Centenas de toneladas de material radioativo permanecem sob as ruínas de Chernobyl, 40 anos depois do acidente fatal. O trabalho de um jovem pesquisador é entrar nesse labirinto radioativo e proteger o mundo de um novo desastre nuclear.
Anatolii Doroshenko é pesquisador do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, na Ucrânia — Foto: Getty Images via BBC
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Mas, a cerca de 10 metros de profundidade, permanecem os centros de controle e monitoramento, que sobreviveram ao desastre.
"É como um grande labirinto embaixo do reator", explica à BBC o pesquisador Anatolii Doroshenko, de 38 anos, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP, na sigla em inglês).
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Naquela rede de salas e corredores subterrâneos, tudo está contaminado pela radiação: o piso, os equipamentos, as paredes e até o ar.
Ali, Doroshenko se encarrega de revisar os equipamentos, coletar dados, instalar medidores, retirar amostras e monitorar o estado do combustível nuclear.
Em algumas salas, a radiação é tão alta que o pesquisador precisa completar suas tarefas em menos de quatro minutos e sair imediatamente. Em outras, os níveis de radiação não permitem nem mesmo que ele se detenha por ali.
Seu trabalho é fundamental para garantir que as condições do reator se mantenham estáveis. Mais de mundo
Doroshenko reconhece que seu trabalho gera medo, mas ele usa esse receio como seu aliado.
"O medo ajuda a manter o controle e seguir as orientações para garantir baixas doses de radiação", explica ele.
"Aqui, o maior risco é se acostumar às condições do lugar. Se você se acostumar ao medo, começa a ignorar que está rodeado de radiação. Qualquer coisa, uma luva, uma peça metálica, pode estar contaminada, mesmo que não se observe." Leia também: 'Não beber água da torneira e manter as janelas fechadas': cidade russa está em emergência após ataque a refinaria
Doroshenko (esq.) trabalha na usina nuclear de Chernobyl há 12 anos — Foto: Arquivo Pessoal
Sob as ruínas
O local é escuro. Alguns corredores têm iluminação, mas o pesquisador e seus colegas sempre levam lanternas.
Algumas passagens são tão estreitas que eles precisam caminhar agachados. Todas as salas e corredores estão sinalizados, mas é preciso conhecer bem o caminho para não se perder entre as passagens.
Eles também contam com mapas de contaminação, que indicam quais são as áreas com maior radioatividade.
"Aqui, todos os cientistas sabem onde podemos trabalhar e onde não", explica Doroshenko.
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