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Ler matéria →Pesquisadores apontam que a Via Láctea pode ter passado por uma transformação extrema em sua história: o disco galáctico teria mudado de inclinação dentro do halo de matéria escura que envolve a galáxia.
A hipótese surgiu a partir de novas simulações cosmológicas apresentadas no Encontro Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society de 2026, no Reino Unido. O estudo relaciona o movimento incomum das estrelas mais afastadas da galáxia a antigas fusões com outras galáxias menores.
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A investigação foi conduzida por uma equipe liderada pelo astrônomo Kirill Batrakov, da Universidade de Durham, no Reino Unido, que analisou modelos de galáxias semelhantes à Via Láctea para entender como grandes colisões poderiam ter alterado sua estrutura ao longo do tempo.
Colisões antigas podem ter reorientado a estrutura da Via Láctea

A imagem mais conhecida da Via Láctea é a de um grande disco formado por estrelas, gás, poeira e outros componentes que giram ao redor do centro galáctico. Essa estrutura, porém, está inserida em uma região muito maior: um halo esférico de estrelas antigas e uma extensa camada de matéria escura. Leia também: Via Láctea pode ter “tombado” após colisões com outras galáxias antigas
Nos últimos anos, dados coletados pela missão Gaia, criada para mapear posições e movimentos de estrelas da galáxia, revelaram um comportamento inesperado. As estrelas localizadas nas regiões externas da Via Láctea apresentam uma rotação mais lenta do que os cientistas esperavam considerando a massa estimada da galáxia.
Uma das explicações levantadas anteriormente era que a massa da Via Láctea poderia ter sido calculada acima do valor real. A equipe de Batrakov investigou uma alternativa: a possibilidade de que a própria história de formação da galáxia tenha alterado a maneira como seus componentes se movimentam.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores utilizaram simulações chamadas Auriga, que recriam a evolução de galáxias semelhantes à Via Láctea desde períodos antigos do Universo. Os modelos indicaram que sistemas galácticos que passaram por grandes fusões tendem a apresentar halos estelares com rotação mais lenta.
Os resultados foram relacionados a evidências já observadas de encontros entre a Via Láctea e outras galáxias. Entre esses indícios estão correntes de estrelas com composição química diferente da esperada para objetos formados dentro da própria galáxia e deformações no disco galáctico. Mais de tecnologia
Um dos eventos mais importantes teria ocorrido há cerca de 10 bilhões de anos, quando a Via Láctea se fundiu com uma galáxia menor conhecida como Gaia Sausage. A colisão recebeu esse nome porque os astrônomos acreditam que a galáxia incorporada possuía um formato semelhante ao de uma salsicha.
Segundo as simulações analisadas pela equipe, uma interação desse tipo poderia ter provocado um efeito gravitacional capaz de alterar gradualmente a orientação do disco da Via Láctea em relação ao halo de matéria escura ao redor dela. Leia também: Gasolina com mais etanol vira alvo da Justiça; entenda o motivo
Nesse cenário, o chamado “giro lateral” da galáxia não teria ocorrido como uma mudança instantânea, mas como uma inclinação progressiva que poderia ultrapassar 90 graus ao longo de bilhões de anos. Para possíveis observadores que acompanhassem esse processo durante tempo suficiente, o céu noturno mudaria conforme as posições aparentes das estrelas fossem se transformando.
A hipótese também ganhou apoio de outro estudo citado pelos pesquisadores. Uma equipe liderada pela Academia Chinesa de Ciências encontrou indícios de que o halo de matéria escura da Via Láctea estaria orientado quase perpendicularmente ao disco de estrelas. Os autores desse trabalho também apontaram uma possível reorientação gradual do disco galáctico como explicação.
Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que ainda não há confirmação definitiva de que a Via Láctea realmente passou por esse processo. O baixo movimento observado no halo estelar é considerado uma evidência compatível com a hipótese, mas novas assinaturas desse fenômeno ainda precisam ser identificadas para uma conclusão mais segura.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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Galáxia
Via Láctea
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