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Risco de infarto aumenta na Copa: entenda por que e como se proteger

Risco de infarto aumenta na Copa: entenda por que e como se proteger Internações por complicações cardíacas aumentam 16% em dias de jogo do Brasil, diz estudo da USP

Risco de infarto aumenta na Copa: entenda por que e como se proteger

Risco de infarto aumenta na Copa: entenda por que e como se proteger Internações por complicações cardíacas aumentam 16% em dias de jogo do Brasil, diz estudo da USP Pesquisas realizadas no Brasil e em outros países apontam que, em dias de jogos da Copa do Mundo, a ocorrência de complicações cardíacas entre os torcedores pode aumentar consideravelmente. Um levantamento da Universidade de São Paulo (USP), que analisou dados de 1998 a 2010, constatou um aumento de 9% nas internações por infarto durante a competição mundial.

Nos dias em que a seleção brasileira entra em campo, as taxas podem subir 16%. O estudo foi publicado em 2014– ano do traumático 7×1 para a Alemanha –, no periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Para chegar à conclusão, os pesquisadores compararam dados de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) durante as Copas e em anos nos quais a competição não ocorreu.

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A constatação final foi de que a emoção provocada pelo evento pode representar um risco à saúde cardiovascular dos torcedores. Apesar disso, não foi constatado um aumento no número de mortes. Vale dizer que isso não acontece só no Brasil.

Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), em 2000, notou que, durante a Eurocopa de 1996, homens holandeses com mais de 45 anos apresentaram uma mortalidade por infarto e acidente vascular cerebral (AVC) 51% maior do que a esperada em dias sem partida. Os autores sugeriram que o estresse emocional provocado por jogos decisivos– a Holanda, por exemplo, foi eliminada nos pênaltis– pode funcionar como gatilho para pessoas suscetíveis. Mas há ressalvas. Leia também: O que acontece com o seu cérebro quando você rumina o passado

Apesar dos achados, pesquisadores de uma revisão publicada em 2025 ressaltam que nem todos os estudos que já se propuseram a observar os dados de emergências cardíacas em dias de jogos encontraram uma relação entre os eventos. Além disso, eles apontam que as ocorrências também podem ser influenciadas por fatores como maior consumo de álcool, tabagismo, alimentação inadequada, privação de sono e condições prévias de saúde. Embora o alerta não signifique que assistir a uma partida vá causar infarto, ele reforça que situações de estresse agudo podem impactar o sistema cardiovascular, principalmente quando encontram um organismo já vulnerável.

E isso merece atenção. Por que isso acontece? O cardiologista Álvaro Avezum, chefe do centro especializado em cardiologia e diretor de pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que a emoção de um jogo importante ativa respostas do organismo relacionadas ao estresse.

Por exemplo, ocorre uma alta liberação de adrenalina, levando a aumento da frequência cardíaca e elevação da pressão arterial. Em uma pessoa saudável, isso tende a ser bem tolerado. Mas, em quem já tem doença coronariana (causada por excesso de colesterol nas artérias), hipertensão mal controlada ou predisposição a arritmias (descompassos nas batidas do coração), esse esforço adicional pode contribuir para uma intercorrência.

Sob o estresse de uma partida, o organismo exige mais do músculo cardíaco e a demanda de oxigênio aumenta. Essa necessidade, porém, pode não ser atendida quando o coração já enfrenta artérias obstruídas ou vasos fragilizados O risco pode ser ainda maior quando a emoção do jogo se soma a consumo excessivo de álcool, alimentação pesada, privação de sono e estresse crônico.

E vale ressaltar que não são só as partidas que terminam mal que têm associações com os quadros de infarto em algumas pesquisas. É o que mostram os dados de um estudo alemão, publicado em 2021 na Scientific Reports, do grupo Nature, que avaliou as internações por infarto na Alemanha durante a Copa de 2014, ano em que o país saiu campeão, e notou um discreto aumento no período. O país registrou 18.479 internações naquele ano, contra 18.089 em 2013 e 17.794 em 2015 (épocas sem Copa). Mais de saude

Ainda assim, os autores não registraram aumento na mortalidade hospitalar por infarto durante o torneio. Como se proteger Para torcedores hipertensos ou com outros fatores de risco (como pessoas com diabetes, colesterol alterado, obesidade abdominal, estresse e depressão), a principal recomendação é não parar os cuidados nos dias de jogo. Medicamentos de uso contínuo precisam ser tomados nos horários habituais e deve-se evitar excesso de consumo de sal, moderar a ingestão de bebidas alcoólicas, não fumar, manter a hidratação e, quando houver orientação médica, acompanhar a pressão arterial.

Não é necessário deixar de torcer, mas é importante evitar que a Copa vire um período de desorganização da rotina de saúde e de estresse elevado, segundo Avezum. “ O jogo passa, mas o controle dessas condições precisa continuar todos os dias”, diz o cardiologista. Leia também: Relacionamentos que adoecem ganha destaque após novo desdobramento

Sinais de alerta Avezum reforça que alguns sintomas não devem ser atribuídos apenas ao nervosismo da partida. O paciente deve ficar atento, principalmente, à palpitação intensa durante um momento muito emocional e sensação de pressão e dor na nuca, um sinal de aumento da pressão arterial. De maneira geral, dor ou pressão no peito, falta de ar, desmaio, palpitações persistentes, suor frio, tontura intensa ou mal-estar fora do habitual exigem avaliação médica.

Na dúvida, especialmente entre pacientes com fatores de risco, o mais seguro é não esperar o jogo acabar para ir ao pronto-socorro. “ A orientação é procurar atendimento imediatamente”, reforça Avezum.

Por fim, a mensagem, segundo o médico, não é transformar a Copa em motivo de medo, mas lembrar que a torcida também pode ser vivida com cuidado. “A Copa é um momento de lazer, encontro e celebração. O cuidado é para que a emoção dos jogos não se some a outros fatores que sobrecarregam o coração”, ressalta.

“Para quem já tem risco cardiovascular, respeitar os próprios limites faz diferença. Seja o maior torcedor de sua saúde, sempre”, conclui.

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