← Mundo
Mundo

Por que sistema elétrico brasileiro enfrenta risco por excesso de geração

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Nos últimos anos, país registrou um forte avanço da geração solar distribuída, gerando desequilíbrio entre oferta e demanda de

Por que sistema elétrico brasileiro enfrenta risco por excesso de geração de
Mulher de uniforme e capacete trabalhando na instalação de painéis solares

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Nos últimos anos, país registrou um forte avanço da geração solar distribuída, gerando desequilíbrio entre oferta e demanda de energia, dizem especialistas
Article Information
    • Author, Luiz Antônio Araujo
    • Role, De Porto Alegre para BBC News Brasil
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

Quase 25 anos depois do apagão por excesso de demanda que em 2001 obrigou consumidores de 16 Estados e do Distrito Federal a desligar eletrodomésticos, e prefeituras a reduzirem a iluminação pública, o Brasil enfrenta um drama de sinal inverso.

Leia no AINotícia: Mundo: Irã e Iêmen em foco, anúncios no Instagram e geopolítica na América do

Agora, a ameaça que ronda o Sistema Interligado Nacional (SIN) é a oferta excessiva de energia.

Para evitar uma possível sobrecarga, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que coordena a geração e distribuição de energia no país, acionou no dia 7 de junho um plano emergencial para frear o ingresso de eletricidade na rede.

Na prática, trata-se da redução ou do desligamento da geração de energia, geralmente de parques eólicos e solares— o que é chamado no jargão técnico de curtailment (expressão que se traduz como corte ou redução). Leia também: Qual a origem da aliança entre EUA e Marrocos — e qual o papel dela na crise

Foi a primeira vez que o ONS lançou mão da medida desde que um plano para lidar com o excesso de oferta de energia foi aprovado, em novembro do ano passado.

De acordo com o órgão, "trata-se de uma ação excepcional adotada para o processo de controle de frequência do sistema elétrico", que foi necessária naquele domingo de junho para equilibrar a alta geração, combinada a um consumo menor, devido ao final de semana prolongado pelo feriado de Corpus Christi, associado a baixas temperaturas. Cortes também foram realizados em dias de jogos do Brasil na Copa.

Segundo Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ceri), a compreensão da situação exige que se parta de uma premissa: para o sistema elétrico funcionar de forma adequada, a oferta deve ser igual à demanda.

Isso significa que a quantidade de energia gerada e transmitida tem de coincidir com a consumida.

O que há de novo é que, diferentemente do que ocorria no passado, o país já não depende unicamente da energia gerada por usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares ou por parques eólicos e solares de grande porte, que podem ser ligados ou desligados pelas autoridades conforme as necessidades do sistema. Mais de mundo

Geração distribuída já abrange 5% dos consumidores no país

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos cerca de 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões (5% do total) são também micro e minigeradores de energia por meio de painéis solares, que formam a chamada geração distribuída.

Desses 4,5 milhões, 3,6 milhões são consumidores-geradores residenciais, e 400 mil, comerciais, que recebem créditos pelos quilowatts aportados ao conjunto. Os 500 mil restantes incluem categorias como poder público, serviço público, rural e outras.

A potência instalada desses consumidores-geradores é de 50 gigawatts, que equivalem a cerca de 20% da potência total instalada do país, observa Joisa. Leia também: Como novos vírus criados por IA podem mudar a ciência (apesar de causarem

Instalação de painéis solares na favela Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro

Crédito, Bloomberg via Getty Images

Legenda da foto, Volume de energia produzido pela geração distribuída é grande e pode estar subestimado, diz pesquisadora da FGV

Segundo a pesquisadora, a subnotificação da geração distribuída poderia chegar a 15 gigawatts ou 30% do total.

Essa potência, classificada pelo ONS como "instalações à revelia", configura fraude e prejuízo ao sistema, na medida em que mascara como micro e minigeradores usuários que poderiam ser enquadrados como de grande porte, diz a especialista.

Enquanto usinas convencionais e renováveis de grande porte são controladas pelo ONS, a geração distribuída não obedece a nenhum comando centralizado. Em caso de necessidade, seu desligamento da rede depende da ação das concessionárias privadas de distribuição.

"Esse volume [de energia proveniente da geração distribuída] tornou-se muito importante, e se o ONS limitar-se a desligar os recursos sob seu controle, a redução de oferta não será suficiente para fazer frente à redução de consumo", afirma Joisa.

Pule content e continue lendo
  • Depressão, insônia, surdez: o drama dos agricultores que vivem embaixo de parque eólico em cidade de Lula14 agosto 2023

'Energia de telhado'

Elbia Gannoum
Legenda da foto, Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, diz que é preciso diferenciar a energia eólica e solar de grande porte e a geração solar distribuída ou 'energia de telhado'

Excesso de subsídio às renováveis

Turbinas de geração eólica à beira do mar
Legenda da foto, 'Durante o dia, a energia solar e eólica produzida e lançada no sistema é muito superior à demanda', diz Nivalde Castro, coordenador do Gesel-UFRJ

'Quem paga o curtailment é o consumidor'

Mesa diretora da Câmara durante sessão plenária que aprovou medida provisória que viabilizou privatização da Eletrobras, em 20 de maio de 2021
Qual a origem da aliança entre EUA e Marrocos — e qual o papel dela na crise
Mundo

Qual a origem da aliança entre EUA e Marrocos — e qual o papel dela na crise

Ler matéria →

Leia também