Homero existiu? O mistério por trás do autor de 'A Odisseia'
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- Author, Atahualpa Amerise
- Role, Da BBC News Mundo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 9 min
Desde um antigo tratado de amizade— assinado há mais de dois séculos— até a recente criação da rodovia Donald J. Trump no Saara, Marrocos e Estados Unidos sempre mantiveram uma relação especial.
Leia no AINotícia: Mundo: Panorama da semana destaca crise em Ceuta
O rei marroquino Mohammed 6º rebatizou esta semana, em homenagem ao presidente dos Estados Unidos, uma via de mais de mil quilômetros que atravessa o Saara Ocidental, em um aparente gesto de agradecimento pelo apoio de Trump à soberania de Rabat sobre o território em disputa (veja mais abaixo).
Isso ocorreu poucos dias depois de mais de 70 mil pessoas entrarem a partir do Marrocos na cidade espanhola de Ceuta— um incidente que deixou ao menos 140 mortos dos dois lados da fronteira e provocou uma grave crise migratória.
A reação do governo dos EUA a esse episódio deixou evidente sua proximidade com o reino alauíta— a dinastia do Marrocos. Leia também: Homero existiu? O mistério por trás do autor de 'A Odisseia'
Trump descreveu o ocorrido como uma "catástrofe", semelhante a "uma invasão de um país"; o Departamento de Estado responsabilizou as políticas migratórias do governo espanhol de Pedro Sánchez; e a Casa Branca culpou as "políticas globalistas de extrema esquerda".
Em nenhum momento os EUA questionaram o Marrocos, de onde teve origem a onda de pessoas que seguiu em direção a Ceuta.

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Embora isso tenha surpreendido poucos, a posição de Washington gerou certa preocupação na Espanha, país-membro da Otan que abriga forças dos EUA nas bases militares de Rota e Morón.
O Marrocos não pertence à aliança atlântica de defesa, mas é um dos principais parceiros militares e de inteligência dos EUA. Mais de mundo
Confira abaixo como Marrocos e EUA fortaleceram sua relação ao longo dos anos, quais benefícios ambos obtêm dela e como essa aliança está influenciando os acontecimentos atuais.
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Apesar da distância geográfica e cultural, a relação entre EUA e Marrocos começou muito cedo— e de forma positiva.
Em 1776, os EUA constituíam-se como nação após declarar sua independência do Império Britânico, enquanto o Marrocos era um sultanato independente governado pela dinastia alauíta, a mesma que permanece hoje no trono.
Apenas um ano e meio após a emancipação dos EUA, o sultão Mohammed 3º autorizou os navios da nova nação a entrarem livremente nos portos marroquinos.
Rabat apresenta aquele decreto como o primeiro reconhecimento internacional dos EUA. No entanto, o Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos EUA data o primeiro reconhecimento em, quando os dois países assinaram em Marrakech o Tratado de Paz e Amizade.
Para a jovem república norte-americana, isso era mais do que um mero gesto diplomático: a Marinha britânica já não protegia seus navios, que ficaram expostos a corsários do Marrocos, de Argel, de Túnis e de Trípoli, que capturavam embarcações e mantinham suas tripulações como reféns para exigir resgates.

Segurança, comércio e o Saara



O triângulo EUA-Marrocos-Espanha

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