Comissão conclui que JK foi morto pela ditadura militar — Foto: Paola Patriarca/ g1
A historiadora Maria Cecília Adão, responsável pelo relatório aprovado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) , afirmou que há um conjunto de provas que sustenta a conclusão de que JK foi assassinado durante a ditadura militar em 1976.
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A comissão aprovou nesta sexta-feira (29) um relatório com esta conclusão. O documento contesta a versão oficial de que JK morreu em um acidente automobilístico na Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro (leia mais abaixo).
“Temos provas que dizem que JK estava sendo perseguido, que houve uma forte perseguição a ele. A gente tem provas que indicam que esse assassinato foi gestado em diversas oportunidades, inclusive com comprovação indireta de quem era o coordenador-geral, como a atuação do general Figueiredo na gestação desse assassinato”, afirmou a professora ao g1 após coletiva realizada na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo.
Maria Cecília também citou que circulou na imprensa 15 dias antes da morte que JK teria sido morto em acidente de trânsito na Dutra. “A gente tem um anúncio desse assassinato. Quinze dias antes, é anunciado [num jornal] que ele morreu no mesmo lugar que ele viria a morrer 15 dias depois”, afirmou.
A relatora sustentou ainda que a conclusão da comissão não se baseia apenas nas circunstâncias da morte do ex-presidente, mas também em irregularidades ocorridas durante a investigação do caso. Leia também: Vorcaro impediu que governo do Rio resgatasse R$ 44 milhões e diminuísse
“A gente tem o próprio assassinato e, principalmente, a gente tem ocultação, destruição deliberada de provas. A gente tem fraude processual dos laudos”, declarou.
Para a historiadora, o conjunto de elementos analisados pela comissão é suficiente para afastar a versão de que JK morreu em um acidente automobilístico na Via Dutra, em 1976.
“A gente tem um conjunto de provas muito robusto que leva à conclusão que a gente chegou de que ele foi vítima de violência do Estado, que ele não teve morte natural, que teve morte violenta dentro do contexto de perseguição aos opositores da ditadura”, afirmou.
Acidente com carro de JK em 1976 — Foto: MPF/Reprodução Mais de politica
A historiadora também afirmou que a aprovação do relatório ocorre em um momento em que novas informações sobre o período da ditadura têm permitido a reavaliação de casos históricos.
“Enquanto sociedade brasileira, nós vivemos um momento em que justamente é possível fazermos essa compilação”, disse.
Segundo ela, a investigação conduzida pelo Ministério Público Federal foi concluída em 2020, mas só se tornou pública em 2022. Com a retomada dos trabalhos da comissão, em agosto de 2024, foi possível reunir e reavaliar as provas já produzidas. Leia também: Ataque eleitoral vai prejudicar economia brasileira, diz Durigan após
“Essas provas encontraram um caminho e, para além disso, a gente vive um momento social também muito voltado para análise e reanálise das práticas da ditadura. A gente tem filmes, reportagens indicando documentação nova, arquivos, e o Arquivo Nacional trabalhando para resgatar documento sobre o período. Então, esse é um momento certo para que isso aconteça”, afirmou.
Aprovação de relatório
Trecho de relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) que conclui pelo assassinato do ex-presidente Juscelino Kubitschek — Foto: Reprodução
A conclusão do relatório foi aprovada pela comissão por seis votos favoráveis e uma abstenção. O relatório foi apresentado durante coletiva realizada na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo, nesta sexta.
Relatora do caso, a professora Maria Cecília Adão afirmou que há elementos que sustentam a hipótese de atentado político. Segundo ela, um encontro com representantes do então ex-presidente Ernesto Geisel em um hotel teria sido o motivo para que JK decidisse fazer a viagem de carro, e não de avião.
- Juscelino Kubitschek
- São Paulo
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