Diogo Nascimento ganha destaque após novo desdobramento em diogo nascimento
Ler matéria →“Prefiro pacientes que não querem virar um meme”, diz criadora do Botox estético Jean Carruthers, médica que descobriu a aplicação estética da toxina botulínica, esteve no Brasil e conversou com Veja Saúde A história da toxina botulínica é uma das mais curiosas da ciência: seus primeiros registros remontam ao início do século 19, quando alemães ficaram paralisados após consumir linguiça de sangue de porco. Quase um século depois, descobriu-se que uma bactéria que se desenvolve em ambientes com pouco oxigênio, como alimentos em conserva, era capaz de bloquear a ação do neurotransmissor acetilcolina, responsável por contrair os músculos.
O micro-organismo acabou sendo batizado de Clostridium botulinum, porque botulus, do latim, significa linguiça. De lá pra cá, a substância chegou a ser estudada como arma química, mas encontrou seu verdadeiro lugar na medicina, primeiro no tratamento de distúrbios oculares, como estrabismo e blefaroespasmo. Sua popularização estética veio com o casal canadense Jean e Alastair Carruthers, pioneiros na aplicação da toxina na glabela (região entre as sobrancelhas) e na testa para suavizar rugas.
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Agora, o Botox, nome da toxina botulínica tipo A da Allergan, foi liberado pela Anvisa para ser aplicado na região do pescoço, melhorando a flacidez do músculo local. +
Para marcar o feito, Jean Carruthers esteve no Brasil, e conversou com VEJA SAÚDE. O uso estético da toxina botulínica foi descoberto sem querer após a fala de uma paciente. Imaginou que ela transformaria a estética?
Não, definitivamente não. Foi apenas um momento extremamente educativo. Estamos falando de pacientes cujos olhos se fechavam involuntariamente por causa dos espasmos. Leia também: Diogo Nascimento ganha destaque após novo desdobramento em diogo nascimento
Elas não conseguiam levar uma vida normal porque eram, na prática, funcionalmente cegas. Por isso, sempre ficavam muito felizes após o tratamento. Quando uma dessas pacientes ficou irritada porque não apliquei na testa a toxina botulínica que colocava perto dos olhos para tratar a condição, fiquei realmente surpresa.
Prestei muita atenção ao que ela disse. Tive a sorte de já saber que testa e glabela eram áreas muito difíceis de melhorar. Meu marido, Alastair, que era dermatologista, sempre comentava como era complicado obter bons resultados ali, pois tentava-se apenas preencher as rugas, e faltava uma abordagem que atuasse nos músculos.
Esse foi o grande momento de descoberta. A médica brasileira Lilia Guadanhim costuma dizer que o Botox não apaga simplesmente rugas; ele equilibra os vetores de força da face, gerando uma aparência mais descansada. Como enxerga a evolução na forma de avaliar esses efeitos?
Acho que o conceito de equilíbrio realmente ganhou força, e concordo plenamente com ela. O equilíbrio entre as forças musculares que puxam o rosto para cima e para baixo permite elevar as sobrancelhas, a testa, o contorno mandibular e os cantos da boca. Também podemos impedir movimentos indesejados, como o sorriso gengival, quando o lábio superior sobe excessivamente.
Podemos elevar ou abaixar estruturas de maneira bem controlada. Mas aprendemos que a toxina botulínica pode fazer muito mais. Ela pode ser combinada com preenchedores, com tecnologias baseadas em energia e até com procedimentos cirúrgicos. Mais de saude
Por exemplo, após uma cirurgia de elevação das sobrancelhas, os tecidos levam cerca de três meses para cicatrizar na nova posição. Nesse período, a última coisa que queremos é que os músculos responsáveis por puxar a região para baixo comprometam o resultado cirúrgico. Por isso, faz todo sentido associar a toxina botulínica ao tratamento.
Atualmente, muitas pessoas buscam resultados naturais ao realizar procedimentos estéticos. O Botox contribui para isso? Sim, desde que seja bem utilizado.
Isso exige julgamento clínico. Cada rosto é único e é justamente essa singularidade que nos permite reconhecer uns aos outros. Por isso, considero importante valorizar e realçar as características individuais de cada pessoa, sem exagerar a ponto de todos passarem a ter a mesma aparência. Leia também: Quando é a hora de parar de tomar Ozempic e Mounjaro? Especialistas explicam
A senhora acredita que as redes sociais transformaram as expectativas dos pacientes em relação à aparência? Sem dúvida. Dizer que as redes sociais tiveram apenas impacto seria um enorme eufemismo.
Na verdade, não acredito que a revolução da estética teria acontecido da forma como aconteceu sem o surgimento das redes sociais e dos smartphones. Desde então, tudo avançou em ritmo acelerado. As pessoas estão mais informadas e, ao mesmo tempo, as redes sociais criam modas estéticas o tempo todo.
Pessoalmente, sinto-me muito mais confortável atendendo pacientes que desejam uma aparência natural do que aqueles que querem se transformar quase em um meme. Olhando para trás, existe algo que faria diferente em relação à inovação do Botox estético? Sim, nós [Jean e o marido] tentamos patenteá-lo, mas não conseguimos.
Consultamos dois escritórios de advocacia e ambos afirmaram que o uso cosmético não era diferente do tratamento do blefaroespasmo para justificar uma patente. Hoje, eu teria procurado outros dez escritórios até encontrar alguém disposto a defender essa ideia. Conseguimos patentear o uso da toxina para corrigir as linhas de tristeza ao redor da boca, e a Allergan adquiriu essa patente de nós.
Mas não conseguimos a patente para as rugas da glabela, entre as sobrancelhas. O que teria acontecido se tivéssemos conseguido? Bem, provavelmente seríamos multibilionários, e eu não estaria sentada aqui em São Paulo conversando com você (risos).
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