Da indicação no Orçamento ao dinheiro na conta: veja as fases de execução
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Bruna Fantti
Italo Nogueira
Rio de Janeiro
Base eleitoral dos campeões de votos para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro, a cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, se tornou um curral eleitoral com envolvimento de homens armados, de acordo com relatos feitos por candidatos ao TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral).
O auge do ambiente hostil aos adversários do prefeito da cidade, Waguinho (União Brasil), foi um confronto no bairro Roseiral, no qual homens armados, entre eles um segurança do político, expulsaram militantes de uma candidata do local.
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A campanha conjunta dos deputados federal Daniela do Waguinho (União Brasil), mulher do prefeito, e estadual Márcio Canella (União Brasil) contou também com o apoio de oficiais da ativa da Polícia Militar, entre eles a comandante do batalhão da cidade.
A votação recorde ajudou a União Brasil a eleger seis deputados federais e oito estaduais, além de alçar Canella a um dos cotados para tentar a presidência da Assembleia.
O resultado também fez o grupo ser cortejado pelos dois presidenciáveis para a campanha na Baixada Fluminense. A opção em relação à eleição presidencial foi pela neutralidade no primeiro turno. Leia também: Presidente da Câmara de Vitória xinga em microfone aberto após sessão
Agora, Waguinho deve apoiar Lula (PT), enquanto Canella deve endossar o presidente Jair Bolsonaro (PL). O prefeito esteve com o petista na quinta-feira (6) em São Paulo para discutir a provável adesão à candidatura presidencial. Um ato reunindo os dois foi anunciado para esta terça-feira (11) em Belford Roxo.
A mulher do prefeito obteve 49% dos votos válidos dados a candidatos a deputado federal na cidade. Belford Roxo deu 114 mil dos 213 mil que ela recebeu no estado, superando inclusive os 97 mil votos do ex-presidente Lula no município.
As proporções de Canella são semelhantes. Ele obteve 108 mil votos na cidade (também 49% dos válidos para deputado estadual na cidade) de um total de 181 mil no estado.
O grupo político apoiou a reeleição do governador Cláudio Castro (PL), que obteve 72,5% dos votos da cidade —média superior aos 58,7% obtidos em todo o estado.
Os relatos sobre o suposto curral eleitoral estão sob análise da Procuradoria Eleitoral e do Ministério Público do Rio de Janeiro. O TRE-RJ afirmou que aumentou a segurança na cidade. Mais de politica
Os relatos de intimidações na cidade mais claros foram feitos pela ex-deputada Sula do Carmo (Avante), ex-vice-prefeita da cidade. Ela afirma que sofreu retaliação desde julho, quando anunciou sua pré-candidatura, tendo como auge o conflito no Roseiral, na última semana de setembro.
"Apareceram uns trogloditas e foi uma coisa horrível. Participo de política na cidade há 33 anos e nunca vi uma coisa dessa. Saíram mais de 30 homens armados indo para cima das meninas que faziam campanha para mim. Foi uma correria, e uma grávida perdeu o bebê", disse a ex-deputada.
Imagens do dia do tumulto mostram homens vestidos de preto e armados andando em grupo agredindo militantes de Sula. Ao fundo, estava um caminhão de som de Daniela do Waguinho. Leia também: Lula nomeia Rubio como adversário e consagra estratégia eleitoral contra Flávio
Um dos envolvidos na confusão é o policial militar Fábio Sperendio, assessor de Canella que também atua como segurança do prefeito de Belford Roxo.
A limitação à campanha de Sula se tornou mais evidente em maio, quando o prefeito desapropriou o galpão que sempre usou em suas campanhas eleitorais. Houve a tentativa de tomar posse do imóvel na véspera do evento de lançamento da candidatura da ex-deputada, em julho.
"O prefeito quer o monopólio da cidade. Eu evitei fazer política lá porque ele sempre mandava equipe para perseguir. Ficava mandando recados de que não podia entrar lá. Comerciante que colocasse adesivo meu ele mandava fechar", disse a ex-deputada.
O candidato derrotado a deputado estadual Danielzinho (PSDB) também registrou no TRE-RJ dificuldades para realizar campanha no município. Único vereador de oposição da cidade, ele afirma que a prefeitura interditou espaços que usaria para o lançamento de sua campanha. Procurado, ele não respondeu à reportagem.
O deputado estadual Dr. Deodalto (PL), com base eleitoral na cidade, afirma que conseguiu fazer campanha em alguns pontos centrais da cidade, mas teve adesivos e placas arrancados no município.
Resultado é reconhecimento da população, diz deputado reeleito
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