Remissão ou cura? A palavra que mexe com o coração de quem venceu o câncer Remissão não é “meia vitória”: o que significa receber a notícia de que não há mais sinais da doença Após o fim do tratamento, muitas pacientes oncológicos escutam uma frase que traz alívio:
“não há sinais de doença”. Mas logo surge uma dúvida difícil de ignorar: isso significa cura ou remissão? A diferença entre essas palavras não é apenas técnica.
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Ela envolve ciência, responsabilidade médica e também o impacto emocional de quem passou pelo câncer. Receber a notícia de que o tratamento terminou e que não há mais sinais de doença é um dos momentos mais esperados por qualquer um. Ainda assim, é justamente nesse momento que surgem inseguranças e perguntas que nem sempre parecem ter resposta simples.
Na prática clínica, o termo mais utilizado é “remissão completa” ou “sem evidência de doença”. Isso significa que, nos exames disponíveis, não há sinal detectável de câncer ativo. Do ponto de vista médico, é uma excelente notícia.
O tratamento atingiu seu objetivo. E isso é, sim, uma grande vitória. Por que os médicos evitam falar em cura imediatamente? Leia também: Ansiedade em cães e gatos: aprenda a identificar os sinais
A palavra “cura”, tecnicamente, implica ausência definitiva da doença. A oncologia, porém, trabalha com probabilidades e evidências, não com garantias absolutas. Mesmo após tratamento bem-sucedido, podem existir células microscópicas que os exames atuais não conseguem detectar.
Por isso, a oncologia requer cautela ao se utilizar determinados termos. Muitos protocolos utilizam o marco de cinco anos sem recidiva como um indicativo de altíssima chance de cura. Esse número não é mágico, mas estatístico.
Para vários tumores, especialmente alguns ginecológicos, o risco de retorno cai drasticamente após esse período. Ainda assim, esse comportamento varia conforme o tipo de tumor e as características de cada paciente. Evitar o termo “cura” imediatamente após o tratamento não significa negar a vitória da paciente.
Significa reconhecer que a biologia do câncer pode ser imprevisível e que o acompanhamento contínuo também faz parte do cuidado. O impacto emocional da palavra remissão Por outro lado, é impossível ignorar o peso emocional da palavra “remissão”.
Para muitas pessoas ela soa como algo provisório, suspenso, quase frágil. Surge, então, o medo constante de recidiva, a ansiedade antes dos exames de controle e a sensação de que a doença ainda está “à espreita”. Algumas pacientes relatam que, após o fim do tratamento, vivem uma fase paradoxal: Mais de saude
externamente parecem “curadas”, mas internamente convivem com insegurança. A linguagem médica, quando não bem explicada, pode intensificar essa ansiedade. E é muito comum o paciente, logo após seu tratamento, olhar para trás e ficar confuso com tudo que se passou, as cicatrizes que o caminho deixou (como a cicatriz de uma cirurgia, o cateter) e quanto a como encarar todas as mudanças as quais foi submetido.
É importante entender que estar em remissão completa significa que não há câncer ativo naquele momento. Isso não é uma meia vitória. É uma conquista real, concreta e extremamente significativa. Leia também: Gabriel Ganley ganha destaque após novo desdobramento em gabriel ganley: por
O acompanhamento periódico não é sinal de que algo está errado, mas parte da estratégia de cuidado e necessário não apenas do ponto de vista clínico, mas acredito que também psicológico para o paciente saber que tem alguém junto. + Então, qual é a resposta?
Do ponto de vista científico, a medicina prefere o termo “remissão”, porque ele trabalha com evidências e traduz com mais precisão o que os exames conseguem demonstrar naquele momento. Do ponto de vista humano, muitas pessoas se sentem curadas quando retomam sua rotina, seus planos e sua vida após o tratamento. Talvez a melhor forma de esclarecer essa questão seja integrar as duas perspectivas: quando o tratamento termina e não há sinais de doença, o paciente está livre de câncer naquele momento.
O termo técnico pode ser remissão completa, mas isso não diminui a dimensão da vitória vivida por quem enfrentou a doença. A palavra escolhida importa, mas mais importante é a compreensão do que ela significa. Informação clara reduz ansiedade.
Entender que o acompanhamento é parte da segurança, e não da desconfiança, ajuda a transformar o medo em vigilância saudável. Entre remissão e cura, existe algo ainda maior: a possibilidade de voltar a viver, fazer planos e recuperar a própria história. E isso também faz parte da cura.
*Larissa Müller Gomes é oncologista clínica e membro Brazil Health (Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
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