
Crédito, Manoella Mello/Divulgação
- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Há 1 hora
- Tempo de leitura: 9 min
Mesmo na era das redes sociais, só há uma maneira de ver Tony Ramos: ligando a televisão. Neste mês, ele volta ao ar com a novela Quem Ama Cuida, que será exibida na faixa das nove na Globo a partir do dia 18 de maio.
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O ator, de 77 anos, nunca gravou um story nem fez uma selfie. Prefere se manter afastado da internet, que vê como um espaço que surgiu "para dar voz a tantos que queriam falar e não tinham como", mas acabou sequestrado por "aproveitadores e criadores de notícias falsas".
Nem por isso, diz, está alheio ao que acontece no Brasil e no mundo. Prefere o método tradicional: todos os dias, acorda e lê os principais jornais impressos do país, que exibe orgulhosamente durante entrevista por videoconferência, antes de seguir para os Estúdios Globo — o antigo Projac — para encarar mais uma diária de filmagens em pleno feriado de Tiradentes.
O ator diz estar preocupado com os rumos das redes sociais, sobretudo com o avanço da inteligência artificial, que já o vitimou — Tony descobriu, por meio do colega Marcos Caruso, que estavam usando sua imagem sem autorização para promover um remédio para próstata. "Mas nunca fiz isso. Não anuncio remédio, bebida alcoólica, jogo", frisa. Leia também: Irã Propõe Novo Diálogo de Paz com EUA Via Paquistão
"É bem-vinda a inteligência artificial para o bem, mas ela vai ser usada para o mal. Campanha política então nem tenho dúvida. Os donos dessas ferramentas deveriam pensar: esse político realmente falou isso? Mas será que vão ter essa preocupação?", questiona.
Este é Antônio de Carvalho Barbosa, aquele que os espectadores não veem. Tony, a figura pública que acumula 62 anos de carreira — quase 50 deles na TV Globo — não costuma levar debates como esse para o cotidiano. Prefere guardá-los para conversas com amigos e para as raras entrevistas que concede, que considera espaços mais adequados para discussões.
"Nunca fugi do tema política. Só não expresso partidos, candidatos ou em quem vou votar. Não quero ser indutor de voto para ninguém. Quem tem que votar, que vote com sua consciência e em busca de algo positivo para você, para os seus filhos", ele diz. "Sou um homem que ama a liberdade e a democracia."
Agora, Tony se prepara para mais uma estreia. Quem Ama Cuida, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, acompanha uma fisioterapeuta — papel de Letícia Colin — que vê sua vida virar do avesso após uma enchente devastadora em São Paulo. Tony interpreta seu avô, Otoniel, um homem "em uma idade avançada que tenta continuar a sonhar", nas palavras do ator.
Em entrevista à BBC News Brasil, o ator apresenta o folhetim, discute temas como política, redes sociais e inteligência artificial e tranquiliza os fãs, dois anos após ter sido internado às pressas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com sangramento intracraniano. "Foi um susto grave, mas estou excelente", diz. "Enquanto Deus me permitir, pretendo continuar trabalhando." Mais de mundo

Crédito, Manoella Mello/Divulgação
BBC News Brasil – A novela começa com uma enchente, que é uma tragédia cada vez mais comum. Como o senhor vê essa aproximação com a vida real?
Tony Ramos – As novelas buscam temas que se aproximam da gente brasileira, e os tempos são difíceis. Muita gente ainda é cética, até irônica, com a mudança climática, sendo que ela está à nossa porta. Não sou fatalista, mas Porto Alegre e o caso recente de Ubá, em Minas Gerais, estão aí. Leia também: A empresa chinesa de roupas esportivas que quer desafiar Nike e Adidas
Já fiz de tudo na Globo: já me embrenhei em um sertão quase intocado para Grande Sertões: Veredas, com apoio do Exército; fui filmar na Índia, com a turma de Bollywood; fui para Toscana, onde aprendi a pilotar tratores; filmei na Grécia; mas nunca vi nada parecido com a enchente que montamos para esta novela. Envolveu 300 e tantos profissionais, com gigantescos chuveiros, turbinas, e muita água.
BBC News Brasil – Seu personagem, Otoniel, tem uma banca de flores em frente ao cemitério, certo?
Tony – Ele vai buscar emprego. Depois que perde a casa, perde tudo na enchente, um amigo o indica para fazer o horário noturno na floricultura em frente ao cemitério. É esse homem brasileiro, em uma idade avançada, que tenta continuar a sonhar. A esperança é vendida de uma forma muito clara pelos autores.

Crédito, Manoella Mello/Divulgação
Tony – Alguns colegas dizem que eu deveria ter minhas redes, e eu brinco: 'É obrigado? Se não vou perder minha carteirinha de artista?'. Não sou um velho chato, tenho bom humor, adoro trocar ideias com os mais jovens, aprendo com eles. Também não sou saudosista, não fico falando do meu tempo, porque meu tempo é hoje. Mas este tempo também tem uma exposição narcisista muito mixa, que resvala até no inculto.

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