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Crédito, ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images
- Author, Julia Braun
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 11 min
A tarifa de 25% contra produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15/07), deve ter impacto restrito diante da extensa lista de itens isentos divulgada, afirma a economista e pesquisadora do PIIE (Instituto Peterson de Economia Internacional, nos EUA), Monica de Bolle.
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Ainda segundo a especialista brasileira, o cenário revela os limites do protecionismo e da margem de manobra de Donald Trump no mundo globalizado de hoje, que são muito menores do que o presidente americano faz parecer em suas ameaças.
"Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo", disse De Bolle em entrevista à BBC News Brasil.
A aplicação das tarifas contra o Brasil foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão. Ela entrará em vigor em 22 de julho. Leia também: Sem Michelle e com Milei, Flávio oficializa candidatura e promete que Bolsonaro
Caso o novo tarifaço passe a valer, o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Trump ao poder.
Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas."
Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.
Os EUA também divulgaram nesta quarta a lista atualizada de produtos que não vão enfrentar as tarifas. São mais de 2,2 mil itens, entre eles carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves.

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De acordo com Monica de Bolle, diante das dificuldades que o governo brasileiro vem enfrentando para negociar com os EUA, é provável que as conversas de agora em diante avancem mais em nível privado, entre empresas e setores específicos. Leia também: Inteligência artificial da dona do ChatGPT se rebela e faz ataque hacker
"É uma balcanização do comércio, que se tornou inevitável", diz.
Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".
Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para De Bolle, uma ação retaliatória poderia abrir espaço para uma guerra com comercial com os Estados Unidos, algo que "não seria bom para ninguém".
"Eu não consigo imaginar como é que os Estados Unidos responderiam [a uma retaliação], mas imagino que responderiam com força de volta, embora o raio de ação seja limitado, como a gente já viu na própria lista de isenções", diz.

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