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Retatrutida ilegal é investigada após seis casos graves de lesão hepática

Retatrutida ilegal é investigada após seis casos graves de lesão hepática na Austrália Casos documentados desde janeiro expõem perigo do uso de versões clandestinas de

Retatrutida ilegal é investigada após seis casos graves de lesão hepática na

Retatrutida ilegal é investigada após seis casos graves de lesão hepática na Austrália Casos documentados desde janeiro expõem perigo do uso de versões clandestinas de substância ainda experimental Autoridades de saúde do estado de Victoria, na Austrália, estão investigando seis casos de lesões no fígado entre pessoas que utilizaram produtos vendidos como retatrutida, uma substância ainda em testes para o tratamento da obesidade. Criado pela farmacêutica Eli Lilly, esse candidato à fármaco ainda não está disponível e não foi autorizado por agências reguladoras de nenhum lugar do mundo. Por isso, produtos que se apresentam como versões dessa molécula são considerados muito perigosos.

O que aconteceu? Segundo o alerta, emitido pelo departamento de saúde de Victoria, foram registrados seis casos de pacientes com sintomas como cansaço ou mal-estar, icterícia (pele amarelada), dor abdominal, urina escura e hematomas anormais. Além disso, exames mostraram importantes alterações na função hepática (do fígado), como níveis aumentados de enzimas que indicam inflamação ou lesão e problemas de coagulação sanguínea.

Leia no AINotícia: Saúde: Panorama Semanal de Bem-estar e Cuidados Essenciais

De acordo com a pasta, os casos começaram a ser registrados em janeiro e todas as pessoas envolvidas utilizaram algum tipo de produto feito à base de peptídeos, não aprovado, e denominado de retatrutida. Nos rótulos, haviam os seguintes nomes:- Retatrutide- Reta- R-10, R-20 Para as autoridades australianas, os efeitos tóxicos possivelmente estão associados à presença de contaminantes nas formulações, compradas online pelas vítimas. As investigações ainda estão em andamento, mas o governo acredita que casos semelhantes tenham sido relatados em outros estados australianos. Leia também: Anvisa libera parcialmente venda de produtos Ypê; veja quais

+ O que dizem as autoridades No alerta, o departamento de saúde do estado reforçou que a retatrutida “é um medicamento experimental não aprovado para venda como produto médico seguro na Austrália”.

Portanto, os produtos mencionados não foram testados e aprovados quanto à segurança, qualidade ou eficácia pela Therapeutic Goods Administration (TGA), espécie de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do país. Por isso, o departamento de saúde reforçou: “esses produtos, principalmente quando injetáveis, podem acarretar riscos significativos à saúde, incluindo contaminação, infecção, danos teciduais locais ou reações potencialmente fatais

“. Problema é maior do que se imagina O problema registrado na Austrália não é diferente no Brasil e no restante do mundo.

Para ter ideia, desde janeiro deste ano, a Anvisa também tem determinado a apreensão de lotes de supostas marcas de retatrutida vendidas irregularmente no país por meio de perfis nas redes sociais. No Paraguai, uma marca já chegou a anunciar sua própria versão do medicamento, em um evento grande, ao lado de celebridades brasileiras. O problema é que a retatrutida sequer completou os testes clínicos necessários para aprovação em qualquer país do globo. Mais de saude

Isso significa que nem mesmo sob condições controladas de pesquisa existe um perfil de segurança consolidado para a substância. Assim, quem usa produtos irregulares vira cobaia de um experimento que nem mesmo tem protocolo ou qualquer registro. E tudo isso sem ao menos saber ao certo o que há dentro da ampola comprada. Leia também: agência nacional de vigilância sanitária

Segundo especialistas, o uso de canetas emagrecedoras irregulares, em geral, expõe a saúde a uma série de riscos. Entre o que se tem relatado, estão no topo de problemas possíveis os danos graves ao fígado, pâncreas e quadros de hipoglicemia. Apesar disso, ainda não existem números oficiais no mundo sobre os efeitos colaterais e, até, mortes associadas a esses produtos sem origem definida.

E há diversos motivos para isso. Primeiro, diferentemente de produtos legalizados, as versões irregulares não passam por acompanhamento pós-comercialização e não têm um sistema de notificação de efeitos adversos junto às agências reguladoras. Segundo, a total ausência de informação sobre possíveis reações advindas desses produtos e, muitas vezes, a vergonha de revelar o uso de substância ilegais, podem impedir que pacientes com sintomas busquem atendimento médico ou fazer com que, ao buscarem, omitam o relato sobre o que usaram.

Por fim, a falta de informações sobre a composição real desses frascos, que não têm bula ou lote rastreável, dificulta ainda mais a investigação das causas quando algo dá errado. É por isso que, seja para a retatrutida ou outras canetas paralelas, é importante lembrar que, sem a devida aprovação da Anvisa, não há qualquer garantia de que o produto comprado realmente contenha a substância prometida, nem confirmação da dosagem. O fármaco irregular pode se revelar inócuo para tratar os problemas indicados ou, em situações ainda mais graves, ter passado por adulterações que podem render problemas de saúde com risco de sequelas e morte.

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