Como acidente de avião que teve destroços achados após 74 anos mudou
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Crédito, Bloomberg via Getty Images
- Author, Thayz Guimarães
- Role, De Brasília para a BBC News Brasil
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 10 min
Em pouco mais de duas décadas, a China passou de parceiro secundário a principal destino das exportações brasileiras, impulsionando uma sucessão de recordes de vendas do agronegócio nacional. Apenas em 2025, o Brasil faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês— mais do que com qualquer outro país do mundo.
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O ritmo segue forte em 2026. De janeiro a junho, as vendas brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 58,322 bilhões, um crescimento de 21,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No mesmo intervalo, as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, uma perda de US$ 2,6 bilhões, após o governo de Donald Trump impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025. Na quarta-feira (22/7), entrou em vigor uma nova tarifa adicional de 25%, ampliando a pressão para que o Brasil encontre outros destinos para os produtos afetados.
Uma reportagem publicada na terça-feira (21/7) no britânico Financial Times, um dois principais jornais de finanças do mundo, afirma que os EUA correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador agrícola do mundo. Leia também: Mundo: Tarifas dos EUA, avião da Pan Am e plano da China no agro
Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões.
Analistas ouvidos pelo jornal apontam que um dos principais fatores por trás desse avanço foi a guerra comercial iniciada por Donald Trump, principalmente contra a China. Desde seu primeiro mandato, quando tarifas foram impostas ao país asiático em 2018, Pequim reduziu significativamente as compras de produtos agrícolas americanos e ampliou suas importações de países como o Brasil.
Esse cenário reforça, no curto prazo, a importância do mercado chinês para compensar perdas em outros parceiros comerciais. Mas, enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola.
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"A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural", afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura.
Essa mudança aparece de forma explícita no recém-lançado 15º Plano Quinquenal Nacional (2026-2030) da China. O documento elevou a segurança alimentar à condição de prioridade estratégica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produção doméstica de grãos, aumentar a autossuficiência em sementes agrícolas, acelerar o uso de inteligência artificial no campo e desenvolver novas fontes de proteína.
"Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal", afirma o professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay. Leia também: 'Nicarágua virou a Coreia do Norte da América Latina': a reação diante
O alerta encontra respaldo em projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030— uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas.
Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal.
"Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais", afirma Abramovay.
Questão de segurança nacional
A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.
Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal— que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático.

Modelo industrial
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Resposta brasileira
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