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Por que um veterano das Guerras Napoleônicas tem sido invocado para compreender

Crédito, Getty Images Article Information Author, Luiz Antônio Araujo Role, De Porto Alegre para a BBC News Brasil Published Há 4 horas Tempo de leitura: 7 min Quando a

Por que um veterano das Guerras Napoleônicas tem sido invocado para compreender
Casas em meio a fogo e fumaça em Teerã

Crédito, Getty Images

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    • Author, Luiz Antônio Araujo
    • Role, De Porto Alegre para a BBC News Brasil
  • Published Há 4 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

Quando a Guerra do Irã estava prestes a completar cinco semanas, em 1º de abril, o site norte-americano The Debrief publicou uma entrevista sobre o assunto feita por meio de inteligência artificial (IA) com um general morto havia muito tempo.

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Em vez de Napoleão Bonaparte, William Tecumseh Sherman ou Erwin Rommel, o escolhido foi um prussiano que, em vida, não desfrutou de celebridade comparável aos três primeiros.

Carl von Clausewitz (1780-1831) não imprimiu sua visão a cada aspecto da arte da guerra como Napoleão, não expandiu os limites da ação militar como Sherman, muito menos foi um gênio operacional do porte de Rommel.

Quando se trata de refletir em termos teóricos — e para alguns, até mesmo filosóficos sobre a guerra —, porém, é o legado de Clausewitz que faz sombra aos outros. Leia também: Carros inteligentes: como você pode estar sendo espionado sem saber (e o que

"Clausewitz continua sendo lido hoje porque foi a primeira pessoa a escrever sobre a guerra não do ponto de vista da ética ou da teologia, não a fim de fornecer um manual de princípios de guerra [com indicações do tipo de que] se você fizer X, Y ou Z, você ganhará a batalha", afirma Heuser, de Berlim, em entrevista à BBC News Brasil.

"[O objetivo de Clausewitz foi] apenas refletir sobre a guerra a fim de compreender melhor o fenômeno e extrair disso percepções sobre sua natureza e a maneira como é influenciada pela política."

Clausewitz – Retrato a óleo de Clausewitz por Wilhelm Wach (século 19)

Crédito, Universal Images Group via Getty Images

Militar influenciou governantes e filósofos

Diferentemente dos autores que o precederam, o militar nascido em uma família nobre de Burg bei Magdeburg, no reino da Prússia, via a guerra como uma disciplina com recursos e leis próprias, que tem por finalidade obrigar o derrotado a agir de acordo com os desígnios do vencedor.

O pensamento de Clausewitz influenciou do Duque de Wellington ao executivo norte-americano Jack Welch, passando pelo líder comunista russo Vladimir Lenin, pelo filósofo francês Raymond Aron e pelo Nobel de Economia norte-americano Thomas Schelling.

"Clausewitz fornece o único arcabouço conceitual consistente para analisar o relacionamento entre a atividade combatente, a capacidade combatente e as demandas de uma sociedade ou um grupo em interação com outros grupos e sociedades que podem combater", afirma Eugenio Diniz, coordenador do Observatório de Capacidades Militares e Políticas de Defesa. Leia também: Busca por suprimentos e abrigo: Cuba divulga guia de como agir em caso de

As perguntas formuladas pelo The Debrief dão uma ideia do porquê um veterano das Guerras Napoleônicas pode ter relevância na análise de um conflito travado com mísseis balísticos e drones.

"Como devemos julgar a decisão dos Estados Unidos e Israel de ir à guerra contra o Irã?", "O que o sr. pensa sobre os objetivos declarados de guerra de Estados Unidos e Israel?" e "Quais os sucessos estratégicos que Estados Unidos e Israel atingiram até agora?" foram alguns dos questionamentos para os quais o chatbot simulou respostas baseadas nos escritos de e sobre Clausewitz.

"O fato de tentarmos entender quais eram os objetivos dos Estados Unidos na guerra deriva muito de que pelo menos alguma coisa aprendemos com o velho prussiano [Clausewitz]", diz Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-maior do Exército (Eceme).

O pesquisador sustenta que, enquanto parece fácil identificar as finalidades iranianas e israelenses, não se pode dizer o mesmo das norte-americanas.

"O objetivo americano é conter a China? Criar problemas para a Europa? Dominar o Irã? Deter o controle de mais uma fonte de energia no mundo e, assim, de mais de 60% da produção de petróleo global?", questiona.

Uma casa branca com o nome de Clausewitz acima da porta
Legenda da foto, Museu dedicado a Clausewitz em Burg, na Alemanha

'Objetivos podem mudar durante o conflito'

Clausewitz sobre a guerra: 'camaleão que adapta suas características'

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