Pseudomonas: Anvisa confirma contaminação em mais de 100 lotes da Ypê; entenda a bactéria Em nova nota, a agência informa que detectou 76 irregularidades na fabricação de produtos A Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) confirmou nesta quarta-feira (13) que, durante inspeção conjunta realizada na fábrica da Ypê em Amparo, São Paulo, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos já acabados, isto é, prontos para comercialização.
Até o momento, a agência ainda não havia atestado a presença do patógeno nos produtos. Além disso, em nota à VEJA SAÚDE, a autarquia informou que foram detectadas 76 irregularidades diversas, abrangendo desde falhas graves relacionadas à qualidade microbiológica até deficiências no controle de materiais de embalagem. As inspeções foram realizadas com conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária Municipal de Amparo (GVS-Campinas).
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Ainda segundo a agência, a Diretoria da Anvisa voltará a analisar, na próxima sexta-feira (15), às 9h30, o recurso que suspendeu automaticamente a resolução que proibiu a venda dos artigos da marca. Além disso, a Ypê deverá apresentar um novo plano de ação para corrigir as irregularidades amanhã (14). “A Anvisa e a empresa estão realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado”, disse a agência, em nota.
Ainda de acordo com a autarquia, a empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar novo plano de ação amanhã (14), “com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias destinadas à correção das não conformidades identificadas”, informou. A agência reiterou, ainda, a recomendação de não utilização dos produtos listados na RE nº 1.834/2026 e de buscar o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa em caso de ter em casa produtos com lote terminado no número 1. + O que é a Pseudomonas
Em novembro de 2025, a Anvisa já havia determinado o recolhimento de diferentes lotes de produtos para lavagem de roupas da marca Ypê. Segundo o órgão, o sabão líquido também havia demonstrado contaminação microbiológica, com presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa. A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que existe naturalmente na natureza, presente na água e no ar, e pode causar diferentes infecções, algumas graves, como pneumonia, meningite ou septicemia, especialmente em contextos hospitalares.
O risco é pequeno em pessoas saudáveis, mas a chance de complicações existe sobretudo em indivíduos com o sistema imunológico debilitado, seja em função de doenças ou de tratamentos de saúde, como no caso de pacientes com câncer passando por quimioterapia. Já as infecções graves causadas pela bactéria podem ser difíceis de tratar. Isso porque ela é capaz de provocar desde uma otite externa severa até quadros mais sérios, como pneumonia, infecção nas válvulas do coração e infecção generalizada no sangue. Mais de saude
Em muitos casos, o paciente precisa ficar semanas tomando antibióticos na veia. Apesar disso, normalmente, um antibiótico comum já consegue combater a bactéria. O problema é que algumas cepas — principalmente as adquiridas em hospitais — se tornaram resistentes a vários medicamentos. Leia também: Como perder culote? Exercícios e alimentação ajudam, mas não fazem milagre
Quando isso acontece, os médicos precisam recorrer à combinação de diferentes medicamentos dessa classe. Em novembro, por meio de nota, a Química Amparo, fabricante do Ypê, destacou que o perigo da Pseudomonas no produto é “minimizado pelas características normais de utilização de um lava-roupas (diluição em água, inexistência de contato prolongado com a pele) “.
Mesmo assim, a fez o recolhimento voluntário dos lotes.

