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Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor

A guerra e a paz, vistas de Teerã Em meio a sinais de uma derrota estratégica dos EUA, fala um pesquisador iraniano

Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor

A guerra e a paz, vistas de Teerã Em meio a sinais de uma derrota estratégica dos EUA, fala um pesquisador iraniano. As raízes históricas da resistência persa.

A provável sabotagem de Israel. O papel da China e da Rússia. O que muda no Oriente Médio, após o fiasco de Trump Publicado 15/06/2026 às 20:23- às 20:54

Leia no AINotícia: Notícias: Panorama da Semana - Educação, Política e Frio

Mohammad Marandi, em entrevista a Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins À medida que Washington e Teerã parecem se aproximar de um acordo preliminar para pôr fim à devastadora guerra contra o Irã, questões fundamentais permanecem sem resposta: o conflito realmente terminou ou a região está entrando em uma nova e mais perigosa fase de instabilidade? Na entrevista a seguir, o jornalista Chris Hedges conversa com o analista político iraniano Mohammad Marandi, nascido nos EUA, formado na Universidade de Barminghan e ex-conselheiro para negociações nucleares de Teerã. Debatem o estado das negociações, a situação do Irã após meses de guerra, o futuro do Líbano e de Gaza, e as consequências geopolíticas mais amplas de um conflito que já remodelou o Oriente Médio e abalou a economia global.

Marandi argumenta que, apesar da imensa destruição e das dificuldades econômicas, o Irã emergiu do conflito politicamente intacto e estrategicamente fortalecido, enquanto os Estados Unidos e Israel não conseguiram atingir seus principais objetivos. Também alerta que qualquer acordo permanece frágil, apontando para as contínuas operações militares de Israel no Líbano, a antiga desconfiança iraniana em relação aos compromissos dos EUA e o risco de que um novo conflito possa ameaçar novamente os mercados globais de energia e a estabilidade econômica. A entrevista oferece uma rara oportunidade de ouvir diretamente de uma voz proeminente do Irã sobre como a guerra é entendida dentro do país, o que Teerã exige nas negociações e por que muitos na região acreditam que o conflito está longe de terminar.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou na sexta-feira que um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã deverá ser finalizado em 24 horas. O Ministério das Relações Exteriores iraniano, no entanto, afirma que a formalização do acordo pode levar mais alguns dias. Apesar das perdas iranianas e da crise econômica desencadeada pela guerra— com prejuízos estimados em US$ 270 bilhões —, nenhum dos principais objetivos dos EUA e de Israel foi alcançado. Leia também: Veja o momento em que Trump assina o acordo entre EUA e Irã

O Estado iraniano não entrou em colapso. A nova liderança iraniana, centrada na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), permanece desafiadora. O Irã continua a controlar o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo e gás natural.

Segundo relatos, o país cobra até US$ 2 milhões— frequentemente pagos em moeda chinesa— para que petroleiros possam atravessar o estreito. Se o Estreito de Ormuz não for reaberto em breve, a economia global poderá estar caminhando para uma grande crise. As reservas estratégicas de petróleo em países como o Japão e os Estados Unidos, que têm sido usadas para compensar a escassez de petróleo, estão se esgotando rapidamente.

Os preços da gasolina nos Estados Unidos estão agora 34% mais altos do que há um ano, enquanto os preços do diesel subiram mais de 50%. Esses aumentos são agravados pela escassez de produtos essenciais, incluindo fertilizantes nitrogenados, alumínio e hélio. Trump e seus aliados israelenses estão bem cientes de que, quer queiram quer não, o Irã detém atualmente uma influência significativa.

As principais exigências de Teerã incluem:- Suspensão imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.- O compromisso dos EUA de não interferir nos assuntos internos do Irã e de respeitar a soberania iraniana.- O levantamento do bloqueio naval dos EUA dentro de 30 dias.

- Retirada das forças americanas das áreas ao redor do Irã.- Reabertura do Estreito de Ormuz sob acordo com o Irã.- Suspensão das sanções ao petróleo iraniano, aos produtos petroquímicos e às indústrias relacionadas. Mais de noticia

- A assistência para a reconstrução está estimada em 300 bilhões de dólares, provenientes dos Estados Unidos e seus aliados.- Um período de negociação de 60 dias para abordar questões nucleares, o alívio de sanções e as resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA.- Um compromisso renovado do Irã, nos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear, de não buscar o desenvolvimento de armas nucleares.

- A liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados antes do início das negociações, com a liberação de fundos adicionais à medida que as negociações avançarem. O presidente Trump anunciou alguma versão de um acordo de paz dezenas de vezes. Talvez não devêssemos chamar isso ainda de acordo de paz, mas sim de um acordo para iniciar negociações.

Autoridades paquistanesas parecem otimistas, enquanto o ministério das Relações Exteriores iraniano afirma que um acordo final ainda pode levar vários dias. Da sua perspectiva em Teerã, qual é a situação atual? Mohammad Marandi: Ainda não há um acordo final. Leia também: Acordo de Paz EUA e Irã: Tratado Abrangente de 14 Pontos é Firmado

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Persistem diferenças significativas. Quando as autoridades iranianas diziam que uma assinatura no domingo era improvável, é porque tais diferenças não foram resolvidas. Mesmo que ambos os lados assinem um memorando de entendimento, isso não significa que a paz esteja garantida.

Muitas coisas podem acontecer nos próximos dias e semanas. Já está claro que o regime israelense está tentando impedir qualquer normalização da situação na região. O ataque ao Líbano se intensificou.

Vilarejos e cidades no sul e centro do país estão sendo bombardeados diariamente. Homens, mulheres e crianças estão sendo mortos. O objetivo parece ser a destruição do sul do Líbano— para que se assemelhe a Gaza.

Em muitos lugares, isso já ocorre. Mesmo que um acordo seja assinado, as ações de Israel e a pressão do lobby israelense podem comprometer o progresso. E se ultrapassarmos um acordo inicial, entramos numa segunda fase que se torna ainda mais complicada.

Existem sanções que devem ser suspensas, muitas das quais estão inscritas na legislação dos EUA. O programa nuclear iraniano também é inegociável em certos aspectos. O Irã não abandonará o enriquecimento de urânio porque o considera um direito soberano.

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Veja o momento em que Trump assina o acordo entre EUA e Irã
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