← Política
1 pessoa lendo agora Política

Saab lança caça Gripen desenvolvido com brasileiros

A fabricante sueca Saab apresentou nesta terça-feira (2) o primeiro Gripen F, versão para dois pilotos do novo caça da FAB (Força Aérea Brasileira)

Saab lança caça Gripen desenvolvido com brasileiros

A fabricante sueca Saab apresentou nesta terça-feira (2) o primeiro Gripen F, versão para dois pilotos do novo caça da FAB (Força Aérea Brasileira). A aeronave foi desenvolvida nos últimos cinco anos em cooperação com a Embraer e a participação de empresas como a AEL e Akaer, e da própria FAB.

" Isso poderia ser um obstáculo, mas foi nossa maior conquista. Trabalhamos com 50% de engenheiros suecos e 50% da Embraer e outros", disse o chefe de vendas da Saab, Mikael Franzén.

Leia no AINotícia: Panorama Político: AGU, Crime Organizado e Imigração em Pauta

"Estamos revelando uma nova capacidade. Essa máquina não existiria sem nossos parceiros. É uma grande colaboração", disse Micael Johansson, o presidente da Saab.

Segundo ele, um segundo centro de pesquisa da empresa no Brasil está nos planos. O Gripen F foi revelado na fábrica da Saab em Linköping, interior da Suécia. O ministro da Defesa do Brasil, José Mucio, estava presente ao lado de seu colega nórdico, Pal Jonson.

"É uma relação ganha-ganha", disse o brasileiro. "É uma colaboração que ultrapassa a relação entre cliente e fornecedor", afirmou o sueco. Os suecos treinaram mais de 350 engenheiros e técnicos brasileiros no processo de transferência de tecnologia, a maioria funcionários da Embraer. Leia também: Compra do Gripen pela Ucrânia vai expandir linha no Brasil

A empresa paulista sedia a única linha de produção do Gripen E, de um lugar, fora do país nórdico. De lá saiu o primeiro supersônico fabricado no Brasil, em março. Inicialmente, o modelo de dois lugares seria produzido também em Gavião Peixoto (SP), mas questões logísticas e de custo concentram sua montagem na Suécia.

Diferentemente da versão monoposta, o Gripen F não existia nem como protótipo. Como lembrou no evento de lançamento o comandante da FAB, brigadeiro Marcelo Damasceno, foi o pedido do Brasil por um modelo biposto que deu à luz o avião —Estocolmo só encomendou o tipo E. O trabalho de colocar um piloto a mais em um caça não é trivial.

O avião foi esticado em 66 cm, chegando a 15,9 m, mantendo a envergadura de 8,6 m da versão E. Foi adicionado peso com a duplicação de assento ejetável, instrumentos e sistema de oxigênio. Para compensar, o modelo F perdeu o canhão de 27 mm e espaço para combustível, o que reduzirá seu raio de combate. A Saab não revela qual foi essa perda, mas especialistas estimam algo na casa de 10%.

" A parte estrutural nós dominávamos", disse Johan Segertoft, chefe da unidade Gripen na Saab. Segundo ele, o maior desafio foi tornar o segundo posto totalmente independente, livre para operações.

Johansson afirmou, por sua vez, que o trabalho com o Brasil foi "único". " Não é algo fácil. Mais de politica

Nós temos isso", disse, citando o arrastado projeto franco-germânico de um caça de sexta geração. A Saab é vista no mercado como uma eventual parceira de Berlim caso o programa não decole. Dos 36 aviões comprados em 2014 pelo equivalente corrigido hoje a R$ 29,5 bilhões, R$ 16,5 bilhões desembolsados até março, 8 são do modelo F.

No Brasil, já voam 11 Gripen E, 1 deles ainda servindo à campanha de testes da empresa. As letras designam a nova geração do avião, que voou pela primeira vez nos estertores da Guerra Fria, em 1988. De lá para cá, houve as famílias

A/B e C/D, essa em operação com 96 caças na Suécia e outros 64 em cinco clientes de exportação. O Brasil foi o primeiro país a comprar a geração E/F, que representa o maior salto tecnológico na história do avançado setor aeroespacial sueco. Ela também foi encomendada pela Ucrânia, com 20 unidades até aqui, Colômbia, com 17 e Tailândia, com 4. Leia também: Panorama Político: Eleições, Defesa e Corrupção Eleitoral em Destaque

Na Suécia, já voam 3 dos 60 comprados pelo governo. Johansson disse que a linha brasileira deve priorizar os contratos da FAB e dos colombianos, mas não excluiu a eventualidade de fornecer aviões para outros clientes. Os militares brasileiros querem uma frota de até 50 caças, mas a negociação é lenta, não menos pela escassez de recursos.

A ideia seria fazer um aditivo ao contrato original, algo debatido dentro de uma compra casada que não se concretizou do lado do Brasil: a Suécia adquiriu quatro aviões de transporte KC-390 da Embraer. MODELO PODE CONTROLAR DRONES Tradicionalmente, modelos de dois lugares são usados para treinamento, com o segundo piloto recebendo instruções.

Essa será uma das funções do Gripen F na FAB, mas não a mais importante. O segundo piloto serve de oficial de manejo de armas em situações de combate mais complexas, como ataque a solo, e principalmente como controlador daquilo que é o futuro da aviação de combate: o emprego de drones. Chamados de "loyal wingman", ou parceiro leal em inglês, esses robôs estão sendo desenvolvidos para acompanhar caças em missões, multiplicando sua capacidade de ataque e penetração em ambientes hostis.

" O Gripen será no futuro o centro de um sistema com várias plataformas", disse o chefe da unidade de Programas Avançados da Saab, Peter Nilsson. A inteligência artificial (IA), como seria de se supor, acompanha esse desenvolvimento.

No ano passado, a empresa sueca foi a primeira a realizar um voo controlado em parte pela IA em um espaço aéreo regular. O agente artificial Centaur, criado em parceria com a alemã Helsing, pilotou um Gripen E em missão de ataque BVR (além do campo visual, na sigla inglesa), quando os alvos só são vistos por sensores. O piloto daquele voo, Marcus Wandt, conta que nas simulações foram criadas manobras nunca vista.

Compra do Gripen pela Ucrânia vai expandir linha no Brasil
Politica

Compra do Gripen pela Ucrânia vai expandir linha no Brasil

Ler matéria →

Leia também