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Trio estelar em formação rara pode terminar em fusão explosiva, aponta novo

Astrônomos que estudam o sistema estelar triplo TIC 295741342 o consideram um caso único

Trio estelar em formação rara pode terminar em fusão explosiva, aponta novo

Astrônomos que estudam o sistema estelar triplo TIC 295741342 o consideram um caso único. Localizado a 3.080 anos-luz de distância, ele é formado por três estrelas que orbitam no mesmo plano, perfeitamente alinhadas em relação à Terra – uma configuração rara mesmo entre os muitos sistemas triplos conhecidos na galáxia. O trio foi identificado pela missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e suas características estão detalhadas em um artigo disponível no arXiv.

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O sistema é composto por um par binário central de duas estrelas quase idênticas ao Sol, que giram uma em torno da outra a cada 4,75 dias, separadas por cerca de 10,6 milhões de quilômetros. Ao redor delas, uma terceira estrela, maior e mais massiva (1,7 vezes a massa solar), completa uma órbita em 412,8 dias (1,13 anos), a uma distância de aproximadamente 254 milhões de quilômetros – pouco mais que a órbita de Marte em relação ao Sol.

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O TESS (Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito), caça-exoplanetas da NASA, já detectou mais de 7,6 mil possíveis mundos alienígenas. Crédito: Dotted Yeti – Shutterstock

Eclipses em forma de “cabeça e ombros”

O que torna o TIC 295741342 especialmente intrigante é a maneira como as estrelas se eclipsam mutuamente do nosso ponto de vista. O TESS registrou quedas de brilho que formam um padrão descrito pelo astrônomo Brian Powell (Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA) ao Space.com como “cabeça e ombros”. Quando as duas estrelas binárias se eclipsam, ocorre uma pequena queda – os “ombros”. Quando a estrela externa passa à frente do par binário, bloqueando ambas, a queda é mais profunda – a “cabeça”. Esse alinhamento quase perfeito é extremamente raro em sistemas triplos tão amplos. Leia também: Lua hoje: confira a fase da Lua nesta quarta-feira 03/06/2026

A coplanaridade das órbitas indica que as três estrelas se formaram a partir de um único disco de gás e poeira que se fragmentou, ao contrário de sistemas onde a terceira estrela foi capturada posteriormente. A fragmentação de discos protoestelares é comum, mas poucos sistemas triplos apresentam uma geometria tão precisa quanto o TIC 295741342.

Zona proibida para planetas

A presença de três estrelas torna o sistema hostil para planetas. Há uma zona de instabilidade ao redor da binária central que se estende até órbitas de cerca de 19 dias. A estrela externa, por sua vez, restringe ainda mais qualquer órbita planetária estável mais distante. Powell explica que, teoricamente, planetas poderiam existir em órbitas muito amplas, mas seriam extremamente difíceis de detectar. Ainda assim, especula-se sobre como seria a visão do céu em uma eventual lua orbitando um planeta ao redor da estrela externa: uma série de eclipses múltiplos mergulharia certos hemisférios em escuridão total.

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A estrela mais externa já deixou a sequência principal e se transformou em uma gigante vermelha, com diâmetro 10,6 vezes o do Sol. Conforme continuar a se expandir, sua matéria será puxada pela gravidade da binária central, formando um envelope comum que envolverá as três estrelas.

Esse processo pode desestabilizar a órbita do par binário e levá-lo a se fundir. Milhões de anos depois, quando a binária também se tornar uma gigante vermelha, a transferência de massa poderá se inverter, com material caindo sobre a anã branca remanescente da estrela externa, desencadeando explosões de nova visíveis de toda a galáxia. Leia também: Jogos de hoje (03/06/26): onde assistir futebol ao vivo e horários das partidas

“O valor deste sistema reside na abrangência dos dados”, afirma Powell, destacando que quatro anos de medições de velocidade radial e as observações de eclipses do TESS permitiram calcular massas e órbitas com precisão. O TIC 295741342 se torna, assim, um laboratório ideal para estudos de evolução estelar – e um prenúncio de um futuro espetáculo cósmico.

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Tags: exoplaneta TESS

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