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'Vendi minha filha de 5 anos para pagar tratamento médico': os relatos de pais

Crédito, Imogen Anderson/BBC Legenda da foto, Abdul Rashid Azimi diz estar preparado para vender uma de suas filhas para alimentar as outras

'Vendi minha filha de 5 anos para pagar tratamento médico': os relatos de pais
Abdul Rashid Azimi está sentado no chão, visivelmente triste, ao lado de três de seus filhos

Crédito, Imogen Anderson/BBC

Legenda da foto, Abdul Rashid Azimi diz estar preparado para vender uma de suas filhas para alimentar as outras.
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    • Author, Yogita Limaye
    • Role, Correspondente da BBC News para o Sul da Ásia e Afeganistão
  • Published 23 maio 2026, 15:30 -03
    Atualizado Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

Aviso: Este artigo contém detalhes perturbadores

Leia no AINotícia: Panorama Mundial: Notícias que Marcaram a Semana

Ao amanhecer, centenas de homens se reúnem em uma praça poeirenta em Chaghcharan, capital da província de Ghor, no Afeganistão.

Eles se alinham à beira da estrada, com rostos cansados, na esperança de que alguém apareça oferecendo qualquer tipo de trabalho. Disso depende se suas famílias terão o que comer naquele dia.

As chances de conseguir emprego, porém, são baixas. Leia também: Trump diz que acordo com Irã foi 'amplamente negociado', incluindo a reabertura

"Vivo com medo de que meus filhos morram de fome."

A história dele está longe de ser incomum.

Hoje, no Afeganistão, impressionantes três em cada quatro pessoas não conseguem atender às suas necessidades básicas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). O desemprego é generalizado, o sistema de saúde enfrenta dificuldades, e a ajuda humanitária que antes garantia o básico para milhões de pessoas foi reduzida a uma fração do que já foi um dia.

O país agora enfrenta níveis recordes de fome, com 4,7 milhões de pessoas — mais de um décimo da população do Afeganistão — estimadas a um passo da fome extrema.

Ghor é uma das províncias mais afetadas. Mais de mundo

Os homens ali estão desesperados.

"Recebi uma ligação dizendo que meus filhos não comiam havia dois dias", diz Rabani, com a voz embargada.

"Senti que deveria me matar. Mas então pensei: como isso ajudaria minha família? Então aqui estou, procurando trabalho." Leia também: O 'último cidadão soviético': o cosmonauta 'abandonado' no espaço há 35 anos


Juma Khan aparece no meio de um grupo de trabalhadores que dizem estar enfrentando dificuldades para conseguir emprego.

Crédito, Imogen Anderson/BBC

Legenda da foto, Juma Khan (ao centro), de 45 anos, encontrou apenas três dias de trabalho nas últimas seis semanas

Khwaja Ahmad mal consegue dizer algumas palavras antes de começar a soluçar.

"Estamos passando fome. Meus filhos mais velhos morreram, então preciso trabalhar para alimentar minha família. Mas estou velho, e ninguém quer me dar trabalho", diz.


Homens se aglomeram, alguns com os rostos cobertos, na esperança de conseguir trabalho logo pela manhã.
Legenda da foto, Trabalhadores se reúnem cedo na tentativa de encontrar o pouco trabalho disponível
Saeed Ahmad está sentado com sua filha de cinco anos, Shaiqa, no colo. Seu filho pequeno também está ao lado dele, olhando para o horizonte
Legenda da foto, Saeed Ahmad afirma ter vendido sua filha de cinco anos, Shaiqa

A enfermeira Fatima Husseini usa máscara e está ao lado de um bebê prematuro em uma incubadora.
Legenda da foto, A enfermeira Fatima Husseini afirma que as mortes de bebês se tornaram normais

É possível ver dois bebês em um berço, conectados a um sistema de oxigênio.
Legenda da foto, Os gêmeos nasceram prematuros e estavam com dificuldades para respirar
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