Pseudomonas aeruginosa: bactéria encontrada na água Crystal é a mesma do caso Ypê — entenda riscos Alvo de ações recentes de vigilância sanitária em indústrias brasileiras, a bactéria pode ser resistente a desinfetantes e antibióticos comuns A bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a chamar a atenção após ser identificada em lotes de água mineral da marca Crystal que estão sendo recolhidos.
O patógeno é o mesmo que, meses antes, havia sido encontrado em produtos da Ypê. Nesta quarta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou a contaminação e publicou uma resolução reafirmando a necessidade de recall da água, bem como suspendendo sua comercialização, distribuição e uso. Segundo a fabricante, o processo já havia sido iniciado mesmo sem qualquer registro de reclamações por parte dos consumidores, e 99,2% das garrafas distribuídas ao mercado já não estão mais à venda.
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Mas, afinal, o que torna essa bactéria tão frequente em casos de contaminação industrial? O que é a pseudomonas? A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que existe na natureza, presente na água e no ar, e pode causar diferentes infecções, incluindo algumas graves, como pneumonia, meningite ou septicemia (infecção generalizada), especialmente em contextos hospitalares.
Ela não costuma oferecer perigo a pessoas saudáveis, mas o risco de complicações existe, sobretudo em indivíduos com o sistema imunológico debilitado, seja em função de doenças ou de tratamentos de saúde, como no caso de pacientes com câncer passando por quimioterapia. “Esta bactéria só causa infecções em situações limitadas, dentro de hospitais, em indivíduos bem debilitados”, reforça o infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Por que ela aparece em processos industriais? Leia também: Água morna com mel emagrece e elimina toxinas?
O primeiro motivo para explicar a presença da Pseudomonas aeruginosa nesse tipo de ambiente é a sua capacidade de formar o chamado biofilme, uma espécie de película viscosa criada pelo agrupamento de bactérias. Essa camada “gruda” em superfícies como tubulações, tanques, equipamentos e embalagens, funcionando como um escudo protetor. Com isso, as bactérias ficam mais difíceis de eliminar mesmo durante a limpeza e a desinfecção.
“ A bactéria pode ser isolada mesmo na presença de concentrações significativas de cloro residual livre”, diz o médico Thiago Vitoriano, infectologista do Hospital Samaritano Higienópolis. Essa alta resistência favorece que ela apareça em meios industriais, principalmente onde há umidade, vazamentos ou problemas na fonte de água utilizada.
Aliás, “ela é capaz de sobreviver a longo prazo em água e isso inclui água destilada e potável”, alerta Vitoriano. Mas vale dizer que presença dessa bactéria não representa necessariamente um risco imediato à saúde. Ainda assim, ela sinaliza que pode ter ocorrido alguma falha no processo produtivo que precisa ser investigada.
“Esse problema pode estar relacionado a diferentes etapas, desde a captação da água até os processos de envase, desinfecção, armazenamento ou transporte”, explica Grinbaum. O especialista ressalta, porém, que esse tipo de ocorrência não é incomum na indústria e que faz parte dos sistemas de controle de qualidade. “Qualquer produto, seja uma meia, um pneu ou uma água potável, pode apresentar problemas no processo de produção. Mais de saude
O fato de a indústria produtora identificar o problema e tornar público o lote, impedindo o consumo, é louvável“, afirma. Nesse caso, Grimbaum também celebra o monitoramento realizado pelos órgãos de vigilância sanitária, que têm a obrigação de fazer fiscalizações independentes para verificar o cumprimento das normas e garantir a segurança dos produtos que chegam ao consumidor, como ocorreu nos casos da Crystal e da Ypê. Bactéria pode ser perigosa?
Não necessariamente. Como visto, o principal risco da Pseudomonas aeruginosa está associado a ambientes hospitalares e às pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes internados, transplantados ou em tratamento contra o câncer. Quando consegue provocar uma infecção mais séria, contudo, ela pode ser difícil de tratar em alguns casos. Leia também: Água mineral famosa é recolhida por contaminação de bactéria; veja riscos e o
Isso acontece porque algumas cepas, especialmente as encontradas em hospitais, desenvolveram resistência a diversos antibióticos ao longo do tempo. Nesses casos, medicamentos que normalmente seriam eficazes podem não funcionar, exigindo o uso de combinações de medicamentos ou tratamentos mais complexos. Por isso, ela é considerada um dos micro-organismos que mais preocupam especialistas dentro do contexto do controle de infecções hospitalares.
Para a população em geral, porém, a bactéria raramente causa problemas graves. Como saber que minha água é imprópria para o consumo? O recolhimento atual se refere especificamente à água sem gás da marca Crystal na embalagem de 500 ml fabricada pela Mineração Bom Jesus Ltda., com sede em Luziânia, no estado de Goiás.
O lote envolvido é identificado, no rótulo, pelo seguinte código: LZ1 VAL200127 3 P 200126. Essas unidades foram fabricadas em 20/01/2026 e têm data de validade para 20/01/2027.
Ao todo, o lote tem 374,4 mil garrafas que foram distribuídas majoritariamente no Distrito Federal, mas também nos seguintes municípios de estados próximos: - Goiás: Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás, Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão; - Tocantins: Arraias, Combinado e Novo Alegre; - São Paulo: Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí.

