No Rio, 'Anunciação' transforma a obra de Alceu Valença em festa
Ler matéria →Acredite. Esse é o lema do protagonista de " Ted Lasso", um treinador que tenta reerguer das cinzas um time de futebol da segunda divisão na comédia da Apple TV.
O mote parece ser o mesmo do produtor e cocriador da série, Bill Lawrence, que tem emplacado produções originais em uma Hollywood sufocada pela pulverização do streaming e pelas fusões megalomaníacas entre estúdios. Foi nesse cenário pouco favorável que Lawrence popularizou seu nome entre algumas das plataformas mais poderosas do meio. "
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Ted Lasso" chega a sua quarta temporada como um dos maiores trunfos da Apple TV e como uma das comédias mais indicadas nas últimas edições do Emmy, competindo com produções como "Hacks" e " O Urso". Na plataforma, Lawrence também está por trás de outras duas tramas originais.
Uma delas é "Falando a Real", cocriada por Jason Segel, o Marshall de "How I Met Your Mother" e o humano do filme " Os Muppets". O ator protagoniza a série ao lado de Harrison Ford. Leia também: No Rio, 'Anunciação' transforma a obra de Alceu Valença em festa
A trama, elogiada pela crítica, usa a comédia para suavizar o drama de um terapeuta que, deprimido pela morte da esposa, decide dizer aos clientes o que bem entende. A outra é "Bad Monkey", comédia policial estrelada por Vince Vaughn na pele de Andrew Yancy, um ex-detetive suspenso da polícia de Miami que trabalha como inspetor sanitário de restaurantes. Quando um braço humano é pescado por um turista, Andrew se despede da vida pacata para investigar uma complexa rede de corrupção, recheada de personagens bizarros.
Para a HBO, Lawrence entregou "Rooster", série que tem Steve Carell no papel do protagonista Greg, escritor e pai superprotetor que decide trabalhar na mesma universidade que sua filha, Katie, para apoiá-la durante uma separação conturbada. E, como se não bastasse, ele é a mente responsável por "I Suck at Girls", produção da Netflix prevista para o ano que vem. A adaptação do livro autobiográfico de Justin Halpern acompanha três adolescentes no ensino médio.
Apesar da criação prolífica, os títulos têm em comum a marca de Lawrence —enredos permeados por um humor quase acolhedor, que aborda conflitos nas relações humanas, segundas chances e reflexões sobre família e fracasso. É uma assinatura lapidada pelas sitcoms, terreno onde ele iniciou a carreira nos anos 1990, com "Spin City". Depois, nos anos 2000, fundou a Doozer Productions e foi um dos criadores de "Scrubs" –que, aliás, voltou neste ano com uma nova temporada— e "Cougar Town".
Nem tudo são flores. Da temporada final de " Cougar Town", em 2015, até a estreia de "
Ted Lasso", em 2020, Lawrence passou por um período de fracassos com "Ground Floor", " Os Impagáveis", " Surviving Jack" e "Whiskey Cavalier". Mais de entretenimento
" Assinei [com a Warner Bros] como o cara que sabia fazer séries de TV aberta que duravam anos. Apostaram muito em mim e eu não conseguia manter nada no ar", disse ele, sobre seu contrato assinado com o estúdio na época das séries pouco populares, em entrevista à The Hollywood Reporter.
A transformação da televisão na década de 2010, com a consolidação do streaming, acabou sendo a luz no fim do túnel. Um pouco como seus personagens, ele foi se adaptando às dificuldades sem deixar de fazer as coisas do seu jeito. A maleabilidade o tornou um dos maiores produtores de Hollywood. Leia também: Dono de hits como 'Don't Cha', grupo Pussycat Dolls faz show em São Paulo
É preciso também faro para os negócios. Ele decidiu gravar a nova temporada de "Scrubs", por exemplo, em Vancouver, no Canadá, para baratear a produção. É um reflexo do êxodo de sets da Califórnia, que tem leis mais rígidas e infaestrutura mais cara se comparado a outros estados americanos, como a Geórgia, ou outros países, como Reino Unido.
Em termos de criação, Lawrence afirmou a veículos americanos que a maneira de vender ideias mudou drasticamente. No início de sua carreira, era preciso explicar como a trama alcançaria o centésimo episódio, com o objetivo de criar personagens que durassem perpetuamente. Já na ea era o streaming, os executivos buscam histórias com início, meio e fim.
O direcionamento é claro em " Ted Lasso", incialmente concebida para durar apenas três temporadas. Mas a narrativa fisgou o público, e mesmo que a terceira temporada não tenha se igualado às duas primeiras, a Apple TV pediu mais episódios.
E como o seu protagonista, Lawrence driblou mais uma crise. Comentários
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