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Ler matéria →Terremotos na Venezuela: a jovem que se recusa a abandonar os escombros onde estão os corpos de seus familiares

Crédito, Arquivo pessoal
- Author, Valentina Oropeza
- Role, BBC News Mundo
- Published 18 julho 2026, 21:43 -03Atualizado Há 2 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Lorena Laya se mudou para a cidade de La Guaira para procurar seu pai, sua madrasta e seus irmãos, após os dois terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho.
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"Mudar" é uma forma de explicar a rotina que ela adotou nas últimas três semanas: permanecer alerta ao lado da escavadeira que remove os escombros durante o dia e depois dormir na casa de seu avô paterno à noite.
Ela só volta para sua casa, na capital Caracas, quando precisa de roupas limpas.
"Estamos aqui desde que a máquina liga até que ela desliga", diz a jovem de 24 anos, de um canto onde seu celular volta a ter sinal, longe do barulho das máquinas e sob a sombra de uma árvore que ameniza o calor do sol caribenho. Leia também: Como acidente de avião que teve destroços achados após 74 anos mudou
"Quando a máquina está trabalhando, eu não saio de perto. Em duas ocasiões aconteceu de, se não estivermos atentos, acabarem levando os corpos", conta Lorena perto de uma barraca deixada por vizinhos depois que conseguiram encontrar familiares sob as ruínas.
A barraca serve de abrigo quando ela já não tem forças para vigiar as máquinas. Ali compartilha, junto com familiares de outros desaparecidos, a esperança de que alguém mais ainda seja resgatado com vida.
"Se sobrevivi foi para encontrá-los. Estou fazendo tudo o que posso para conseguir isso."

Sobreviventes de outra tragédia
Há 27 anos, em dezembro de 1999, a casa da família paterna de Lorena permaneceu intacta quando uma avalanche de lama, pedras e árvores desceu pelas encostas das montanhas após vários dias de chuva, durante a tragédia conhecida como o Deslizamento de Vargas, nome pelo qual o atual Estado de La Guaira era conhecido.
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Mas a casa da família de sua madrasta, Nohelia Iriarte, não teve a mesma sorte: foi soterrada pela lama em Carmen de Uria, uma das localidades que desapareceram naquela tragédia.
O desastre de Vargas causou a morte de entre 10 mil e 30 mil pessoas, enquanto cerca de 100 mil perderam suas casas. Leia também: Quem era Daniel Siad, recrutador de modelos de Epstein encontrado morto antes
Os Iriarte viveram em abrigos por anos, até que o governo do ex-presidente Hugo Chávez lhes concedeu apartamentos da Grande Missão Habitação Venezuela, um programa de construção de moradias populares inicialmente destinado à realocação dos sobreviventes de Vargas.
Nohelia Iriarte recebeu um apartamento no edifício 27 do conjunto habitacional OPP, na cidade de Caraballeda, devastada pelos terremotos.
Nohelia Iriarte, de 45 anos, morava no terceiro andar do OPP 27 junto com o marido, Henry Laya, de 55 anos, e os filhos Diego, de 14, e Giannys, de 6.
A irmã de Nohelia, que também havia sido afetada pela tragédia de Carmen de Uria, morava no 11º andar do mesmo edifício e sobreviveu aos terremotos.
O desabamento de mais de 100 edifícios da Missão Habitação em La Guaira provocou críticas ao governo venezuelano e questionamentos sobre a qualidade dos materiais utilizados na construção dos conjuntos residenciais.

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