Washington Reis] podia estar nessa disputa, podia estar disputando a eleição do governo do Estado. Está mais do que qualificado para essa tarefa, mas entendeu que esse era um momento político em que a gente precisava unir forças. Dado o fato que as outras forças, como falta política, mas outros motivos os motivam, eles vão estar unidos para tentar manter o poder no Estado do Rio de Janeiro", disse o prefeito.

Ex-deputado, ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário de Cláudio Castro (PL), Reis é uma das lideranças políticas da Baixada Fluminense disputadas por diferentes candidatos. Em 2022, foi registrado como vice na chapa do atual governador, mas teve de deixar o posto em razão de uma condenação por loteamento irregular na cidade onde atua.

Reis se alinhou a Bolsonaro desde o início do mandato. Ele é líder do grupo político investigado no caso da suposta falsificação de certificados de vacina do ex-presidente. O caso foi arquivado pelo STF por falta de provas.

O ex-deputado chegou a ser cogitado pela família Bolsonaro para ser o candidato ao Palácio Guanabara este ano. Contudo, os entraves judiciais impediram sua escolha.

Promessa descumprida

Paes minimizou a promessa feita ao longo de seu primeiro ano de mandato de que não deixaria o cargo para concorrer ao Palácio Guanabara.

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