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Por que região mais rica do Canadá está se rebelando e quer se separar do país?

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Mitch Sylvestre, diretor do grupo Stay Free Alberta, afirma ter assinaturas acima da quantidade necessária para convocar um

Por que região mais rica do Canadá está se rebelando e quer se separar do país?
Mitch Sylvestre, diretor do grupo Stay Free Alberta, de meia-idade com pouco cabelo, veste uma blusa preta com a inscrição "Fique livre" sobre o mapa da província canadense de Alberta, rodeado por simpatizantes com bandeiras da província

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Mitch Sylvestre, diretor do grupo Stay Free Alberta, afirma ter assinaturas acima da quantidade necessária para convocar um plebiscito sobre a independência da província
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    • Author, Redação*
    • Role, BBC News Mundo
  • Há 5 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

Os separatistas da província de Alberta, no Canadá, apresentaram na segunda-feira (4/5) uma petição formal em favor de um plebiscito pela independência da região, que poderá ocorrer ainda este ano.

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O grupo Stay Free Alberta, responsável pelo pedido, afirmou ter superado o número de assinaturas necessárias para a consulta popular.

O movimento separatista de Alberta tem suas raízes na chamada alienação ocidental. Esta expressão indica que a província seria frequentemente ignorada pelo governo federal na capital canadense, Ottawa, segundo acredita parte da população da região.

Os organizadores da petição tinham até este mês para recolher pelo menos 178 mil assinaturas (10% dos eleitores da província) para a realização do plebiscito. Leia também: Lula chega aos EUA para encontro 'olho no olho' com Trump

Mas o diretor do Stay Free Alberta, Mitch Sylvestre, declarou na segunda-feira à seção eleitoral de Edmonton, a capital da província, ter recolhido mais de 300 mil assinaturas.

"Este é um dia histórico para Alberta", afirmou ele.

"É o primeiro passo; vencemos a terceira rodada e, agora, estamos na final da Copa Stanley" de hóquei, comparou Sylvestre.

Eles defendem que a tentativa do território de se separar do Canadá viola seus direitos. A decisão deve ser anunciada no final deste mês.

O advogado da Primeira Nação Athabasca Chipewyan, Kevin Hille, declarou que seus clientes têm um caso fundamentado, que poderá anular o pedido de plebiscito. Mais de mundo

"Uma fronteira internacional prejudicaria seus direitos firmados em tratados e sua forma de vida", afirmou Hille à BBC. Ele faz referência aos tratados firmados entre a Coroa Britânica e as comunidades de Primeiras Nações há mais de um século, antes da criação do Canadá moderno.

Hille destacou que seus clientes acreditam que a independência de Alberta significaria o rompimento daqueles tratados.

Legenda da foto, Um grupo de opositores das Primeiras Nações indígenas defende que a independência de Alberta violaria seus direitos consagrados na Constituição do Canadá

Hille destacou que uma decisão separada de um tribunal de Alberta, em dezembro passado, determinou que o plebiscito pela independência seria ilegal, por violar os direitos das Primeiras Nações estabelecidos na Constituição do Canadá.

Mas o governo de Alberta permitiu que a petição seguisse adiante, alterando suas leis para eliminar a exigência de que os plebiscitos de iniciativa popular sejam constitucionais.

O caso mais recente apresentado à Justiça questiona se a decisão tomada em dezembro se mantém apesar desta mudança, segundo Hille. E, se tiver sucesso, o advogado afirma que o plebiscito independentista não será realizado, a menos que seja proposto pelo governo provincial.

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