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Presidente da FecomercioSP critica fim da 6x1 e questiona voto de quem recebe

O empresário Abram Szajman deixou a presidência da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em maio, após 42 anos no cargo

Presidente da FecomercioSP critica fim da 6x1 e questiona voto de quem recebe

O empresário Abram Szajman deixou a presidência da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em maio, após 42 anos no cargo. O novo eleito é Ivo Dall’Acqua Júnior, que passará a representar os interesses de 1,8 milhão de empresários do setor em meio ao debate sobre a mais profunda mudança nas relações de trabalho dos últimos anos: o fim da escala 6x1. Em entrevista de quase três horas na sede da entidade, em duas sessões alternadas, Dall’Acqua criticou as propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, que classifica como fruto de "populismo explícito".

Para ele, mudanças desse tipo deveriam ser negociadas entre patrões e empregados, e não impostas pelo Estado –e muito menos em ano eleitoral. Ele também atribui a alta informalidade do mercado de trabalho a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, critica o que chama de "penduricalhos" da legislação trabalhista e diz que o Brasil remunera "mais o tempo livre do que o tempo trabalhado". O novo presidente defendeu ainda que beneficiários de programas sociais sejam estimulados a buscar autonomia financeira e afirmou que seria "uma condição interessante

Leia no AINotícia: Economia: O que movimentou o setor nesta semana

" restringir o direito de voto de quem recebe esse tipo de auxílio. Ele disse que isso já ocorre em alguns países desenvolvidos, mas não dá exemplos. [Duas semanas após a entrevista, ao ser questionado sobre que países restringiriam a participação de eleitores beneficiários de programas sociais, Ivo mandou uma retificação à coluna.

" Afirmei, de maneira equivocada, que em países desenvolvidos os beneficiários desses programas não podem votar. Foi um equívoco de minha parte, que faço questão de corrigir.

Num país democrático todos devem ter o direito ao voto. É fundamental que assim seja e permaneça. Acredito sim na relevância e necessidade dos programas sociais enquanto não construirmos um País mais justo para todos. Leia também: Chuteira rosa, antena digital e cerveja zero são as novidades na lista

Aliás, temos muitos exemplos de programas sociais dedicados às pessoas em situação de vulnerabilidade no sistema comércio onde estou há mais de 40 anos. O que defendo, e não transmiti bem, é a adoção de mecanismos eficazes que condicionem a manutenção do benefício à comprovação de sua necessidade e a busca de uma vaga formal de emprego, modelo adotado, com diferentes formatos, em alguns países. "]

Na conversa, o empresário afirmou que chega ao comando da entidade "com os pés no presente, olhar no futuro, mas respeitando o passado. Tenho que cuidar desse legado [na Fecomércio] e adequá-lo às necessidades que esses tempos mais recentes têm exigido", diz. "

Abram é uma pessoa de poucas palavras e de ações eficientíssimas. Eu sou um camarada mais conversador", conta. De fato, a cada pergunta surge uma história diferente.

Geralmente sobre Araraquara, no interior de São Paulo, onde nasceu, trabalhou no varejo e acabou se tornando líder sindical "por acidente", ou sobre seu hobby favorito, o teatro. Sua personalidade plural pode combinar com os desafios que terá pela frente.

Além de enfrentar a pressão em torno do fim da escala 6x1, Dall’Acqua assumirá os conselhos regionais paulista do Senac, voltado à educação profissional, e do Sesc, uma das principais instituições de cultura, lazer e bem-estar social do país. Tanto ele quanto as duas entidades completarão 80 anos em 2026. À coluna, ele também revela os planos para a próxima expansão das instituições. Mais de economia

PATRÃO E FUNCIONÁRIO O senhor passou pelo varejo, foi juiz classista da Justiça do Trabalho e militou no sindicalismo patronal.

Qual desses lados o ajudou mais a entender os conflitos entre capital e trabalho? Eu diria que não deveria haver conflito. Capital e trabalho são complementares.

O capital precisa investir e confiar e o trabalho precisa entregar resultado. Quando isso funciona, todos ganham. Boas empresas geram bons empregos, e bons empregos geram renda e bem-estar. Leia também: Novas fabricantes de carros elétricos continuam surgindo na China

O problema é que a economia é muito concentrada. Na FecomercioSP, 2% das empresas geram cerca de 35% dos empregos, enquanto os 98% restantes respondem por 65% e não têm condições de prover benefícios que as maiores têm. Essas empresas vivem sufocadas.

Um exemplo é o Simples Nacional, cujo teto está defasado há mais de dez anos. Quando uma pequena empresa sai desse enquadramento, muitas vezes perde competitividade. Estamos sempre corrigindo problemas em vez de criar condições para crescer.

O poder público acaba atendendo às pressões daqueles que têm melhor condição de briga ou prometer fazer maiores estragos, e isso se reflete em toda a sociedade. Falta investimento em infraestrutura, mobilidade e planejamento de longo prazo. Em cidades como São Paulo, as pessoas passam horas no trânsito todos os dias.

É tempo perdido de trabalho, de convivência familiar e até de lazer. ESCALA 6X1 Por que a federação não apoia o fim da escala 6x1?

Tudo que possa trazer bem-estar é legítimo. O problema é que essas mudanças precisam ser construídas por negociação. Nas audiências públicas, não ouvi dos representantes dos trabalhadores argumentos objetivos do ponto de vista econômico.

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