'Time de peso' volta ao centro do debate na temporada
Ler matéria →Por que as torcidas organizadas estão pedindo intervenção no Corinthians? Resumo As principais torcidas organizadas do Corinthians realizaram nesta quarta-feira (19) uma manifestação em frente à sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), no centro da capital paulista, para defender uma intervenção judicial no clube.
O que aconteceu O ato reuniu centenas de torcedores e terminou com uma reunião entre representantes das torcidas e os promotores Luiz Ambra e André Pascoal, responsáveis pela investigação que analisa a possibilidade de intervenção no Corinthians. Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra participaram do protesto.
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Segundo fontes ligadas às organizadas, entre 300 e 500 pessoas estiveram presentes. Faixas com mensagens como "MP, salve o Corinthians" foram exibidas durante a manifestação. As torcidas também anunciaram novos protestos para os próximos dias, incluindo atos na Neo Química Arena, durante a partida contra o Rosario Central, e no Parque São Jorge, no sábado (22).
Após receber representantes das organizadas, Ambra afirmou que a investigação segue critérios técnicos e que o apoio popular não interfere diretamente na decisão sobre os próximos passos. Segundo o promotor, a apuração continuará independentemente da mobilização dos torcedores. Nossa atuação iniciou antes disso.
Temos uma análise estritamente técnica. Temos que atuar da maneira correta, com ou sem apoio. Mas, lógico, tendo a confiança de um número gigantesco de torcedores, isso acaba sendo interessante e confortável. Leia também: Jogo do Corinthians hoje (20) pela Libertadores: que horas começa
Porém, nossa atuação independe de apoio da torcida. Luiz Ambra, em coletiva após a manifestaçã Por que o MP abriu a investigação Em entrevista exclusiva ao UOL antes da manifestação, Ambra explicou pela primeira vez por que o Ministério Público decidiu investigar a possibilidade de uma intervenção no Corinthians.
A apuração começou após uma representação enviada pelo promotor criminal Cássio Conserino, que conduz outras investigações relacionadas ao clube. Recebemos uma representação relatando inúmeras irregularidades que justificaram a proposição de algumas ações penais. Ele sugeria que esse cenário poderia justificar uma intervenção judicial.
Ambra, ao UOL O Ministério Público entendeu que havia motivos para acompanhar o caso porque considera o Corinthians um patrimônio cultural e avalia que uma eventual crise no clube pode afetar milhões de torcedores. O órgão também levou em conta a relação financeira dos torcedores com a instituição.
São pessoas que colocam dinheiro no clube, pagam ingresso, compram produtos licenciados e participaram da vaquinha da Fiel. Entendemos que cabia a intervenção do Ministério Público para tutelar o patrimônio cultural e também essa coletividade de torcedores. Luiz Ambra
Segundo Ambra, três pontos foram considerados para iniciar a investigação: o tamanho da dívida do Corinthians, as disputas políticas internas e informações sobre possíveis irregularidades cometidas por dirigentes. Esses fatores, de acordo com o promotor, formaram o cenário que levou o MP a abrir o procedimento. O cenário que tínhamos era a notícia de uma dívida gigantesca que poderia inviabilizar a própria existência do clube. Mais de esporte
Além disso, o ambiente político dificultava que fossem tomadas medidas necessárias para superar esse momento. E havia notícias de ilícitos penais cometidos em tese por ex-dirigentes e que, em tese, lesavam o clube. O que uma intervenção pode significar A investigação ainda está no começo, e o Ministério Público não decidiu se vai pedir à Justiça uma intervenção no Corinthians.
Ambra afirmou que, neste momento, não é possível estimar nem mesmo a possibilidade de a medida ser proposta. Existe razão para a investigação. Existem circunstâncias que justificam a apuração.
Porém, nós não podemos apontar percentual de chance de ser proposta uma ação e também de ser alcançado seu objetivo. Luiz Ambra Se o MP encontrar elementos suficientes, poderá pedir à Justiça que determine uma intervenção. Isso não significaria necessariamente a saída imediata da atual diretoria nem uma mudança no modelo de funcionamento do clube. Leia também: Corinthians x Rosario Central: onde assistir ao vivo, horário e escalações
A intervenção, segundo Ambra, consistiria na escolha de uma pessoa para assumir determinadas tarefas no Corinthians durante um período limitado. O objetivo seria resolver os problemas definidos pela Justiça e, depois disso, devolver o comando do clube ao funcionamento normal. Seria a nomeação de um interventor para tomar algumas medidas relativas ao clube por prazo determinado, com um objeto previamente definido.
Tomadas essas medidas e buscando regularizar situações necessárias, o clube depois retoma seu curso normal. Durante a entrevista coletiva após a manifestação, Ambra e Pascoal também explicaram que uma eventual intervenção não teria como objetivo punir dirigentes ou o próprio Corinthians. A ideia seria proteger os interesses do clube e ajudar a corrigir situações consideradas necessárias.
A intervenção judicial não é uma sanção. É um procedimento que busca tutelar os interesses do clube e resguardar os interesses do clube. André Pascoal Protesto mostra repercussão da crise
Os promotores disseram que a manifestação não muda a maneira como o Ministério Público analisa o caso. Ao mesmo tempo, Ambra afirmou que o tamanho do protesto ajuda a mostrar o impacto da crise do Corinthians entre os torcedores e na sociedade. É um termômetro muito interessante para verificar o impacto que isso causa na sociedade e na torcida corintiana.
Sem dúvida, isso é importante para demonstrar que o Ministério Público tem sua razão para atuar. Luiz Ambra André Pascoal também afirmou que o protesto não interfere na análise da investigação. Segundo ele, porém, o Ministério Público está aberto a receber informações e reclamações de torcedores.


