
Crédito, Getty Images
- Author, Alejandro Millán Valencia
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 8 min
Manuel Villa decidiu deixar a Colômbia em dezembro de 2022. Ele tinha emprego e vivia em um apartamento pequeno, mas confortável, no norte de Bogotá. Contudo, enquanto celebrava as festas de Natal, após quase dois anos de isolamento por causa da pandemia de covid-19, percebeu que queria algo mais.
Leia no AINotícia: Panorama Mundo: Acidentes, Economia Global e Geopolítica em Foco
"Não era como se eu estivesse mal, mas a verdade é que eu não via muito futuro", conta Villa à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Foi então que, em janeiro de 2023, aos 33 anos, ele pegou um avião e se mudou para o Reino Unido.
Villa faz parte dos quase dois milhões de colombianos que deixaram o país nos últimos quatro anos, em uma tendência que teve seu pico em 2022, mas que ainda se mantém, com um fluxo importante de emigração. Leia também: Dois caças colidem e caem durante apresentação nos EUA; veja VÍDEO
De acordo com o escritório de Migrações da Colômbia, cerca de 370 mil colombianos saíram em 2025 e não retornaram.
O fenômeno se mantém desde 2022, quando mais de 500 mil cidadãos deixaram o país, o que na época foi visto como um processo migratório incomum em comparação com os anos anteriores.
O curioso é que isso acontece em um contexto de certo bem-estar financeiro, com números macroeconômicos que muitos especialistas classificam como estáveis e positivos, apesar de um déficit fiscal preocupante e de um alto nível de informalidade no mercado de trabalho.
No fim de 2025, o produto interno bruto colombiano cresceu 2,3% em relação ao ano anterior, um índice semelhante ao crescimento do Brasil e acima do México, os dois gigantes econômicos da região.
Ainda assim, para muitos acadêmicos, a migração colombiana é um fenômeno que vem ocorrendo há mais de cinco décadas e que deve continuar nos próximos anos. Mais de mundo

Crédito, Getty Images
Fim do Promoção Agregador de pesquisas Leia também: MCMV em SP ganha destaque após novo desdobramento em uma prática polêmica tem
"Os colombianos migram há mais de 50 anos, independentemente de haver uma bonança ou estarmos em recessão. Primeiro para os Estados Unidos e Venezuela e, desde o início deste século, essa tendência passou a incluir a Espanha e o Chile", diz à BBC Mundo William Mejía Ochoa, coordenador de Pesquisas do Grupo de Mobilidade Humana da Universidade Tecnológica de Pereira.
"O que é preciso entender é que o colombiano não migra, na maioria dos casos, porque está passando fome ou porque não tem emprego. Ele emigra porque quer melhorar sua renda ou se reunir com um familiar", acrescenta.
Assim, uma das razões por trás do aumento nos números absolutos é que a rede de pessoas que podem receber novos migrantes vem se ampliando cada vez mais, especialmente nos Estados Unidos e na Espanha.
"Atualmente há quase um milhão de colombianos na Espanha, 1,2 milhão nos Estados Unidos e cerca de 200 mil no Chile. Isso, claro, atrai mais colombianos, porque facilita a migração", observa o acadêmico.
Fenômeno Schengen
Estima-se que haja quatro milhões de colombianos vivendo no exterior, enquanto a população do país chega a 52 milhões.

A 'explosão' de 2022

Novo perfil

Leia também no AINotícia
- Os instrutores de fitness criados com IA que prometem resultados irreaisMundo · 4h atrás
- O que foi a Revolução Cultural e como ela moldou a história da China há 60 anos?Mundo · 4h atrás
- 'Há cobrança para que a gente faça arte política': Adriana Varejão criticaMundo · 4h atrás
- A noite em que 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidosMundo · 8h atrás