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Infraero contesta bônus de R$ 29 milhões à diretoria do Galeão após perda

Leonardo Vieceli Rio de Janeiro O aeroporto internacional do Galeão , no Rio de Janeiro , movimentou 17,5 milhões de passageiros em 2025, segundo painel de dados da Anac

Infraero contesta bônus de R$ 29 milhões à diretoria do Galeão após perda de
Leonardo Vieceli
Rio de Janeiro

O aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, movimentou 17,5 milhões de passageiros em 2025, segundo painel de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

É o recorde para um ano na série histórica do órgão, que reúne estatísticas desde 2000. O fluxo teve alta de 23,5% em relação a 2024, quando o Galeão recebeu 14,2 milhões de viajantes.

Leia no AINotícia: Economia: Panorama Semanal de Mercado e Cenário Político-Geopolítico

A máxima anterior (16,9 milhões) havia sido verificada em 2014. Os números somam passageiros de rotas nacionais e internacionais com origem ou destino no terminal carioca.

O avanço ocorre após a adoção de restrições a voos no outro grande aeroporto do Rio, o Santos Dumont, e é registrado antes do novo leilão do Galeão. O certame está previsto para 30 de março na B3, em São Paulo.

Para analistas ouvidos pela Folha, o leilão tende a ter competição, com interesse além dos atuais concessionários privados. Leia também: Selic ainda elevada muda o jogo dos FIIs? veja quais segmentos saem na frente

O edital determina a saída da Infraero do negócio, o que é visto como potencial atrativo para o mercado. A estatal tem participação societária de 49% na concessão.

Os outros 51% estão divididos entre a Changi, de Singapura, e a gestora Vinci Compass, que comprou parte das ações da companhia estrangeira em anúncio ocorrido em agosto.

O Ministério de Portos e Aeroportos afirma que a disputa será aberta ao mercado e que, conforme acordo homologado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), os atuais acionistas privados devem apresentar ao menos uma proposta no valor mínimo para participar do certame.

O valor mínimo, que deve ser pago à vista, é de R$ 932 milhões. Os vencedores também terão de desembolsar para a União uma contribuição variável anual equivalente a 20% do faturamento bruto da concessão até 2039. O edital prevê negociar 100% da operação.

"A modelagem agora é diferente. Não contempla a Infraero, e há um repasse de 20% do faturamento bruto. Isso é fundamental, porque não é mais uma outorga absurda que não é possível pagar", afirma Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes. Mais de economia

"A gente tem de aguardar, mas acredito que certamente haverá interessados, porque é um ativo importantíssimo e tem potencial para resultados", acrescenta.

Com o registro de 17,5 milhões de passageiros em 2025, o Galeão teve o terceiro maior fluxo do país, conforme o ranking da Anac. Ficou atrás dos paulistas Guarulhos (46,3 milhões) e Congonhas (24 milhões).

Passageiros circulam em saguão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. O local tem uma estrutura metálica no teto. Balcões identificados pelas letras D e E estão ao fundo.
Passageiros circulam no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro - Divulgação RIOgaleão

Inicialmente, o Galeão foi concedido à iniciativa privada em leilão em 2013, antes de a economia brasileira mergulhar em recessão. Leia também: Ministro da Educação da Índia renuncia após ‘Revolta das Baratas’

MINISTRO FALA EM 5 POSSÍVEIS PARTICIPANTES

Em entrevista na quarta (11), o ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) disse que há "cinco possíveis participantes" do certame.

Ele citou Vinci Airports, Inframerica, Zurich e Aena, além da gestora Vinci Compass, que atua hoje no Galeão ao lado da Changi.

O governo fez uma apresentação a possíveis investidores (roadshow) no início deste mês. Após a programação, sem mencionar nomes, o Ministério de Portos e Aeroportos declarou que seis empresas participaram das reuniões.

À Folha a espanhola Aena, que opera Congonhas, afirmou que "está sempre atenta" às oportunidades de crescimento e de novos investimentos e que "avalia criteriosamente todas as possibilidades".

A suíça Zurich, à frente de terminais em cidades como Florianópolis e Vitória, disse que não comentaria. A Inframerica, que administra o aeroporto de Brasília, também afirmou que não se manifestaria.

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