Por que tantos resistem ao fim da escala 6×1? No Dia do Trabalhador, colunista explica que a resistência ao fim da escala 6x1 vai além da economia — ela revela feridas que o Brasil ainda não curou O empresário disse que não concorda com uma proposta de mudança na lei que vai favorecer a saúde mental e o bem-estar do trabalhador.
Não é qualquer empresário, é alguém que decidiu aplicar tudo aquilo que está proposto na nova legislação em sua empresa e ter colhido excelentes frutos das mudanças. Sim, ele fazia escala 6×1 e mudou para 5×2. Segundo o seu próprio relato, houve ganhos na retenção de mão de obra, na redução das faltas e na melhoria do clima organizacional; além disso, ele afirma que a empresa segue crescendo e vai abrir novas unidades este ano.
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Mesmo assim, segue contrário ao fim da escala 6×1, e ele não está sozinho! Editoriais de grandes jornais e revistas, programas na TV e na internet com formadores de opinião que representam o lugar de fala do poder parecem não aderir às pesquisas e evidências de que a nova lei pode ser boa para todos, principalmente para aqueles que têm a vida mais precarizada. Curioso pensar que parece que não existem argumentos racionais ou experiências positivas potentes o suficiente para dissuadir os defensores do status quo de que a mudança é benéfica e necessária. Leia também: Homens e mulheres têm planos diferentes para a aposentadoria
O que explica essa resistência? Quando a razão é insuficiente e o lucro extraído das mudanças parecem pouco importar, fica a pergunta: que fenômeno é esse que mantém as mentes refratárias? Não podemos fazer psicologismos em cima do tema, mas podemos propor a análise de elementos pouco, ou nada, conscientes que permeiam esse espírito conservador.
Além dos argumentos econômicos, produtivistas e sociais que, diga-se de passagem, são frágeis, talvez devêssemos propor também uma reflexão sobre os elementos que compõem a nossa história e que ocupam, de alguma forma, o imaginário das elites econômicas em nosso país. A insegurança da elite e a herança colonial De um lado, podemos tomar o trabalho de Michel Alcoforado, que serve de auxílio para pensarmos que, por detrás dos pretensos argumentos racionais contra o fim da escala 6×1, residem emoções pouco elaboradas de temor, egoísmo e insegurança.
Estes sentimentos são representados através da necessidade que os nossos ricos têm, segundo o antropólogo, de ostentarem signos de distinção social, reflexos do que ele chama de insegurança da elite. Essa elite sofre, sem perceber, das dores herdadas do colonialismo ao lado daqueles mesmos que exploram. Enquanto povo, estamos presos a uma espiral de sofrimentos naquilo que o psicanalista húngaro Sándor Ferenczi nomeou como identificação com o agressor. Mais de saude
Esse processo é um mecanismo de defesa inconsciente onde a vítima, para sobreviver ao trauma, introjeta a agressividade e a perspectiva do agressor, assumindo sua culpa e reproduzindo sua violência. Herdeiros que somos de uma estrutura colonial violenta, identificados a ela, seja entre as elites ou entre as classes menos favorecidas, não encontramos facilidade em superar esse estado de mente que reproduz a exploração e a necessidade de autoafirmação. Nossa riqueza material, construída sobre violências brutais como a escravidão, resultou em um tipo de pobreza simbólica da qual somos todos herdeiros.
e responsáveis por transformá-la. Nosso mito fundador é o trauma. Nosso destino é reproduzir estas estruturas traumáticas e de exploração uns dos outros até que, um dia, possamos nomear e reconduzir nossos impulsos opressores rumo à autoafirmação, à fraternidade e à emancipação. Leia também: Panorama da Saúde: Canetas Emagrecedoras, 6x1, Trânsito e Agrotóxicos
Nesse sentido, temos o dever de transformar essa cultura que não admite o bem-estar de todos, apenas de alguns. Superar o impulso à subjugação do outro é compreender algo que foi tão precisamente apreendido por Tom Zé naquilo que chamou de Arrastão de Paulo Freire: “
Quando o trabalhador cresce na sociedade e tem a oportunidade de ser protagonista da História, ele pratica o método do opressor, porque foi o único método que ele aprendeu; então ele só sabe agir como o opressor. ” Ser favorável ao fim da escala 6×1 é mais do que defender tempo de descanso, é defender um Brasil que busca curar-se de sua própria tragédia.
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