'As Malvinas são argentinas': faixa após vitória sobre a Inglaterra pode
Ler matéria →Brasil é país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder

Crédito, Reuters
- Author, Daniel Gallas
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 14 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
Após o anúncio de novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros feito pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15/07), o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em comparação com os 30 países que mais exportam para os EUA.
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Quando Joe Biden encerrou seu mandato em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. Atualmente a tarifa efetiva média é de 11,66%. No final deste mês, quando as medidas do governo Trump entrarem em vigor, a tarifa contra o Brasil terá subido para 14,42%— um salto de mais de 13 pontos percentuais.
Nenhum outro país viu um salto de tarifas tão grande desde que Trump voltou ao poder— apesar de diversos países terem sofrido também aumento nas suas alíquotas. As tarifas efetivas de importação subiram 9,57 pontos percentuais para produtos da Coreia do Sul, 8,39 para Tailândia, 7,7 para o Japão e 7,48 pontos para a China.
Os dados atualizados nesta quinta-feira (16/07) são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que números de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Esses dados já incluem o novo anúncio feito pela Casa Branca. Leia também: O que Javier Milei vem fazer no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro
Os dados do GTA compilados com exclusividade a pedido da BBC News Brasil consideram apenas as tarifas efetivas (ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos) e não as tarifas nominais (que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo).
Existe uma diferença entre as duas alíquotas, já que os EUA listam diversas exceções de produtos brasileiros que não precisam pagar as mesmas alíquotas (confira abaixo na reportagem).
A alíquota nominal anunciada pela Casa Branca é de 25%, mas na prática— considerando os mais de 2 mil produtos que são ou isentos dessas tarifas ou recebem alíquota menor— a tarifa efetiva média é de 14,42%, segundo o cálculo do GTA.
Produtos brasileiros só têm taxação menor do que a dos chineses— a tarifa efetiva média para importados da China nos EUA chegará a 21,5% no final deste mês.
Antes do anúncio, o Brasil era o 13º país com a maior tarifa efetiva média nos EUA. Mais de mundo
O novo tarifaço de Trump fez o Brasil ultrapassar 11 países no ranking dos mais tarifados do mundo: Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália.
Exceções
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O Brasil foi alvo de uma grande investigação comercial iniciada em julho do ano passado— na qual acusa o governo brasileiro de uma série de práticas comerciais desleais.
Em junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que conduziu a investigação, havia sugerido em um documento de 107 páginas diversas medidas de retaliação contra o Brasil, com tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros.
Nesta quarta-feira, o governo americano anunciou sua decisão final, que é levemente mais branda do que a sugestão dada pelo USTR no mês passado.
A proposta original da USTR teria elevado as tarifas efetivas médias contra produtos brasileiros a 14,89%, pelos cálculos do GTA. Agora a entidade suíça calcula que a tarifa média será de 14,42%.
As tarifas americanas incidem sobre milhares de produtos importados como açúcar, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, papel e aço— mas há também uma vasta lista de exceções que foram divulgadas em um anexo em junho.
Impacto
Reação do Brasil

Fim de outro tarifaço
O que é a investigação contra o Brasil?
- Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site.
- Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores".
- Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção".
- Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria".
- Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas".
- Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste".
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