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'Sexo, estratégia e poder': como as mulheres moldam 'A Odisseia', o clássico

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'Sexo, estratégia e poder': como as mulheres moldam 'A Odisseia', o clássico de
Mosaico antigo inspirado em A Odisseia, de Homero, mostra Odisseu diante das sereias

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Legenda da foto, Embora o protagonista seja um homem, A Odisseia é uma história em que as mulheres ocupam papel central
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    • Author, Daisy Dunn
    • Role, BBC Culture
  • Published Há 5 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

A Odisseia, poema épico atribuído a Homero, conta a história do guerreiro grego Odisseu (Ulisses, na tradição romana), que tenta voltar ao reino de Ítaca depois de anos lutando na Guerra de Troia.

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Mas sua perigosa viagem de volta dura uma década e é marcada por provas exaustivas e inúmeros perigos. A Odisseia chega aos cinemas neste mês em uma adaptação dirigida por Christopher Nolan (de Interestelar e Oppenheimer), com Matt Damon no papel principal, entre outros atores. No Brasil, o filme estreia na quinta-feira (16/07).

Embora o protagonista seja um homem, A Odisseia é uma história em que as mulheres ocupam papel central. A tentativa de voltar para casa e recuperar o reino depende das estratégias, dos conselhos e das seduções das deusas, ninfas e mortais que encontra pelo caminho.

Mais do que uma história de heroísmo, A Odisseia fala de sexo, estratégia e poder, temas que continuam atuais. Leia também: Voo 901: os mistérios do caso de um avião derrubado por um homem-bomba

O poema começa in medias res ("no meio dos acontecimentos"), com Odisseu chorando na ilha de Ogígia, onde vive há sete anos ao lado da ninfa Calipso. Depois de se destacar nos campos de batalha de Troia, ele aparece derrotado e incapaz de seguir viagem, impressão reforçada pelo fato de que é preciso uma assembleia dos deuses para garantir a sua libertação da ilha.

Odisseu e a ninfa Calipso: no início do poema, os dois vivem juntos há sete anos

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Legenda da foto, Odisseu e a ninfa Calipso: no início do poema, os dois vivem juntos há sete anos

Mas Odisseu não está preso apenas a Calipso. Também parece preso a si mesmo. Um leitor atual talvez enxergasse em sua inércia sinais de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Isso, no entanto, não diminui o poder de sedução da ninfa. O próprio Odisseu admite que Penélope, sua esposa, não se compara à beleza de Calipso, afinal Penélope é apenas uma mortal.

Durante a longa ausência do marido, Penélope, contudo, esteve longe da imagem de esposa passiva. Com coragem e astúcia, resistiu às investidas dos 108 pretendentes que ocuparam o palácio na esperança de se casar com ela e se tornar o novo rei de Ítaca.

O estratagema de Penélope de tecer uma mortalha para o sogro, Laertes, e desfazer o trabalho todas as noites é um dos episódios mais marcantes do poema. Em certo sentido, ela é um alvo em constante movimento: seu sucesso em manter os pretendentes afastados terá impacto direto sobre a capacidade de Odisseu de recuperar o trono. Mais de mundo

É significativo que a principal aliada de Odisseu entre as divindades seja uma deusa. Atena, a deusa da sabedoria e da estratégia, o ajuda desde a Guerra de Troia e lidera os esforços para levá-lo de volta para casa.

Mais tarde, quando ele chega exausto e vulnerável à terra dos feácios, um povo de navegadores, é Atena quem organiza seu resgate. Ela esconde a aparência abatida dele e faz com que pareça divina, digna da hospitalidade daquele povo, que lhe oferece abrigo e o leva de volta à Ítaca.

Isso ajuda Odisseu a conquistar a confiança dos feácios, um povo de navegadores, que lhe oferece abrigo, tesouros e uma viagem segura de volta a Ítaca. Leia também: França convoca militares e Espanha declara emergência nacional por incêndios

O canto hipnotizante das sereias atraía os homens para a morte

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Não por acaso, na maioria das vezes em que aparece diante de Odisseu e de seu filho, Telêmaco, Atena assume a aparência de um homem. Em diferentes momentos, ela se apresenta, por exemplo, como Mentes, um rei aliado de Ítaca, e como um arauto dos feácios. Atena sabe muito bem que, entre os mortais, o poder está nas mãos dos homens, mas mostra que são as mulheres que, muitas vezes, mudam o rumo dos acontecimentos.

Basta observar as personagens que Odisseu encontra ao longo da viagem. Depois de chegar à terra dos feácios, ele relata aos anfitriões as aventuras que viveu até então, dos lotófagos (comedores de lótus) aos ciclopes. Entre essas histórias, os encontros com figuras femininas míticas costumam ser os mais inquietantes justamente porque, à primeira vista, elas parecem inofensivas.

Aparências sedutoras

Odisseu conta aos anfitriões que desejava ouvir o canto das sereias, que viviam em uma ilha isolada e cercada por rochedos perigosos no mar ocidental. Na tradição posterior e na arte grega, as sereias passaram a ser representadas como mulheres com corpo de ave ou como sereias de cauda de peixe. Em seu relato, Odisseu destaca sobretudo o canto de doçura irresistível, capaz de seduzir os homens e levá-los à morte.

Em A Odisseia, de Homero, a feiticeira Circe esconde seus poderes mágicos

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