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- Author, Felipe Llambías
- Role, BBC News Mundo
- Há 6 horas
- Tempo de leitura: 8 min
No oitavo dia de nascimento, como todo homem judeu, Jesus foi circuncidado.
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Mas essa prática foi abandonada pelos cristãos, diferentemente de outros rituais que o judaísmo e o cristianismo ainda mantêm e partilham, como a oração conjunta nos templos ou a celebração em datas semelhantes do Natal e do Hanukkah ou da Páscoa e do Pesach.
Segundo o Novo Testamento, a ruptura entre o judaísmo e o cristianismo no que se refere à circuncisão ocorreu por volta do ano 50 e teve como protagonistas são Paulo e são Pedro, que tiveram uma intensa discussão sobre o assunto.
"Foi o primeiro conflito institucional da igreja", explica Miguel Pastorino, professor de filosofia da religião e antropologia filosófica da Universidade Católica do Uruguai, bacharel em teologia, doutor em filosofia e ex-padre, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Leia também: Irã diz ter recebido resposta dos EUA sobre proposta de paz
São Paulo — que naquela época não era santo, mas apenas Paulo de Tarso — passou de fariseu, ou seja, fervoroso defensor da Lei de Moisés que perseguia discípulos de Jesus, a ser um dos propagadores mais entusiastas da palavra de Cristo em todo o mundo, diz a Bíblia.
Paulo de Tarso era, como Jesus de Nazaré, Pedro da Galileia, e os outros apóstolos, judeu. Como tal, eram circuncidados.
A religião judaica era uma das únicas monoteístas até então. Os gregos, romanos e egípcios acreditavam em várias divindades.
Para o povo judeu, Elokim (Deus) havia dito a Abraão: "Este é o meu pacto que você deve manter, entre você, eu e sua posteridade: todo homem entre vocês deve ser circuncidado".
Além dos judeus, os muçulmanos — que também acreditam no profeta Abraão — continuaram essa prática até hoje. Mais de mundo
Embora não seja mencionada no Alcorão, a circuncisão aparece nos hadiths (registros escritos de comunicações orais do Profeta Maomé).
Circuncisão na história
A remoção do prepúcio, que envolve a retirada da pele do pênis que cobre a glande, é uma prática que não começou com a religião, mas muito antes.
É o procedimento cirúrgico mais antigo do mundo: acredita-se que ele tenha se originado no Egito há cerca de 15 mil anos, segundo o livro An Illustrated Guide to Pediatric Urology (Um guia ilustrado para urologia pediátrica, em tradução livre), do cirurgião pediátrico e acadêmico Ahmed al Salem. Leia também: A história extraordinária de Hércules, o urso que um casal adotou e criou como parte da família
Al Salem explica que muitas culturas incorporaram a circuncisão por razões que vão desde a higiene até os rituais de maioridade, oferecendo cerimônias aos deuses ou como marcas de identidade cultural.

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"A religião mandava em tudo, desde nas práticas higiênicas até na alimentação, no sexo, na política. Os sistemas religiosos nascem conjuntamente como tudo nasce na cultura, e antigamente eram difíceis de separar. Quando tiveram de legislar sobre algumas práticas de higiene na época, a religião teve um papel fundamental nisso. Porque a lei era a lei de Deus, não havia outra", explica Pastorino.
Essa visão contém nuances no judaísmo.
"Há quem diga que, além do conceito religioso, sua utilidade sanitária e higiênica gerou maior adesão a essa prática. Mas não dá para determinar se a origem foi higiênica e sanitária e depois houve um acordo sobre a divinização ou religiosidade do evento, ou se foi o contrário. Mas há uma conjunção inegável entre a prática da circuncisão e saúde e higiene", diz o rabino Daniel Dolinsky.
O confronto de são Paulo com são Pedro


O momento da reconciliação

Cristãos circuncidados

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