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Twitter, agora X, faz 20 anos e se consolida como espaço de disputa política

Christian Policeno São Paulo Há 20 anos, em 15 de julho de 2006, era lançado ao público geral o Twitter , rede social que redefiniu a comunicação online com o passarinho

Twitter, agora X, faz 20 anos e se consolida como espaço de disputa política
Christian Policeno
São Paulo

Há 20 anos, em, era lançado ao público geral o Twitter, rede social que redefiniu a comunicação online com o passarinho azul. Criada para permitir o compartilhamento de mensagens curtas, hoje é conhecida como X e pertence ao trilionário Elon Musk.

Desde que o empresário comprou a rede social, ela passou por grandes mudanças. Mudou o modelo de negócio após queda de funcionários e de anunciantes. Também passou a ser visto como um espaço eminentemente político, o que afastou propostas de. Por consequência, passou a cobrar assinaturas e apostar em inteligência artificial para manter relevância e ganhar lucratividade.

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Mesmo com as mudanças, a plataforma continua influenciando a forma como pessoas, empresas, autoridades públicas, veículos de imprensa e criadores de conteúdo se manifestam. Para especialistas, o diálogo com estes setores se tornou mais acessível com a dinâmica da rede.

A história da plataforma começou em março de 2006, na cidade de São Francisco, na Califórnia, por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass. O lançamento ao público, porém, só ocorreu em julho. O nome original já estava em uso na época, então a plataforma começou com o nome "Twttr". Anos depois, os fundadores conseguiram adquirir o nome "Twitter".

A rede social teve crescimento expressivo a partir de 2007, quando foram registrados 400 mil tuítes por trimestre. Em fevereiro de 2010, cerca de três anos depois, a plataforma já tinha 50 milhões de publicações por dia, de acordo com medições próprias. Leia também: Queijeiros suíços tentam preencher buraco nas vendas causado por tarifas dos EUA

O crescimento veio acompanhado da consolidação como espaço de debate político a partir de 2008, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Barack Obama alcançou 20 vezes mais seguidores no Twitter do que o adversário John McCain. A partir daí, a rede passou a ser muito usada por candidatos como parte da estratégia de campanha e para divulgação de notícias.

Priscila Milk, estrategista digital e professora de mídias sociais da ESPM, afirma que o formato de acompanhamento em tempo real facilitou o crescimento do Twitter. Segundo ela, quem quer saber o que está acontecendo recorre à plataforma, e os Trending Topics, por exemplo, são usados até hoje para entender o que está em alta no mundo.

Adriane Buarque, coordenadora do laboratório de comunicação política da ESPM, explica que os blogs foram os primeiros espaços em que o eleitor podia ter voz diante do candidato. "O Twitter surge como um microblog simples de expressar pontos de vista. Quando deixa de ser apenas um blog e se torna também um espaço informacional, vira um foguete no espaço político, principalmente em eleições", pontua.

A rede social também passou por muitas fases financeiramente. Em dezembro de 2010, a empresa levantou US$200 milhões e atingiu valorização de US$3,7 bilhões. Em outubro de 2013, realizou o IPO— momento em que uma empresa privada abre capital e passa a permitir que qualquer investidor compre ações. Em novembro do mesmo ano, atingiu valor de mercado de US$31 bilhões.

Em 2021, o Twitter tinha uma receita de US$5 bilhões, mas o prejuízo líquido chegou a US$221 milhões, alta de 37% em relação a 2020. Mais de economia

A principal mudança na história da rede social teve início em março de 2022, quando o empresário Elon Musk, já dono da Tesla e da SpaceX, adquiriu 73,5 milhões de ações e assumiu participação de 9,2% da empresa. Ele justificou a entrada na companhia afirmando que ela estava "minando a democracia ao não aderir aos princípios da liberdade de expressão".

No mesmo ano, o trilionário comprou a rede por US$44 bilhões. O agora X passou com cortes de equipe, mudanças na moderação e no produto, além de redução brusca de anunciantes.

Em janeiro de 2023, mais de 500 anunciantes já haviam suspendido investimentos em na plataforma, uma queda de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados na época. Buscando compensar as perdas em receita, Musk dispensou cerca de 3.700 funcionários em novembro de 2022. Leia também: Ministro da Educação da Índia renuncia após ‘Revolta das Baratas’

Em busca de melhorar o balanço econômico após a queda de anunciantes, Musk adotou outras estratégias de receita. O X passou a oferecer assinaturas, com benefícios como selo de verificação, menos anúncios e edição ilimitada de publicações.

O dono da rede social está em constante contato com autoridades políticas. Durante a campanha de Donald Trump à Casa Branca em 2024, o trilionário foi um dos maiores apoiadores do republicano. Após comprar a rede, reverteu a suspensão da conta do político, fora do ar desde a invasão do Capitólio Hoje, Trump usa a Truth Social, criada por ele e aos moldes do X.

Eleito, Trump o indicou para liderar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), criado para cortar gastos públicos e reduzir a burocracia. Ele deixou o cargo em maio do ano passado após atritos com o mandatário.

Fabio Andrade, economista e professor da ESPM, afirma que a saída dos anunciantes tem relação com o entendimento de que o Twitter sob Musk passou a ter uma dimensão política clara, o que fez as marcas evitarem um comprometimento com a imagem da rede.

Um episódio marcante dessa dimensão política aconteceu em agosto de 2024, quando Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o X no Brasil, depois de Musk recusar-se a nomear um representante legal da plataforma no país e a cumprir ordens judiciais. Moraes afirmou que Musk e o X incentivavam discursos extremistas e antidemocráticos, além de obstruir a Justiça.

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