Movimentos recentes como a compra da Everlane pela Shein e o avanço da Anta Sports sobre a alemã Puma confirmam uma transformação silenciosa no mercado internacional: a China já não disputa espaço apenas em tecnologia de ponta.
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A nova fase da expansão chinesa começa a acontecer no dia a dia consumidor – do feed das redes sociais às marcas de roupa, do café às tendências de comportamento. Agora, empresas chinesas também avançam sobre moda, comportamento, cultura digital e marcas ligadas ao lifestyle global.
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Crescimento mais fraco, excesso de oferta em vários setores e disputa cada vez mais intensa entre empresas levaram grupos chineses a buscar novos mercados fora do país. Dados da consultoria Rhodium Group mostram que as fusões e aquisições chinesas no exterior chegaram a US$ 9,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, maior nível em cinco ano. Desse valor, cerca de US$ 2,7 bilhões foram para setores ligados a consumo e marcas.
Ao mesmo tempo, Pequim segue priorizando a manutenção da capacidade industrial e tecnológica dentro de casa. Enquanto investimentos chineses em novas fábricas no exterior perderam força, as exportações continuaram avançando rapidamente: baterias chinesas exportadas para a Europa cresceram 43% em 2025, enquanto automóveis avançaram 15% em valor, e equipamentos eólicos dispararam 65%. Leia também: ANP: Preço do diesel cai quase 1% na semana e gasolina volta a recuar no País
Do varejo popular às marcas premium
O contraste Shein-Everlane é um dos símbolos mais claros da nova fase das empresas chinesas.
De um lado, uma gigante do fast fashion que cresceu apoiada em escala, preços baixos e domínio das redes sociais. Do outro, uma marca americana construída em valores como consumo consciente, transparência na cadeia produtiva e voltada a um público de maior poder aquisitivo.
No anúncio da venda, o CEO da Everlane Alfred Chang disse que a marca permanecerá independente e comprometida com a sustentabilidade. Avaliada em US$ 100 milhões, a marca deverá receber investimentos da Shein e, segundo a Reuters, inicialmente as lojas continuarão abertas mesmo que o varejo físico não seja o foco do negócio.
Outra operação que movimentou o mercado foi a entrada da Anta Sports na Puma, em uma negociação de US$ 1,8 bilhão. Com o negócio, a companhia se tornou o maior acionista da marca alemã, que agora se junta a outras do portfólio como Fila, Wilson e Salomon.
De olho na sinergia operacional
Foi essa a leitura de analistas sobre a compra da Blue Bottle Coffee pela controladora da Luckin Coffee, rede que desbancou a Starbucks no país. Apesar da fama global entre consumidores de café premium, a Blue Bottle tem cerca de 150 lojas 140 lojas no mundo, sendo pouco mais de 70 nos Estados Unidos. A própria Luckin, por outro lado, já ultrapassa 31 mil unidades globais. Mais de economia
Nesse caso, o interesse não estaria no tamanho da rede americana, mas na infraestrutura pronta: contratos com fornecedores, presença consolidada em cidades estratégicas dos EUA e Japão e uma marca já reconhecida entre consumidores de maior renda.
Segundo relatórios de mercado, as duas empresas continuarão operando separadamente. A ideia é justamente preservar a imagem mais sofisticada da Blue Bottle, enquanto a controladora chinesa ganha acesso a um segmento premium onde empresas chinesas ainda enfrentam mais resistência para competir. Leia também: Panorama Econômico: Joint Venture, IR e Cenário Internacional
Questões regulatórias não impedem avanço chinês
Mesmo com o aumento das barreiras regulatórias no Ocidente, o avanço chinês sobre mercados europeus continua acelerando.
Em 2025, segundo dados da Rhodium, o investimento da China na Europa cresceu 67% e chegou a €16,8 bilhões, no maior nível desde 2018. A região também passou a responder por quase 25% de todo o investimento externo chinês no mundo e por cerca de 60% das operações chinesas em economias avançadas.
O relatório também mostra que empresas chinesas passaram a adaptar sua estratégia diante do maior escrutínio político e comercial. Em vez de grandes apostas industriais dispersas, grupos chineses passaram a concentrar investimentos em mercados considerados mais receptivos, como Hungria, Espanha, França e Reino Unido.
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Carla Carvalho
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