Morre Renato Machado ganha destaque após novo desdobramento em morre renato
Ler matéria →Por que uma mesma lesão pode doer muito em uma pessoa e quase nada em outra? Entenda como fatores como estresse, sono e experiências anteriores influenciam a resposta de cada pessoa às sensações Duas pessoas sofrem a mesma torção no tornozelo.
Uma volta a caminhar normalmente em poucos dias. A outra continua sentindo dor por semanas ou até meses. Você já viu isso acontecer?
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E quando duas pessoas fazem exatamente o mesmo treino, mas uma termina o exercício sem qualquer desconforto, enquanto a outra fica dolorida por dias? Ou ainda, diante de um tratamento: um indivíduo relata alívio imediato, enquanto o outro sente bastante desconforto. Situações como essas são extremamente comuns e levam a uma pergunta frequente: afinal, por que sentimos dor de maneiras tão diferentes?
A resposta está na forma como a ciência passou a compreender a dor nas últimas décadas. Hoje sabemos que ela não depende apenas do tamanho da lesão, do resultado de um exame de imagem ou da intensidade de um estímulo. A dor é uma experiência complexa, produzida pelo sistema nervoso a partir da integração de informações vindas dos tecidos, do próprio organismo e do ambiente. Leia também: Morre João Signorelli ganha destaque após novo desdobramento em morre joão
Isso significa que uma mesma lesão pode, sim, gerar experiências completamente diferentes em pessoas diferentes. Durante muito tempo, acreditou-se que existia uma relação direta entre o grau da lesão e a intensidade da dor. Mas as pesquisas das últimas décadas mostraram que essa relação é muito mais complexa.
A forma como cada pessoa percebe a dor sofre influência de inúmeros fatores, entre eles genética, sexo e hormônios, qualidade do sono, nível de condicionamento físico, doenças associadas, processos inflamatórios, experiências anteriores e até a memória de episódios dolorosos vividos no passado. A ansiedade, o medo e o estresse também exercem um papel importante. Uma pessoa que já passou por uma experiência dolorosa marcante pode se tornar mais vigilante diante de um novo desconforto.
O sistema nervoso, por assim dizer, fica mais atento aos sinais de ameaça. Por isso, duas pessoas com lesões semelhantes podem apresentar níveis de dor completamente diferentes, sem que uma esteja exagerando ou que a outra seja mais resistente. Um dos avanços mais importantes da ciência da dor foi demonstrar que o sistema nervoso participa ativamente da construção da experiência dolorosa.
Isso não significa que a dor seja “psicológica” ou imaginária. A dor é sempre real. O que varia é a forma como ela é percebida e modulada pelo organismo. Mais de saude
O sistema nervoso avalia continuamente as informações que recebe do corpo e decide qual resposta é mais adequada diante daquela situação. As expectativas também influenciam esse processo. Se uma pessoa chega para um tratamento extremamente apreensiva, acreditando que sentirá muita dor, o sistema nervoso pode entrar em um estado de alerta aumentado, amplificando a experiência dolorosa.
Da mesma forma, noites mal dormidas, períodos de estresse intenso ou situações de ansiedade podem tornar o organismo mais sensível aos estímulos dolorosos. A dor, portanto, é resultado de uma complexa interação que envolve, inclusive, as emoções, as experiências de vida e o contexto em que cada pessoa está inserida. Esse conhecimento ajuda a entender por que o mesmo medicamento, a mesma fisioterapia ou o mesmo procedimento podem funcionar muito bem para algumas pessoas e menos para outras. Leia também: Anvisa proíbe marcas de azeite e doces por irregularidades; veja quais
Cada organismo possui uma história única, uma capacidade própria de adaptação e uma maneira particular de interpretar os estímulos. Por isso, comparar a dor entre pessoas quase nunca faz sentido. Frases como “não é possível que esteja doendo tanto” ou “eu tive a mesma lesão e não senti nada” ignoram um princípio fundamental da ciência da dor: cada organismo responde de maneira diferente.
Na prática clínica, isso significa que o tratamento também precisa ser personalizado. É necessário compreender não apenas a lesão, mas também quem é aquela pessoa, como ela vive, como se movimenta, quais são suas experiências, seus medos, seu padrão de sono, seu nível de estresse e seu contexto emocional. Cada organismo carrega uma história diferente, construída por fatores biológicos, emocionais, comportamentais e pelas experiências vividas ao longo da vida.
Por isso, compreender a dor exige olhar para muito mais do que a lesão. Exige olhar para a pessoa como um todo. E é justamente essa visão que permite oferecer um tratamento verdadeiramente individualizado e mais eficaz.
*Monica Schapiro é fisioterapeuta, especialista em reabilitação oncológica e membro da Brazil Health. (Este texto foi produzido por meio de uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
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